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procura-se uma casa
Admiro as pessoas que vivem a vida inteira na mesma casa. Tenho almejado isso secretamente, mas por uma fatalidade estou sempre mudando. Quando me mudo para uma nova casa, tenho a sensação de que vou ficar ali para sempre. E é nesse estado de espírito que vivo nas casas.
A casa precisa ser natural, cair bem, como um paletó cortado no alfaiate. Precisamos nos sentir bem dentro dela, ainda mais agora, que as autoridades admitiram a nossa cotidiana guerrinha civil. (...)
Estou de mudança. Mais uma vez, na minha vida, estou de mudança. A perspectiva da mudança causa em mim sentimentos indefinidos, uma mistura demedo, euforia, excitação, coragem. Há o sentimento de perda, claro, vou perder a minha vista para as ilhas, para as chuvas que vêm do infinito, para a imensidão oceânica, vou perder o meu jornaleiro, o Dinho, vou perder os meus porteiros a quem tanto me afeiçoei, o seu Jonas, que lava meu carro, o seu Expedito, o Pará, a escadaria que dá nas figueiras seculares, o barulho do vento, a serena ordem da minha biblioteca, o Corcovado, e tudo o que construí pra sempre agora naufraga no irremissível. Mas assim é a vida.
E tenho de decidir para onde me mudarei. Vou botar um anúncio no jornal: Procura-se uma casa com janelas, vizinhos discretos, clara e arejada, com sol da manhã no pé da cama, um sótão de onde se possa ver a lua em fevereiro (mas também em agosto e dezembro), e as estrelas por uma clarabóia. Procura-se uma casa em que caibam os meus livros, tantos e tão poucos, as minhas velhas cadeiras de vime, os meus castiçais acesos, e vinhos, o meu silêncio e o meu amor, a minha insuportável queda para a felicidade, o tédio, a insatisfação e a melancolia. Uma casa com uma boa cozinha onde se possa conversar sussurrando com o homem amado, uma janela dando para o quintal, onde eu possa ver as crianças correndo, crescendo, e o tempo passando como sempre, inexorável e eterno.
(Ana Miranda. O Dia - Rio, 14 ago. 1999)
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Eu sentia as pedras pequenas e pontiagudas na minha testa, era dolorido, tentei afastar meu pensamento da dor e passei a sentir a terra gelada e fofa em minha bochecha, algo quente escorria do canto do meu lábio, eu sangrava, sangrava e não tinha coragem suficiente de abrir meus olhos, me erguer e olhar ao redor; nesses poucos segundos, o mundo para e o tempo pode se tornar infinitamente lento, eu queria permanecer atirada no chão, abraçada na terra, com os olhos fechados, qualquer dor causada por outro ser humano é maior do que a dor causada por uma tropeço da vida, a queda doía, a pedra doía, mas ainda assim, o mundo me recebia em um eterno e fraterno abraço, por que eu não poderia torná-lo eterno?
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é fato que cada estação tem seu próprio aroma,
principalmente primavera e inverno, não me recordo bem do cheirinho do outono, mas sei que ele existe.
a primavera sempre vence, cheirinho de flor na cidade inteira, além das muitas cores que a cidade se pinta. já o inverno tem uma essência característica como se fosse o 'cheiro do frio'. parece que a cidade exala lenha queimando nos fogões. e há ainda o verão, que com si traz chuvas e o aroma de terra molhada, de sol forte e arco íris brilhando no alto e abençoando a cidade de ponta a ponta. como não ter o coração preenchido de amor com um cenário desses?
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noite de segunda
hoje eu ouvi o vento na noite escura.
vento que anuncia chuva.
já fazia tanto tempo que não chovia que fui até a janela me certificar e lá estava: céu noturno nublado, árvores balançando a música das tempestades e no ar aquele aroma inconfundível de que ela já estava mais próxima do que eu imaginava.poucos instantes depois de eu me juntar a janela de casa, aquele som - um dos melhores do mundo - foi se aproximando: som de água caindo do céu sobre os telhados, folhas e calçadas. dominando todo o ambiente. coloquei meu braço pra fora e pude senti-la fresquinha tocar minha mão. por ser noite não consegui vê-la no início mas pude sentir das melhores formas: seu toque, cheiro, som e aquela sensação florescendo em mim.... quando percebi eu era uma criança animada saltitando nas pontas dos pés, com um sorrisão no rosto, celebrando a chegada de uma grande e amada amiga
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28 de abril
existe algo no vento que me encanta.
sei lá. talvez seja o jeito que ele tem de tocar qualquer coisa e fazer música. já reparou no som das folhas das árvores quando o vento as toca? ou já observou as roupas estendidas em um varal tomando sol e dançando com o vento? você já viu a música? ou só ouviu?
roupas estendidas no varal também me encantam. e também não sei o por quê. só é. talvez me lembre aconchego - roupa limpinha, cheirosa e quentinha. na minha cidade é possível ver muitos pátios em dias de sol com roupas coloridas secando e dançando; as vezes uma roupa de criança, ou uma camiseta com frase divertida ou ainda um vestido lindo com estampa florida.
tenho uma vizinha que pendurou um varal no poste da rua, então suas roupas são estendidas sobre a cabeça de quem passa na calçada, quer dizer, não bate na cabeça de ninguém, só esta lá, lá no alto. mas talvez se fosse mais baixo mais pessoas perceberiam a beleza de uma roupa secando ao sol. inclusive essa vizinha do varal na calçada gosta muito de lavar roupas de cama.
é tão lindo! lençóis grandes de várias cores bailando com o vento!
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manhã de 22 de abril 2020
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como é para você quando o externo é só silêncio?
quando não há pessoas ou sons convidativos para a distração?
nem música, tv, ou sons da rua?
quem é você quando o externo é silêncio?
sua mente assume o lugar de distração?
te trazendo preocupações futuras, arrependimentos passados?
você consegue silenciá-la?
pedir licença ou simplesmente mandar calar-se?
você consegue trazer pra si o silêncio da mente? e o que vem depois?
sentir?
emoção?
presença?
como é?
o que acontece ali?
ali externo e ali interno?
quem é você?
como você lida com o verdadeiro silencio?
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A plant lover’s industrial penthouse loft in Manhattan | more here
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Morning boys and girls! | nhodjin
Location: Umeå, Sweden
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Part of the grace of polaroid film is the manner in which it illuminates how present experiences evoke past memories.
Taken on September 17, 2018 Soulac-sur-Mer, Nouvelle-Aquitaine, France crédit: Martin Perez
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a garden room, 2016
my last drawing of the year!
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fresh eucalyptus helping me to reset + refresh. (at Lynnhurst, Minneapolis)
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