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ꜱᴜʀᴠɪᴠᴇ ᴛʜᴇ ᴡᴀʀ, ʟɪᴠᴇ ᴛʜᴇ ᴛʀᴀᴜᴍᴀ
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moodxeye · 1 year ago
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moodxeye · 1 year ago
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Até então, Moody não tinha entendido muito bem em que tipo de terreno tinha se metido. Havia passado tanto tempo tentando remediar os efeitos de suas desavenças com Mary que nunca tinha lhe ocorrido investigar com a devida atenção as possíveis razões pelas quais o conflito havia se dado em primeiro lugar. Agora, ouvindo-a falar, a clareza acerca de toda aquela situação se tornava tão evidente quanto dolorosa. Como tinha se dado por satisfeito ao assumir que Mary era simplesmente temperamental? Desde quando tinha se tornado tão recluso ao ponto de não perceber quando alguém demonstrava precisar de ajuda?
Al coçou os cabelos com um pouco de força demais, tenso. Não tinha como encontrar atenuantes para o que tinha acabado de escutar. Não podia ser uma hipérbole, um modo de dizer. Não podia ser nada além do sentido mais literal.
E como olhar para ela, pela primeira vez vulnerável diante de si, de repente tinha se tornado quase insuportável, Moody desviou o rosto e então se viu com os olhos fixos na silhueta inconfundível de Mulciber à distância.
Sem saber por quê, sentiu as mãos formigarem.
── O que você quer dizer com atacou fisicamente?
Era uma pergunta retórica, é claro. Tinha entendido, apenas se recusava a acreditar. Foi quando percebeu que tinha transformado o cigarro entre os dedos em cinzas, uma magia não intencional que sutilmente revelava seu verdadeiro temperamento sob os olhos gelados. Na intenção de se acalmar, e também sem saber por que, voltou os olhos para ela.
── Mary, aquele imbecil colocou as mãos em você?
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O olhar hesitante recaiu sobre o cigarro oferecido e, por alguns instantes, cogitou negar a oferta. Não sabia se era permitido que estivessem fumando dentro das premissas de Hogwarts e, naquele momento, não contavam com a mesma discrição e a privacidade que a torre de astronomia oferecia durante a madrugada. Ser penalizada com uma nova detenção não estava em seus planos. Cautelosa, olhou ao redor, procurando por qualquer figura que oferecesse ameaça, suspirando em sinal de rendição quando notou não haver ninguém próximo a eles com quem devesse se preocupar.
Delicadamente pegou o cigarro, levando-o até os lábios e o prendendo entre eles para uma única tragada profunda. Prendendo a fumaça em seus pulmões, sentiu parte de sua tensão se dissipar. Aquela era uma solução passageira para o que sentia, mas extremamente bem-vinda e eficaz. Assim que terminou, devolveu o tabaco para o rapaz, dando-se por satisfeita com o que consumira.
Considerando que havia flagrado Moody a observando diversas vezes, achava curioso que perguntasse sobre suas desavenças no colégio e esse sentimento foi logo expresso. ── Não sabe mesmo de quem eu estou falando? ── Apesar do cenho que se franziu ao questioná-lo, um pequeno sorriso se desenhava nos lábios. Seu confronto com Mulciber foi tão estarrecedor, que havia chegado aos ouvidos de cada estudante e funcionário do local, por isso se surpreendia em ter que ser explícita sobre o que se passava. ── Alguém me encarando durante a aula seria o menor dos meus problemas. ── A ironia de ter que admitir isso diante do outro arrancou dela uma risada curta.
Presumindo que o bruxo ao menos havia escutado comentários soltos sobre a briga, o considerou ciente do ocorrido. ── É que… Toda essa história com o Mulciber ainda não foi completamente digerida por mim. Sei lá, eu acho meio absurdo ainda ter que conviver com um cara que me atacou fisicamente e me insultou sem qualquer justificativa aceitável. ── Era particularmente doloroso falar sobre o assunto, mas, estranhamente, sentia-se um pouco mais confortável em abordá-lo com alguém que não a conhecia com profundidade. Como era difícil discutir seus sentimentos com seus amigos mais íntimos! ── Até tento ignorar a existência dele, mas nem sempre consigo.
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moodxeye · 2 years ago
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Moody aceitou a embalagem que ela lhe oferecia, tirando o cigarro dos lábios momentaneamente para colocar dois bombons explosivos na boca de uma vez. Enquanto mastigava, levou a mão com o cigarro preso aos dedos na direção do campo de visão de Mary, uma oferta silenciosa de que poderia dividi-lo com ela se assim quisesse. Atento, mas com os olhos vagando sem muito rumo, ia ponderando tudo que ouvia sem saber exatamente como graduar a informação que recebia. Não tinha como saber o quanto daquele desconforto por ela declarado era justificado, o quanto era real e o quanto não era simples resultado de alguma péssima comunicação, como tinha sido o caso com ele próprio.
Na tentativa de entender melhor, embora não fosse de seu feitio interessar-se pelos problemas dos outros, resolveu inserir-se naquela pequena abertura que lhe era oferecida.
── Expulsar? Por quê? Não, antes: quem? ── perguntou, franzindo as sobrancelhas. Antes mesmo de terminar a frase, Moody já tinha um forte palpite do alvo, embora não soubesse intuir uma razão sólida além do fato de que Mulciber era incrivelmente burro. Só podia identificar a ele como sujeito da crítica discreta, já que as crianças ali longe eram um elemento indiferente e a dupla de amigos ali atrás era tão perigosa quanto dois nerds metidos a descolados poderiam ser. ── Não vai me dizer que mais alguém ficou te encarando durante a aula.
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Era comum que se distraísse, imersa na própria mágoa e nas dolorosas lembranças que carregava consigo, quando reencontrava Mulciber por seu caminho, uma infelicidade que ocorria com mais frequência do que gostaria. Por conta disso, não prestou a atenção que desejava nas palavras de Moody, mecanicamente reagindo a elas com um breve sorriso sem muito humor. Percebendo que seu maior odiador gratuito praticamente a rondava como uma ave de rapina observando sua presa, Mary agradecia por não ter feito aquela visita ao lago sozinha, pois certamente se tornaria um alvo fácil para as provocações de um covarde. Por mais que o rapaz agora fosse mais discreto com suas provocações, essas não deixavam de irritá-la e magoá-la profundamente.
Ajeitou-se sobre a toalha de mesa quando percebeu Alastor se aproximar, preparando-se para recebê-lo ao seu lado, mas sem esperá-lo para alcançar a embalagem de bombons explosivos e abri-la. Detestar Mulciber a deixava faminta. Não tardou a devorar um punhado dos doces, sentindo-os estralar contra a língua a cada nova mordida. Seguindo o exemplo de sua companhia, também tentou se distrair observando o cenário, inspirando profundamente para permitir que os pulmões fossem invadidos pelo ar puro que banhava a área externa. Era realmente agradável estar ali, independente de quem mais havia decidido visitar o local naquele mesmo horário.
O olhar retornou a Moody, cativado pelo elogio feito, com o qual concordava plenamente. ── Sim, é uma paisagem bastante agradável. ── Assentiu, então estendendo a embalagem do snack para ele, também o convidando para servir-se dos demais alimentos dispostos ali. Era comida demais para uma pessoa só. ── Melhor do que a sala de aula e a biblioteca, disso eu tenho certeza. ── Concluiu, considerando o desejo alheio de se afastar dos estudos por um tempo. A vida dentro de Hogwarts não estava nada fácil, então acreditava que mereciam momentos de pausa e calmaria como aquele.
Não imaginava que seu desconforto transpareceria e frustrou-se quando percebeu que havia falhado em mascarar o que sentia. Suspirou baixo com a pergunta, relutante sobre respondê-lo com transparência. ── Não é nada demais… ── Meneou a cabeça em negativa, levando mais uma leva de bombons até a boca. ── É só que… Aqui tem muita gente que me incomoda. ── Cedeu à honestidade, sendo sucinta com as palavras, tentando parecer tranquila. A verdade era que a maioria se mostrava aprazível, mas o que de pior existia entre os alunos parecia se destacar quando revisitava seu embate contra o outro bruxo. ── Mas, infelizmente, não posso fazer nada quanto a isso. Não é como se eu tivesse o poder de expulsar alguém daqui.
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moodxeye · 2 years ago
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Como estava de costas para ela, Moody não teve como ver quando uma sombra de desdém cruzou o semblante de Mary. Voltando-se para trás, observou o piquenique improvisado por ela e ficou particularmente satisfeito ao notar que Mary, mais uma vez contra seu julgamento, não tinha colocado uma pilha de obstáculos entre ela e o espaço que tinha separado para ele. Na verdade, já era suficiente por si só que ela tivesse sequer deixado um lugar para ele.
── Bom, não me sacrificar no lago ── respondeu, bem-humorado. ── Há sacrifícios mais importantes do que ser engolido pela Lula Gigante.
Batendo uma mão contra a outra, foi se aproximando até a toalha estendida por Macdonald e então se sentou ali, ficando de pernas-de-índio ao lado dela enquanto seu olhar escrutinava toda a orla do lago, identificando uma ou outra figura conhecida. Mulciber, ali mais perto, caminhando no sentido deles. Um casal do quarto ano dividindo uma porção de feijõezinhos de todos os sabores aos pés da encosta. Lupin e Black mais ao longe, sob a sombra de uma árvore, jogando cartas. Algumas crianças pequenas correndo do outro lado, fazendo encantamentos simples com as folhas que se erguiam do chão.
Então, era essa a sensação de se sentir parte.
── Às vezes me esqueço de como aqui é bonito.
O comentário saiu espontaneamente, como um pensamento que escapa do campo virtual. Um pouco sem jeito, Moody logo encolheu os ombros, como se subitamente se mostrasse indiferente à própria observação, e então tirou um maço de cigarros do bolso, levando um aos lábios. Foi só então que voltou os olhos claros para ela novamente.
── Hm, o que foi?
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A reação causada por seu elogio, tão inocente e sincero, colocou um misto de divertimento e confusão em seu semblante enquanto o observava. Era como se ele nunca tivesse recebido palavras de enaltecimento antes, o que acreditava ser uma inverdade. Para sua satisfação pessoal, porém, não demorou até que um sorriso nascesse nos lábios alheios, um simples gesto que embelezava ainda mais os traços tão marcantes do bruxo. Cada vez que o contemplava, parecia encontrar um novo detalhe que lhe saltava os olhos e conquistava seu apreço. Mas nada se sobressaltava mais do que seus olhos, cujo tom de azul era mais límpido do que o mais belo dos oceanos. A justificativa jocosa arrancou dela uma risada curta, também a deixando grata por, aparentemente, ter seu convite muito bem recebido por ele. ── Enrolar com os estudos? Moody, pode contar comigo pra isso sempre! Nem precisa de desculpa ou vantagem. ── Mantinha a leveza da conversa. Por mais que se empenhasse para manter notas decentes e não perder sua vaga como uma bruxa honorável, nem sempre encontrava ânimo ou interesse nos livros, jamais abrindo mão do relaxamento ou momentos de diversão. Suas prioridades eram perfeitamente escalonadas.
É fácil me deixar puto, mas é igualmente difícil me deixar mal. Aquelas palavras ressoavam dentro dela, descrevendo com exatidão a postura que Mary trabalhava arduamente para construir para si mesma. Contudo, para sua infelicidade, nem sempre conseguia manter-se impassível como gostaria, o que não era um impeditivo para agir exatamente daquela forma. ── Parece que temos algumas coisas em comum. ── Assentiu, suspirando em seguida. Quanto mais convivia com ele, mais notava a similaridade em suas personalidades. Tinha que admitir: havia o julgado injustamente e estimava a fortuna de poder conhecê-lo melhor. Também concordava com o fato dos ânimos estarem à flor da pele, o que contribuía para certas atitudes e reações mais exacerbadas diante de uma situação potencialmente perigosa. 
Assim que alcançaram a beira do lago, MacDonald tirou a mochila do ombro, então abrindo seu zíper para acessar o conteúdo guardado nela. A primeira coisa que retirou foi uma toalha de mesa, grande o suficiente para acomodar os dois, que logo foi estendida sobre a grama, uma camada fina que já atenuava o incômodo causado pela superfície pinicante. Enquanto fazia isso, observou a figura de Mulciber não muito distante dali, o que foi suficiente para causar um revirar em seu estômago.  Ter que respirar o mesmo ar que ele era uma lástima ruim o bastante para estragar seu humor, mas trabalhava no autocontrole, assim se preservando de qualquer confronto desnecessário. Acalmando-se, inspirou profundamente e desviou o olhar para aquele que se distraía atirando pedrinhas na direção do lago. Então, sentou-se sobre o tecido, deixando o lado direito vago para ser ocupado por Moody. ── Wow, devo interpretar isso como um aviso? ── Perguntou a respeito do breve desabafo feito por ele que, apesar de soar como brincadeira, podia indicar algo sério. Então, alcançou alguns snacks para distribuí-los sobre o gramado aparado. ── O que ou quem está te deixando assim, pronto pra se sacrificar no lago?
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moodxeye · 2 years ago
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moodxeye · 2 years ago
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Moody ia andando com um meio sorriso no rosto, as mãos escondidas no bolso enquanto ia observando os próprios passos avançando pela grama, pendendo a cabeça diante de cada observação entusiasmada de Mary.
É verdade que ele não era muito de falar, mas nunca tinha lhe ocorrido que talvez não tivesse grandes problemas em ouvir, contanto que fosse da pessoa certa. Havia algo no entusiasmo de Mary que o cativava, se é que isso de fato era possível para alguém como Alastor. Ele estava começando a se acostumar com isso quando o elogio inesperado o roubou de seu eixo, fazendo-o levantar um par de olhos quase arregalados para ela. Levou um tempo para saber o que dizer, o que acabou suavizando o olhar de gato assustado e fazendo um novo sorriso surgir no lugar.
── Não se anime muito, Macdonald. Talvez eu só estivesse fazendo isso pra ganhar alguma vantagem depois ── devolveu, o tom brincalhão caindo bem com o novo clima entre os dois e também disfarçando perfeitamente o quanto não estava habituado a ser elogiado. ── Tipo receber um convite pra comer no lago e fingir que não preciso estudar pras provas.
Aproveitando o gancho do novo assunto, Alastor fez um gesto de dispensa com as mãos, como se ela não devesse sequer cogitar a possibilidade de se preocupar com ele.
── Ah, estou bem. É fácil me deixar puto, mas é igualmente difícil me deixar mal ── respondeu. Era provavelmente a coisa mais honesta que dizia em tempos. ── Mas também é meio foda ficar normal num clima desses.
Tinham chegado à beira do lago agora. Sem saber o que fazer, já que nunca tinha chegado nessa parte, Moody resolveu deixar Mary escolher sozinha onde se sentar e como seria a disposição dos dois. Não queria correr o risco de ultrapassar um limite que claramente não conhecia. Avançando até a beira do lago, pegou uma pedrinha e a atirou no lago, observando o projétil dar três saltos sobre a superfície antes de afundar.
── Honestamente, se essa lula me arrastar lá pro fundo, vai estar me fazendo um favor.
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Foi com grande alegria que recebeu a surpreendente aceitação de seu convite, pois uma parte sua, a mais insegura dela, acreditava que Moody encontraria alguma desculpa esfarrapada para se esquivar de um programa que não parecia condizer com seus gostos pessoais. Reconhecia que aquele julgamento era baseado apenas no que observara ao longe, numa percepção rasa a respeito do rapaz, que podia não representá-lo com exatidão. De qualquer forma, seria interessante ter a companhia dele durante o piquenique. No decorrer da caminhada até o lago podia notar o olhar de soslaio sobre si, uma atitude que julgava engraçada e contrastante com o motivo que os levara a ultrapassar as barreiras mentais que haviam criado a respeito um do outro. O riso, porém, era contido na garganta, assim evitando qualquer mal-entendido. 
Os lábios se entreabriram enquanto formulava uma resposta, ainda que jamais conseguisse exatamente descrever como se sentia, já que seu humor apresentava mais alterações do que a altitude de uma montanha-russa, mas foi interrompida pela questão seguinte, que arrancou dela uma risada curta. ── Como se eu fosse te revelar meus planos! A graça de te oferecer como ração de lula gigante é o fator surpresa. ── Devolveu a brincadeira com uma falsa perversidade, lançando a ele um olhar semicerrado, que denotava o mesmo tom da fala. Com uma breve pausa, deixou que o silêncio conduzisse a mudança de atmosfera , assumindo um pouco mais de seriedade antes de conceder a ele uma resposta honesta.
Gostaria de acreditar que ele realmente se importava com seu bem-estar após o incidente envolvendo Pirraça, uma ideia que desenhava um sorriso discreto em seus lábios. ──  Bom, agora eu me sinto bem. Me sinto vingada por saber que aquele poltergeist desgraçado teve o que merecia. ── Estava exultante com a vingança arquitetada e não escondia esse sentimento. Ao relembrar do confronto protagonizado por ambos, não podia deixar de reviver o momento em que ele havia assumido a postura como escudo humano para protegê-la, um gesto que prevalecia sobre a explosão de fúria que o sucedeu. Um pouco hesitante sobre abordar o assunto, McDonald o investigou por alguns instantes, alternando o olhar entre seu rosto e os próprios pés. ── Aproveitando que estamos aqui e falando sobre isso, preciso te agradecer por ter me ajudado naquela noite. Você foi realmente foda demais! ── A expressão em seu rosto reforçava o elogio, demonstrando muito mais admiração e gratidão. Tentando evitar que o clima se tornasse desconfortável, emendou o comentário com a pergunta. ── Mas e você, como está?
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moodxeye · 2 years ago
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FRIENDS (1994–2004) 9.22 The One with the Donor
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moodxeye · 2 years ago
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THE BEAR (2.09)
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moodxeye · 2 years ago
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Observador como era, é lógico que Moody já tinha visto uma série de casais espalhados pelos campos da escola; esticados na grama, sob a sombra de uma árvore, dividindo comida, jogando cartas ou trocando carinhos numa tranquilidade que ele só reconhecia, mas nunca experimentara. Esse era o ponto central de tudo: Moody era um observador, não um praticante. Apesar de indiscutivelmente mais experiente que os demais alunos, relativamente mais novos, tinha uma vivência de certas banalidades da juventude que era simplesmente medíocre e percebia com muita clareza como não tinha a menor familiaridade com aqueles momentos sutis de intimidade delicada que vez ou outra flagrava pelos cantos.
Mas a verdade é que ele nunca tinha se incomodado com isso até que se percebeu um pouco inquieto diante do convite de Mary, sem saber ao certo como reagir. Sentindo-se ridículo, queria dizer a si mesmo que estava sendo completamente patético por se permitir balançar por tão pouco, por de repente querer dizer alguma bobagem qualquer apenas para que pudesse vê-la sorrir para si de novo. Não sabia o que raios se passava pela cabeça de Mary para desejar sua companhia, muito ciente do quanto já tinha sido desagradável com ela em eventos passados, mas pela primeira vez em muito tempo decidiu não racionalizar cada pequena coisa e foi assim que se viu abrindo um pequeno sorriso de volta, seguido por um gesto de confirmação não muito tempo depois.
── Por que não?
Conforme iam caminhando, Moody ia observando-a discretamente pelo canto dos olhos, um cuidado que passara a ter desde que fora repreendido por ela pela primeira vez, algumas semanas antes. Não seria o primeiro efeito positivo de Macdonald sobre si.
── Então... ── começou, observando o lago cinzento que se aproximava na altura dos olhos. ── Como você está?
Era uma pergunta aparentemente genérica, mas permitia qualquer tipo de resposta. Pensava que com isso saberia identificar melhor o terreno onde estava pisando e evitar cometer alguma burrice que pudesse fazer com que Mary o desprezasse novamente. O coração da pergunta também não estava no lugar errado; genuinamente gostaria de saber sobre ela, especialmente considerando o que tinham vivido juntos em Hogsmeade.
── Ou está apenas me atraindo até o lago para me atirar para a lula gigante? ── sorriu novamente, dessa vez mais tranquilo.
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Era uma situação estranha ver-se defronte a um sorriso de Moody, mas também constatava que aquele era um semblante que o embelezava. O mais curioso ainda era saber que sua presença poderia causar tal reação, mesmo depois do atrito que havia marcado o início daquela relação permeada pela desordem. De qualquer forma, aquelas águas passadas e preferia focar no iluminar do semblante alheio com a notícia que trazia consigo. Era exatamente a reação que antecipava! Satisfeita com a felicidade que causava, riu baixinho em harmonia com o contentamento dele. De repente, sua intenção como agradecimento a fez arquear as sobrancelhas em sinal de surpresa, juntamente com os olhos que se arregalavam, precedendo uma nova risada, essa nervosa.
Instintivamente seu olhar recaiu sobre os lábios alheios, os observando com um desconhecido interesse. Naquele momento, descobria não ser avessa à ideia de aceitar aquele gesto como agradecimento. Mas no que gárgulas ela estava pensando? Tudo não passava de uma brincadeira. Sendo assim, aproveitou o segredo que guardava para também embarcar na gozação. ── Talvez queira repensar essa decisão. ── Retrucou em um tom jocoso, prevendo que a fala vaga causaria confusão. Mas não havia a menor chance de cobrar o beijo pretendido! Ficou admirada ao pensar que tinha agido com mais perspicácia que o bruxo com seu plano de vingança. ── Conhecendo aquela praga, duvido que vá ficar afastado por muito tempo, mas é bom saber que pelo menos alguém conseguiu o castigar um pouco. ── Deu de ombros, satisfeita com o que tinha em mãos. ── Me desculpa por ter interrompido sua leitura, mas eu precisava compartilhar essa novidade contigo. 
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moodxeye · 2 years ago
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ONE OF US IS LYING Bronwyn & Nate  ;  S01E02
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moodxeye · 2 years ago
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Moody franziu as sobrancelhas com a sugestão, sem saber exatamente o que Mary quisera dizer por trás daquela resposta. Ao invés de questioná-la a respeito, acabou novamente optando pelo silêncio, deixando que ela se prolongasse por mais algum tempo no entusiasmo demonstrado. Era uma sensação estranhamente satisfatória vê-la sorrindo para si e ele temia que qualquer mudança de ritmo pudesse interromper aquele fenômeno raro. Só voltou a atenção para si mesmo quando ela terminou de falar, voltando os olhos claros para o livro que tinha em mãos.
── Ah, não. Eu não estava lendo ── improvisou, fazendo ar de descaso de uma forma que seria difícil acreditar que ele tinha passado toda a noite anterior afundado nas páginas. ── Quero dizer, estava lendo, mas não direito. ── Estava sendo simplesmente ridículo. ── Não estava interessante mesmo. ── E agora estava sendo mentiroso, mas não mentia quando considerava que o livro era de fato mil vezes mais desinteressante em comparação a Mary. ── Agradeço por sair do seu caminho pra me contar. Estava indo a algum lugar....?
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Era uma situação estranha ver-se defronte a um sorriso de Moody, mas também constatava que aquele era um semblante que o embelezava. O mais curioso ainda era saber que sua presença poderia causar tal reação, mesmo depois do atrito que havia marcado o início daquela relação permeada pela desordem. De qualquer forma, aquelas águas passadas e preferia focar no iluminar do semblante alheio com a notícia que trazia consigo. Era exatamente a reação que antecipava! Satisfeita com a felicidade que causava, riu baixinho em harmonia com o contentamento dele. De repente, sua intenção como agradecimento a fez arquear as sobrancelhas em sinal de surpresa, juntamente com os olhos que se arregalavam, precedendo uma nova risada, essa nervosa.
Instintivamente seu olhar recaiu sobre os lábios alheios, os observando com um desconhecido interesse. Naquele momento, descobria não ser avessa à ideia de aceitar aquele gesto como agradecimento. Mas no que gárgulas ela estava pensando? Tudo não passava de uma brincadeira. Sendo assim, aproveitou o segredo que guardava para também embarcar na gozação. ── Talvez queira repensar essa decisão. ── Retrucou em um tom jocoso, prevendo que a fala vaga causaria confusão. Mas não havia a menor chance de cobrar o beijo pretendido! Ficou admirada ao pensar que tinha agido com mais perspicácia que o bruxo com seu plano de vingança. ── Conhecendo aquela praga, duvido que vá ficar afastado por muito tempo, mas é bom saber que pelo menos alguém conseguiu o castigar um pouco. ── Deu de ombros, satisfeita com o que tinha em mãos. ── Me desculpa por ter interrompido sua leitura, mas eu precisava compartilhar essa novidade contigo. 
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moodxeye · 2 years ago
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PALM SPRINGS (2020) dir. Max Barbakow
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moodxeye · 2 years ago
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Moody era bem o tipo de pessoa que se esgueirava pelos cantos e escondia a cara por trás de algum livro como se carregasse um alerta ambulante de que não queria ser incomodado. Na maioria das vezes, não chegava sequer a levantar o olhar mesmo quando percebia o som de passos se aproximando e só abandonava a determinação em ignorar quem quer que se aproximasse quando já não conseguia fingir que não via a figura em questão a meio metro de distância.
Por isso, ficou sem saber o que fazer quando fechou o livro sobre seu colo em um estalo alto diante do mero som da voz de Mary Macdonald - e ainda mais desamparado quando a observou vindo em sua direção com um sorriso de orelha a orelha que ele nunca tinha conhecido. Ficou um pouco agitado, sem saber por quê, e então abriu um discreto sorriso em retorno, também sem saber por quê.
── Aye, what’s up? ── cumprimentou, observando-a com interesse quando deixou a pergunta retórica pairar no ar, indicando sua ignorância quanto ao tema. Então, um brilho de divertimento assumiu seu semblante e ele cruzou os braços, fazendo um meneio de admiração com a cabeça. ── Puta merda, vou dar um beijo na boca do gênio que conseguiu essa proeza. Passei semana passada inteira louco atrás dele, mas acho que o infeliz tem me evitado em todo corredor.
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A primeira coisa que Mary fez ao receber as boas novas foi procurar pelo principal interessado no assunto, com quem certamente conseguiria desfrutar do júbilo causado pela notícia. Depois de procurar por uma grande parcela do perímetro do castelo, seu olhar finalmente encontrou a figura de Alastor, o que imediatamente colocou um sorriso entusiasmado em seus lábios. Não estava apenas feliz em vê-lo, como também ansiosa para compartilhar sua alegria. ── Ei, Moody! ── O chamou, então acelerando o passo para alcançá-lo.
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── Ficou sabendo da novidade? ── Se aproximou, abaixando o tom de voz como se segredasse a ele as informações sobre o ocorrido. Seu semblante parecia mais iluminado do que o normal, com os olhos carregados por um brilho travesso. ── Ouvi dizer que alguém conseguiu montar uma armadilha pro Pirraça e, desde então, ele nem tem dado as caras por aqui de tanta vergonha. ── Propositalmente omitiu o responsável pela conquista, esperando pelo momento certo para a revelação, sendo que este talvez pudesse nunca chegar. ── Parece que ele recebeu o que merece. ── Concluiu, exultante. Com ansiedade esperava pela reação alheia, esperançosa de que seria gratificante.
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moodxeye · 2 years ago
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Scream (1996) dir. Wes Craven
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moodxeye · 2 years ago
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Mesmo com suas evidentes limitações, Moody conseguiu perceber que algo tinha mudado em Mary e procurou se concentrar em minimizar a própria responsabilidade sobre aquele fenômeno, mesmo que estivesse fadado a passar os próximos dias revisitando os últimos acontecimentos, performando autópsias em suas conversas e trocas de contato para entender exatamente o que tinha acontecido ali. De alguma forma sentia-se ligado a ela, embora não soubesse dizer exatamente por quê.
── Não, claro que não ── negou prontamente, fazendo um gesto em negativa. Não lhe passava despercebido que Mary tinha dado um sutil passo para trás. ── Começamos isso juntos, agora vamos terminar.
Inspirando fundo, Moody foi caminhando junto dela de volta até a Torre de Astronomia, o coração ainda apertado no peito enquanto sentia a respiração perdendo o peso ao longo dos minutos. Com Mary como companhia, lhe ocorreu de repente o quanto tinha se acostumado a passar tempo demais sozinho.
Não disse mais nada pelo resto da noite.
── ⋅⋅⋅ ᴇɴᴄᴇʀʀᴀᴅᴏ
Uma atmosfera estranha pareceu pairar sobre os dois enquanto seus braços envolviam o corpulento rapaz, o fazendo de maneira um tanto desengonçada. Há poucos dias estava apontando o dedo na direção de Alastor, o acusando e ameaçando, completamente acometida por uma fúria descabida. E agora, lá estava Mary tentando consolá-lo após terem enfrentado juntos uma situação um tanto amedrontadora e revoltante.
Arrependeu-se da atitude quase que de imediato, pois não compartilhavam de qualquer nível de intimidade. Além disso, o bruxo nunca demonstrou ser do tipo que apreciava ser tocado sem autorização. Franzindo o cenho para a parede defronta a si, ela fez uma careta de puro remorso. Vasculhando a própria mente à procura de uma justificativa aceitável para o impulso impensado, chegou à conclusão de que não apenas o abraçara para oferecer consolo ao outro, mas também buscando receber o mesmo em retorno.
Desde o episódio vivido em Hogsmeade, Macdonald havia escolhido mais uma vez refletir sobre seus sentimentos de forma contida, evitando transparecer qualquer fragilidade ou esmorecimento, mesmo para as pessoas a quem considerava ser mais próxima. Sua família encontrava-se longe demais para confortá-la e seus amigos em Hogwarts não tinham acesso algum às suas necessidades emocionais. Sendo assim, o que restava a ela era enfrentar todas aquelas questões sozinha, o que se mostrava ser incrivelmente desolador. O abraçava com a esperança de receber o mesmo gesto em retribuição, mas este nunca chegou.
Seu interior foi rapidamente consumido pelo desconforto, o que a impeliu a se afastar enquanto pigarreava. O olhar encontrou o dele por alguns instantes, mas logo se desviou para qualquer outro ponto, pois sentia-se envergonhada demais para encará-lo. Apenas torcia para que o rubor não tivesse invadido seu rosto. A penitência silenciosa não a impedia de escutá-lo, porém. A voz alheia parecia igualmente carregada de incômodo, contribuindo para a corrosiva culpa, mas pelo menos tinha a confirmação de que estava bem.
Estou bem. ── Foi sucinta, meneando a cabeça em afirmação. Com uma inspiração profunda, recuperou o que lhe restava de autoconfiança, assim continuando a falar. ── Podemos dar a tarefa como encerrada por hoje, não acha? A gente merece descansar. ── Já era tarde e logo teriam aula. Além disso, não via a hora de vir-se distante de Alastor, assim não estaria propensa a cometer novos erros como aquele abraço inadequado. ── Qualquer coisa eu explico o que aconteceu e me responsabilizo pelos telescópicos descalibrados. Não dá nada. ── Afirmou, oferecendo um sorriso sem mostrar os dentes, também dando de ombros.
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moodxeye · 2 years ago
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Moody era extremamente temperamental. Honrava a sugestão do próprio sobrenome sem esforço; era realmente uma pessoa com labilidade emocional, propensa a extremos. Essa era uma característica fundamental a respeito de quem ele era e que só ficava relativamente impune aos olhos alheios porque Moody frequentemente se ausentava da companhia dos demais, privando a grande maioria dos alunos de Hogwarts de saberem qualquer coisa muito precisa sobre ele.
Mas agora Mary Macdonald tinha acesso a seu calcanhar de Aquiles, sua suscetibilidade a ser reativo e imprevisível como uma granada. Com os acontecimentos recentes em Hogsmeade, a brincadeira mal-intencionada de Pirraça tinha vindo em péssima hora e isso agora ficava mais claro do que nunca. Em outra ocasião, Moody não teria feito mais do que lhe lançar o feitiço estuporante, mas a memória do trauma vivido poucas semanas antes tinha assumido sua voz, seu corpo e seu coração como veneno. Com as mãos tremendo, recebeu o toque de Mary como mais uma onda de choque, e o abraço que veio logo em seguida conseguiu ser mais surpreendente do que o próprio susto de segundos antes.
Pego de surpresa, Moody percebia os próprios braços pesados e inúteis pendendo ao lado de seu corpo conforme lentamente tomava consciência do corpo dela contra o seu, a maneira como as mãos de Mary se espalmavam com firmeza contra suas costas e seu rosto encostava hesitantemente em seu peito, ainda movido pela respiração agitada que só agora começava a se regularizar.
Al não se lembrava da última vez em que tinha sido abraçado.
Já tinha acontecido em algum momento, com certeza, ele apenas não se lembrava quando. Manifestações de afeto não eram o forte em sua família; contato físico, menos ainda. Ele já recebera uns tapinhas nas costas do pai. Também já tivera alguns amigos lhe passando os um dos braços pelos ombros em um cumprimento desajeitado. Também já tivera suas experiências com mulheres, envolvendo-o com suas mãos ou pernas.
Mas aquilo era diferente; não era um toque condescendente, amigável ou erótico. Era outra coisa, ele só não sabia o quê. Pouco familiarizado ao gesto, não soube o que fazer com as próprias mãos. Elas permaneceram inúteis ao lado de seu corpo em um gesto congelado conforme ele sentia os batimentos cardíacos desacelerando e o corpo ficando quente nos pontos em que ela o tocava.
Engolindo em seco, Moody assistiu Mary se afastar ainda sem saber o que dizer, sem saber como enxergá-la agora que tinha voltado a si através de seu toque, sem saber o que fazer consigo mesmo por sua evidente incapacidade de retribuir sequer um abraço.
Mas Mary ainda estava perto demais. Agora podia ver com clareza o verde de seus olhos, que o encaravam de uma maneira que ele simplesmente não conseguia ler. Em um gesto impensado, Moody ergueu o braço, como se tivesse a intenção de tocar seu rosto, mas o movimento morreu no ar e ele logo trouxe a mão de volta para si, pigarreando em sequência. Não conseguia entender por que agora se sentia atraído por quem até então só o repelira.
── Eu... ── Balançando a cabeça, Moody não se afastou, mas manteve os olhos longe dos dela quando voltou a falar. ── Estou bem, Macdonald. Foi apenas uma brincadeira estúpida, nada mais ── disse com toda a firmeza que conseguiu, razoavelmente satisfeito com a própria mentira. Voltando sua atenção para ela, incapaz de sustentar o olhar por muito tempo, voltou a falar. ── E você?
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Todo seu corpo se tencionava a cada novo passo que os colocava mais próximo da origem do som, pois não fazia a menor ideia do que podia encontrar ao fim daquele corredor. Sua única certeza era que não parecia ser algo agradável de se presenciar. As lamúrias latejantes provocavam arrepios e despertavam memórias aflitivas de seu passado, mas não impediam Mary de continuar, pois ela nunca se acovardava diante do medo ou do perigo. A presença tão intrépida do rapaz também fazia diferença, a alimentando com uma confiança que certamente se ausentaria caso estivesse sozinha naquela situação. Não ignorava o fato dele parecer querer manter a dianteira, assim antecipando-se em qualquer ação para protegê-la. A diferença na postura de ambos era gritante.
Em um piscar de olhos, seus ouvidos foram usurpados por um urro ensurdecedor que a deixara desestabilizada. Era como se sua alma tentasse se desvencilhar de si própria durante alguns instantes. A fácil identificação da entonação do som não a impedia de ser atordoada pelo mesmo. O próprio grito esganiçado de terror morreu em sua garganta, pois havia se assustado demais para reagir como esperado ou desejado, travando diante da revelação ainda não digerida. Completamente perdida com o que estava acontecendo, acidentalmente chocou-se contra o corpo do rapaz, que parecia tão alarmado quanto ela. Corpulento como era, a colisão contra Moody quase a levou até o chão, apenas sendo poupada de um doloroso tombo pela mão posicionada sobre suas costas, que oferecia o apoio necessário para manter-se de pé. Não somente isso, ele também dispunha seu próprio corpo como um escudo para protegê-la. Apesar de não se adequar ao tipo que ansiava ser salva, descobria gostar de ter alguém a colocando como prioridade, mesmo que por impulso.
Recusando-se a depender de Alastor e sobrecarregá-lo, ela logo retomou o controle sobre os próprios movimentos, empunhando com mais firmeza a varinha, preparando-se para rebater os ataques da criatura maliciosa que os assustara. Encontrando a figura de Pirraça, lançou a ele um olhar perfurante, carregado com toda a revolta que tinha acumulado dentro de si. Sua respiração continuava descompassada, assim como os batimentos acelerados do coração, mas nada a impediria de acertá-lo em cheio com suas azarações. Não retrucava as provocações feitas, julgando mais efetivo humilhá-lo fisicamente. Contudo, antes que pudesse agir, foi pega de surpresa pela explosão protagonizada pelo rapaz. Naquele momento, acreditava não conter nem um décimo da fúria esbravejada por ele. Decidida a também cessar o tormento alheio e retribuir tudo o que havia feito até o momento, imediatamente lançou seu feitiço contra a impertinente criatura, reagindo no mesmo instante que o outro.
O trabalho em grupo logo surtiu efeito, lançando Pirraça contra a parede e o afugentando rapidamente. Com alguns passos, Mary tentou alcançá-lo para continuar deferindo seus ataques contra ele, mas bastou voltar momentaneamente o olhar até a figura de Moody para alternar o alvo de sua prioridade. Vê-lo tão abalado a fez se esquecer da adrenalina que corria forte em suas veias e se reestruturar de imediato, assim podendo oferecer o conforto que merecia. ── Você está bem? ── Perguntou através de um sussurro, aproximando-se o suficiente para se posicionar defronte a ele. As mãos trêmulas chamaram sua atenção, contribuindo para a cólera que sentia. Instintivamente tomou uma delas na sua, a apertando com afabilidade. Antes de oferecer o apoio como gostaria, porém, precisava de uma última descarga. ── Esse bosta desse poltergeist desocupado ainda vai pagar por toda essa idiotice! ── Brandou na direção onde fantasma havia desaparecido, convencida de que ele permanecia escondido ali, escutando as reações exacerbadas de ambos. Inspirando profundamente, voltou-se novamente para o bruxo, o incentivando a fazer o mesmo. ── Respira. ── Resiliente, ignorou a insegurança que acompanhava a atitude e lentamente o envolveu em seus braços para um abraço hesitante, mesmo correndo o risco de ser afastada. Enfrentavam um momento tenebroso e não sabia pelo que ele passava para ter reagido daquela maneira.
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moodxeye · 2 years ago
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Moody mal se deu conta de que a cada passo que Mary dava ele dava mais dois, como se tentasse antecipar-se a ela, criar um anteparo entre a garota e a origem do som. O som que ecoava do corredor era eletrizante, tão pavoroso que ele nem sequer tinha certeza de que era humano. A lamúria agora se transformara em um choro baixo, esganiçado, intercalado por risadinhas como a de quem lentamente perde a sanidade.
Sentindo os ouvidos latejando, Moody prendeu a respiração e por fim virou a esquina. A bolha de luz de sua varinha flutuou graciosamente pelo ar quando o som de repente se calou. Ele estava prestes a se virar para Mary com uma interrogação no rosto quando um grito enlouquecido fez com que ele se virasse em um salto com o coração na boca e as pernas bambas, o peso de seu corpo se encontrando violentamente contra do de Mary no susto, fazendo com que os dois quase caíssem no chão. Instintivamente segurou-a de pé com uma das mãos sobre suas costas, o corpo encurvado sobre o de Mary como se tentasse criar uma barreira física da explosão de som e luz que se seguiu.
A gargalhada era inacreditavelmente alta. Mesmo com o corpo tomado pela descarga de adrenalina, Moody não levou mais de meio segundo para entender precisamente o que tinha acontecido. Recuperando o equilíbrio, afastou-se de Mary como se nada tivesse acontecido e ergueu a varinha violentamente para o poltergeist que se desfazia em risadas acima deles.
── Scared much, Moody? ── provocou a criatura, os olhos quase chorando de rir. ── Did you just shit on your pants or was it the pretty little lady by your side?
── PEEVES, YOU PIECE OF SHIT ── xingou Moody, a face vermelha de raiva. Estava tão fora de si e enxergando tudo tão vermelho que nem sequer reparou no que Mary estava fazendo ao lado dele. Não sabia se a explosão de luz roxa que saiu de sua varinha vinha apenas dele ou dela também; estava apenas reagindo no calor do momento, quase louco de ódio. Até então, Pirraça nunca tinha se atrevido a provocá-lo. O feitiço de ataque foi tão orgânico quanto sua própria respiração. ── I’M GONNA END YOU RIGHT NOW.
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Pirraça foi girando no ar com o feitiço que lhe atingiu o peito com violência, interrompido no meio de uma risada. Quando bateu as costas na parede ao final do corredor, levou as mãos ao peito como se estivesse em choque. Depois simplesmente mandou beijinhos e sumiu.
Moody ainda estava com as mãos tremendo quando voltou os olhos para Mary, sem saber o que dizer.
Assustada com o que acabara de ouvir, Mary buscava por algum tipo de reconforto em Moody, o observando atentamente com o olhar esperançoso de quem esperava por um esclarecimento favorável. Inconscientemente, desejava que o cansaço estivesse afetando sua percepção de realidade, levando-a a imaginar vozes, uma vez que a alternativa de estarem sob ataque novamente a aterrorizava. Entretanto, para a sua infelicidade, encontrou no rapaz todos os sinais que reafirmaram seus temores. Quando foi que o mundo mágico havia perdido sua rotina de amenidade? 
Revisitando o pavor crescente experienciado durante o festival, ela inspirou profundamente, agarrando-se no que lhe restava de calma e coragem para se levantar, seguindo o exemplo do outro, de imediato alcançando a varinha que guardava dentro do próprio casaco, agarrando-se a ela com firmeza, preparando-se para checar a origem do som ou recepcionar seu causador, caso este viesse a encontrá-los ali. Hesitante, olhou ao redor à procura de qualquer indício exterior de perigo não captado pelos ouvidos atentos, ignorando a intuição que lhe dizia para averiguar o interior do castelo.
Ainda mais assustadora que a anterior, uma nova lamúria alcançou sua audição, novamente dispersando arrepios por toda a extensão de seu corpo. Nunca havia escutado um som tão gélido. Antes mesmo de receber a indicação de outrem, ela já se mostrava pronta para deixar a torre, pois não esperaria mais um segundo para agir, pois qualquer tempo perdido tinha potencial para resultar em um tarde demais. Apenas agradecia por não estar enfrentando aquilo sozinha, independente do que fosse.
Empunhando sua varinha, o seguiu pelos degraus, movendo-se o mais silenciosamente possível, até alcançarem o corredor que aparentava estar completamente vazio. Naquele momento não saberia apontar o que mais a aterrorizava, se o novo silêncio ensurdecedor ou o clamor por socorro escutado anteriormente. A resposta não tardou a surgir, com a voz se repetindo mais uma vez, agora parecendo muito mais próxima. Com um salto voltou-se na direção do ruído, esperando por qualquer outro que apresentasse o mínimo de contexto. Mas não havia passos, explosões, discussões… nada. ── Parece estar vindo de lá. ── Indicou o lado direito com a cabeça, logo retomando a caminhada, acompanhada por Moody.
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