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“Take pains. Be perfect.”
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I know a bank where the wild thyme blows, Where oxlips and the nodding violet grows, Quite over-canopied with luscious woodbine, With sweet musk-roses and with eglantine: There sleeps Titania sometime of the night, Lulled in these flowers with dances and delight.
Don't wanna be here? Send us removal request.
outsidegarden · 6 months ago
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Milo tinha a infeliz habilidade de reconhecer um Thornhill de longe — e, para seu azar, Richard era um dos mais fáceis de identificar. No instante em que seus olhos pousaram no mais velho, todo o seu corpo ficou rígido, a tensão percorrendo cada músculo de forma inconsciente. A última pessoa que queria encontrar depois de uma noite péssima de sono era Richard Thornhill. Comparado a ele, até Victor parecia uma companhia mais leve e suportável.
Pigarreando, Milo tomou um gole do chá, tentando aliviar o desconforto que a presença do outro lhe causava. — Acredito que ninguém gostaria de ainda estar aqui… — Ele fez uma pausa e corrigiu-se, lançando um olhar discreto ao redor. — Ou pelo menos, a grande maioria.
Richard parecia o mesmo de sempre. Perfeito, bem-apessoado, impecável, cordial… e detestável. Pelo menos na visão de Milo. Não importava se agora usava boas roupas, se tinha uma educação refinada, um círculo social respeitável — porque ao lado de Richard, Milo ainda se sentia pequeno. Ele sabia que parte desse ressentimento vinha de suas próprias inseguranças, mas preferia não refletir muito sobre isso.
O problema era que nenhuma de suas lembranças com Richard era boa.
Como poderia se sentir bem na presença de alguém que, durante anos, o aconselhara a se afastar de pessoas que realmente importavam para ele, como Lydia? Que sempre deixara claro que existia um abismo entre os dois?
Ele respirou fundo, forçando-se a manter um tom neutro:
— Está bem. Finalmente descansando… mas ainda trabalha aqui às vezes. Uma vez empregado de Thornhill, sempre empregado. — A acidez em sua voz transpareceu antes que pudesse evitar. Ele tomou outro gole de chá, pousando a xícara sobre a mesa antes de pegar um cigarro e acendê-lo. — Deixei Thornhill há muitos anos. Oxford, na realidade. Dou aulas lá. — Levou o cigarro aos lábios, tragou devagar e soltou a fumaça antes de encará-lo novamente. — E você? Muitos projetos filantrópicos e reuniões da alta sociedade?
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“E alguma vez ela pareceu ter um?”
Richard Thornhill puxou uma das cadeiras, posicionou-a meio virada para que ele não se sentasse totalmente virado para a mesa, mas tendo vista do resto do jardim. Quando tomou assento, uma perna cruzada sobre a outra, tirou o bolso e colocou sobre a mesa sua cigarreira metálica, buscando seu isqueiro em sequência. “Mas parece coletivo essa manhã, não? A noite não foi descanso suficiente para matar o desgaste da viagem? Todo mundo está meio… tenso.” Mas não ele. Richard parecia estranhamente despreocupado. Olheiras, sim, mas um rosto que vira o brilho de uma navalha naquela manhã, cabelos bem penteados e posicionados no lugar com gel. Parecia casual naquele seu confortável suéter de casimira azul, mangas puxadas a altura dos cotovelos. Prendeu o cigarro entre os lábios, testou a chama e a cobriu com a mão contra o vento até que pegasse fumo. Inclinou-se para trás, costas contra o encosto, no primeiro trago, parecendo lembrar da presença de Milo. Olhou-o. Parecia muito bem.
Tudo o que sabia do sujeito se limitava a duas coisas: que era filho do jardineiro, que costumava seguir Lydia como uma sombra persistente. O garoto que Richard fora não o odiava, mas certamente o considerava uma ameaça. Lydia fora uma criança frágil como a folha de outono prestes a se desprender, e de repente havia alguém incentivando-a ao perigo que era o mundo externo. Na época, Richard não conseguia associar aquela sensação de formigamento na pele a um constante estresse causado por excessiva preocupação, ele associava a raiva, às vezes ao medo, mas principalmente raiva. Raiva era melhor do que qualquer outra coisa. Suas memórias eram uma bagunça disforme, mas ele tinha quase certeza que pelo menos uma vez mandou Milo deixar a irmã dele em paz, assim como mandara Cassandra ficar quieta, pois ele não queria ouvir o que ela tinha a dizer a respeito da casa. Deus, ele fora terrível... Como Edmund e Daphne haviam o tolerado, era ainda um mistério. Será que Milo ainda tinha suas ressalvas para com Richard, ou será que ele havia colocado aqueles desentendimentos como águas passadas? Eram adultos, não eram? 
“Como está seu pai?” quis saber, mantendo a conversa naquele tom impessoal. “Charles me disse que ele vive agora na vila. Você deixou Thornhill, não deixou? Londres?”
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outsidegarden · 6 months ago
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Milo estava exausto. Não só fisicamente, mas também mentalmente, psicologicamente… existencialmente. A noite anterior fora uma das piores de sua vida, e o tailandês sabia que se lembraria dela pelo resto da sua existência. Voltar à sua antiga casa trouxe à tona uma enxurrada de sensações—impotência, mediocridade, um vazio que ele sequer conseguia nomear.
E agora, aquele maldito café da manhã, cercado por todas aquelas pessoas, parecia sugar o pouco de energia que ainda lhe restava.
Quando chegou aos jardins, ficou tão perplexo com o que a Sra. Banks ousava chamar de sorriso que nem percebeu quando se sentou perigosamente perto de Victor. Passara a noite inteira tentando se livrar dele e, ainda assim, cometia esse deslize patético. Se xingando mentalmente, pegou a xícara de café, prestes a tomar um gole, mas parou com o líquido a poucos centímetros dos lábios antes de devolvê-la à mesa.
— Nem vou perguntar o que você fez com ela — murmurou, pegando um de seus palheiros e levando-o aos lábios. Acendeu o cigarro e tragou profundamente, soltando a fumaça devagar antes de lançar um olhar de soslaio para Victor. — Qual o problema com a Sra. Banks hoje?
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starter  aberto,  no  jardim  de  thornhill  às  onze  horas  da  manhã.  
aviso  de  conteúdo:  uso  de  substância  ilícita.
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ele  se  vê  no  espelho  e  a  cena  é  deplorável;  não  foi  a  luz  do  abajur  que  o  manteve  acordado,  foram  aquelas  formas  contorcidas  e  as  vozes  que,  pelo  sibilar  umbroso,  não  soavam  convidativas.  os  benzodiazepínicos  não  serviram  de  nada,  quase  como  se  tivesse  tomado  um�� placebo.  nunca  conseguia  prever  quando  os  pesadelos  iriam  atacar  o  subconsciente,  já  havia  tentado  encontrar  um  padrão,  dias  e  dias  sem  dormir,  mas  eles  pareciam  ter  vida  própria.  não  ligou  para  as  manchas  abaixo  dos  olhos  que  começavam  a  enfeitar  a  feição  nada  amistosa.  encheu  o  copo  com  a  água  da  pia,  imediatamente  o  levando  até  a  boca  após  engolir  os  três  comprimidos  analgésicos  —  queria  exterminar  a  dor  de  cabeça  cuja  a  latência  parecia  piorar  com  o  passar  dos  minutos.  victor  seca  o  corpo  e  larga  a  toalha  sobre  a  cabeceira  da  cama  e  não  demora  para  colocar  a  roupa.  contrariando  a  moda  vigente,  preferia  usar  cores  sóbrias  e  optou  pela  calça  marrom  escuro  e  blusa  de  gola  alta  preta.  perfeitamente  vestido,  já  deveria  ter  descido  para  o  café  da  manhã.  entre  quatro  paredes,  victor  separa  uma  única  fileira  do  pó  branco  e  inspira  com  vontade,  jogando  a  cabeça  para  trás  e  ardência  corre  por  sua  pele,  enquanto  o  cômodo  parece  ser  consumido  pelo  cheiro  desagradável.  o  mau  humor  proveniente  da  noite  mal  dormida  desaparece,  a  falsa  sensação  de  bem-estar  apoderando-se  de  seu  corpo.  
a  lembrança  vem  como  um  leve  sopro.  ele  nunca  gostou  dos  domingos  em  thornhill,  mesmo  que  adorasse  tomar  o  chá  preto  com  leite  após  o  culto  insuportável.  lembrou-se  das  vezes  em  que  recebeu  sermão  da  senhora  banks  após  profanar  a  igreja  com  seus  comentários  ácidos  e  cheios  de  rancor.  porém,  na  memória,  a  velha  não  parecia  tão  insana  como  agora.  quase  podia  se ver cochichar  no  ouvido  de  daphne  enquanto  dividiam  um  pedaço  de  bolo  de  chocolate,  a  língua  quase  sentiu  o  gosto  doce;  que  havia  se  tornado  amargo,  quase  podre.  victor  cruza  as  pernas  e  deixa  a  fumaça  de  cigarro  ir  com  o  vento  antes  de  afundar  o  que  restou  dentro  de  uma  xícara  de  chá  perfeitamente  cheia.  da  sua  xícara  com  café  preto  e  leite,  a  mesma  escolha  de  quando  era  criança,  mas  sem  guimba  de  cigarro,  ele  dá  um  pequeno  gole.  ‘  se  eu  fosse  você  não  beberia  isso.  ’  aconselha  quando  muse  se  senta  na  cadeira  ao  lado  e  tenta  beber  do  líquido  agora  estragado.
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outsidegarden · 6 months ago
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@holymad
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outsidegarden · 6 months ago
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Milo sentia-se cada vez mais aprisionado, como se a grama ao seu redor estivesse crescendo lentamente, enroscando-se em seu corpo como uma planta carnívora prestes a devorá-lo. Claro, ele sabia que isso era impossível, mas a sensação de estar preso não diminuía, por mais irracional que fosse. Talvez o verdadeiro problema fosse sua falta de coragem.
Ele queria sair dali, gritar com todos, reduzir Thornhill a cinzas — destruir metade e incendiar a outra. Mas, no fim, nem sequer conseguia se levantar da mesa. Restava-lhe apenas observar em silêncio, atento a tudo, mas principalmente a Cassandra, que estava por perto. Quando ela o levou para longe, ele simplesmente a acompanhou, sentindo no fundo do peito que algo estava errado com a amiga de anos.
Sem hesitar, envolveu-a nos braços, segurando seu corpo pequeno contra si, como se quisesse protegê-la do mundo. Com delicadeza, seus dedos deslizaram pelos cabelos dela, num gesto instintivo de conforto.
— Cas, acalme-se, por favor — pediu, a voz baixa e cheia de ternura. Ele a abraçava como fazia quando eram crianças, oferecendo toda a paciência e segurança que podia. — O que aconteceu, terak? Alguém te disse algo?
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Starter: com @outsidegarden Local: Jardim e pérgola Horário: 13:00
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Cassandra estava cansada daquilo. Das conversas superficiais, dos rostos amadurecidos que um dia foram a sua vida, do frio que se engrenhava por dentro de suas roupas e gelava seus ossos. Naquele instante, não queria ver mais nenhum deles ─ com a exceção de um. Enquanto os outros estavam distraídos, pegou Milo pelo braço e praticamente arrastou o amigo até a pérgola, onde imaginou que não mais seriam incomodados. Se sentindo muito sobrecarregada por toda a situação, o abraçou com força, escondendo o rosto em seu peito por um momento. Tudo era demais para si; aquele lugar não mais parecia seu lar ─ talvez nunca o tivesse sido. "Vamos embora", murmurou, a voz fraca. "Vamos fugir daqui. Não aguento nem um segundo a mais nesse lugar." Sentia como se a própria propriedade protestasse a seu pedido, como se a grama se enrolasse em seus sapatos ─ mas aquilo não poderia acontecer de verdade, poderia? "Se possível, eu volto até mesmo a pé para Londres. Só não quero mais ficar aqui."
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outsidegarden · 6 months ago
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Milo sentia-se aprisionado, sufocado pela presença de tantas pessoas ao seu redor. O pior era que já não sabia se o que lhe fazia tão mal eram as companhias ou o próprio lugar — o que, ironicamente, lhe arrancava um sorriso amargo. Quando criança, Thornhill parecia um paraíso repleto de segredos esperando para serem desvendados. Agora, era apenas um labirinto claustrofóbico de lembranças e desconforto. Já havia tomado chá, fingido comer, mas tudo lhe causava apenas azia e um peso incômodo no estômago.
O movimento repentino de Lydia o fez sobressaltar, mas ele agradeceu silenciosamente por não ter sido o primeiro a tomar aquela iniciativa. Assentindo à pergunta dela, limpou os lábios com o guardanapo, levantou-se e se despediu com a mesma cordialidade ensaiada de sempre — para, em seguida, segurar o braço da amiga e praticamente arrastá-la para fora dali.
Afastados da mesa, Milo finalmente inspirou fundo, sentindo um alívio quase palpável ao trocar o ambiente sufocante pela atmosfera aberta da floresta. Ele soltou um suspiro pesado, ainda segurando Lydia como se ela tivesse acabado de salvá-lo de um naufrágio.
— Obrigado! Se eu tivesse ficado ali por mais um minuto, acho que teria um passamento.
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COM: @outsidegarden ONDE: jardins QUANDO: por volta das 15:00
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quando criança, lydia sempre sonhou com os jardins verdejantes de thornhill, suas cores e fragrâncias. apesar de estarem há apenas alguns metros de distância, naquela época, presa à sua cama e à suas frequentes crises de asma, eles poderiam estar em outro país. quão engraçado que agora, com os jardins à sua disposição, tudo que ela mais queria era voltar à seu apartamento escuro e empoeirado. o problema não eram os jardins — na verdade, as mãos de lydia coçavam para pegar sua câmera e tirar algumas fotos, tentar capturar o fato que mesmo naquela mansão abandonada ainda havia vida, plantas e passarinhos e vermes. mas a sombra de thornhill era inescapável mesmo em um dia levemente ensolarado. "eu vou caminhar." ela declarou para a mesa, se levantando bruscamente e agarrando sua câmera, antes de olhar para milo. "vêm comigo?"
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outsidegarden · 6 months ago
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Milo soltou uma risada forçada, carregada de ironia, antes de lançar um olhar de esguelha para o outro. — Tem certeza de que fomos realmente convidados? Porque, pelo que me lembro, a Sra. Banks nunca fez isso. A menos que fantasmas tenham nos chamado, somos todos intrusos aqui. — Sempre foi assim. Pelo menos era essa a sensação que ele tinha toda vez que pisava naquela casa, cercado pelos outros.
— Por quê? Ainda pareço um empregado de Thornhill?
As palavras escaparam antes que pudesse segurá-las, o tom mais duro e afiado do que pretendia. Estar ali o afetava mais do que deveria. Depois de adulto, sempre se manteve cordial, mas aquela casa parecia arrancar o pior dele. Suspirou, balançando a cabeça em frustração.
— Estou um pouco cansado da viagem. Acho que deveria me retirar para descansar. — Com um leve meneio de cabeça em despedida, ele se afastou da biblioteca.
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— fim.
edmund notou a tensão na resposta de milo e o sorriso em seu rosto diminuiu sutilmente. nunca havia parado para pensar na biblioteca – ou na própria mansão – como um espaço onde alguém pudesse se sentir um impostor, mas, claro, a perspectiva dele era diferente. as realidades de ambos dentro de thornhill nunca foram as mesmas. “— quero dizer, você não foi convidado?” perguntou, sem qualquer tom de repreensão, com a intenção clara de fazê-lo sentir-se bem-vindo.
observou enquanto milo se movia entre as prateleiras, os dedos deslizando pelos títulos empoeirados com a naturalidade de alguém que conhecia bem aquele lugar. “— esse canto já foi minha zona de conforto.” comentou, com um traço de nostalgia, enquanto apontava para um espaço vazio entre os estandes atrás deles. em meio ao silêncio da biblioteca, ele costumava tirar cochilos ali.
quando percebeu que milo não o reconheceu de imediato, edmund soltou uma risada baixa. “— sim, aquele chato que vivia dando bronca em vocês.” confirmou, com leve humor. sempre foi bom com rostos, principalmente os dos que causavam confusão. e milo, apesar de sua fama de 'fujão', nunca foi um rosto fácil de esquecer. ele podia fingir que não, mas a paixão pela botânica sempre esteve lá – edmund lembrava bem das ocasiões em que os livros desapareciam de uma seção específica e, em uma ou outra vez, quando acordava de um cochilo, flagrava milo pegando um volume às escondidas – talvez fosse uma das poucas vezes em que ele decidia simplesmente deixar passar.
“— e então... ainda mora na cabana?” perguntou, estudando-o com um olhar atento, como se tentasse montar a linha do tempo entre o garoto que conheceu e o homem diante dele.
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outsidegarden · 6 months ago
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Onde: Jardim de Thornhill.
Quando: perto das 12h
Milo manteve sua melhor expressão de ator enquanto levava a xícara de chá aos lábios, saboreando o líquido quente na esperança de que isso lhe trouxesse alguma lucidez naquele lugar deplorável. Ir até sua antiga casa havia sido, sem dúvida, um dos piores erros desde que decidira voltar a Thornhill. Passou a noite inteira atormentado por pesadelos - preso naquele lugar, incapaz de sair, fadado a ser um mero jardineiro e empregado pelo resto da vida. Um verdadeiro pesadelo.
Foi arrancado de seus devaneios pelo som de passos se aproximando. Balançou a cabeça em um cumprimento discreto, abaixando a xícara antes de soltar, com ironia:
— Eu diria "bom dia", mas acho que nem a Srta. Banks está tendo um bom dia.
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outsidegarden · 7 months ago
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A paciência de Milo se esvaía a cada palavra que saía da boca de Victor. O médico conseguia ser cruel de um jeito quase cirúrgico – preciso, cortante, como se soubesse exatamente onde ferir para arrancar uma reação. E Milo odiava dar esse gosto a ele. Talvez fosse esse o motivo pelo qual Victor insistia tanto. Porque sabia que conseguia tirá-lo do sério. Eles passaram a infância brigando, disputando qualquer coisa, se provocando até um deles perder a paciência. Quando Victor foi embora de Thornhill, Milo acreditou – ingenuamente – que nunca mais teria que lidar com ele.
Como estava enganado.
Agora, de volta àquela casa, àquela cidade e, por alguma piada cósmica, ao lado dele de novo, Milo se perguntava em que momento de sua vida havia tomado a pior decisão de todas. Porque, em algum ponto, ele achou que transar com Victor era uma boa ideia? Idiota. Ele deveria ter previsto que, no dia seguinte, acordaria com a mesma vontade de socá-lo.
Milo suspirou pesadamente, tateando o interior das vestes simples até encontrar seu maço de cigarros. Avançou contra Victor, pressionando o maço contra o peito dele, as unhas curtas se cravando na camisa do loiro enquanto o encarava. — Agora você tem um maço de cigarros para fumar, Victor. Me deixe em paz. — A voz era baixa, mas carregada de exasperação e ameaça contida. Não fazia ideia se isso surtiria efeito, mas precisava tentar.
Sem esperar resposta, virou-se de costas e ignorou a presença dele, concentrando-se no motivo real de estar ali. A antiga cabana parecia congelada no tempo. O cheiro amadeirado, o rangido das tábuas, a poeira que se acumulava sobre os móveis… tudo parecia pertencer a uma versão distante de si mesmo. Ele caminhou até um dos balcões, tateando em busca de algo para iluminar melhor o ambiente. Seus dedos encontraram a lamparina que costumava estar ali anos atrás, e, com sorte, ela ainda funcionava. A chama dançou, e metade da casa se iluminou sob a luz bruxuleante. Milo seguiu até o corredor estreito. Apenas dois quartos. O dos pais e o dele. Ele girou a maçaneta e empurrou a porta, sentindo o ar parado do cômodo abraçá-lo como um velho conhecido.
Seu peito se apertou.
As paredes eram as mesmas, o cheiro levemente almiscarado, os móveis intactos – tudo parecia pertencer a um tempo que ele havia deixado para trás. No canto, sobre a escrivaninha, encontrou os cadernos antigos. Milo nunca fora grande apreciador de arte, mas, quando criança, adorava desenhar as plantas do jardim. Passava horas rabiscando flores, folhas, galhos retorcidos… Ele passou os dedos pela capa de um dos cadernos, sentindo a textura desgastada do couro sob a ponta dos dedos.
— Isso é nostálgico demais… – A voz saiu em um sussurro, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa.
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um  sorriso  pequeno  e  ardiloso  aparece  nos  lábios  quando  o  vê  se  assustar.  ‘  ninguém  nunca  te  ensinou  a  prestar  atenção  ao  seu  redor?  ’  retrucou.  se  aproxima  dele  como  um  predador  se  aproxima  da  sua  caça,  não  quebra  o  contato  visual.  algumas  coisas  nunca  mudam;  assim  como  antes,  ainda  adorava  tirá-lo  do  sério,  apesar  de  não  o  suportar.  o  médico  não  se  ofende  com  o  palavrão,  mas  arqueia  uma  das  sobrancelhas  quando  vê  o  cigarro  ser  tomado  da  mão.  ‘  eu  estava  fumando  isso.  ’  passou  uma  das  mãos  pelos  cabelos  loiros,  irritadiço.  o  seu  precioso  cigarro  agora  estava  no  chão,  morto  e  esmagado,  como  alguns  dos  cadáveres  que  já  havia  visto.  a  morte  do  cigarro  o  incomodou  mais.  sequer  gastou  energia  em  dar  de  ombros,  simplesmente  ignorou  a  gesticulação  de  milo  —  ele  sabia  muito  bem  que  não  conseguiria  enxotar  victor.  ‘  eu  estava  fazendo  algo  muito  útil  antes  de  você  acabar  com  o  meu  cigarro.  ’  também  não  queria  deitar  e  pegar  num  sono,  tão  pouco  conseguiria.  mas,  felizmente,  amanhã  todo  aquele  mistério  desnecessário  seria  revelado  e  ele  iria  embora.  ‘  obrigado,  agora  você  está  me  devendo  um  cigarro.    ’  obviamente  o  acompanhou,  a  curiosidade  e  a  vontade  crua  de  provocá-lo  falando  mais  alto.  ‘  que  espelunca.  ’  disse  quando  o  ambiente  passou  a  ficar  parcialmente  iluminado.  ‘  então  é  aqui  que  você  morava,  hm?  ’  sussurrou  próximo  a  ele.  ‘  aposto  que  deve  estar  morrendo  de  saudade.  ’
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outsidegarden · 7 months ago
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APO NATTAWIN as Khem in Man Suang (2023)
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outsidegarden · 7 months ago
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Milo nunca se considerou o homem mais corajoso do mundo, mas visitar sua antiga casa à noite não era um problema para ele. O problema era quando uma voz surgia do nada, no meio da escuridão. Seu corpo se encolheu no susto, girando nos calcanhares apenas para dar de cara com o dono da voz—alguém que, infelizmente, ele conhecia bem demais.
— Seu filho da p…! — praguejou, levando instintivamente a mão ao peito. Seu coração martelava sob a camisa de estilo tailandês que vestia. — Ninguém nunca te ensinou a não chegar assim nas pessoas, Victor?
Ele revirou os olhos ao ouvir a pergunta do outro, forçando-se a respirar fundo. Era sempre assim. De alguma maneira irritante, Victor e ele estavam fadados a se cruzar. Milo ainda conseguia lembrar da primeira vez que o viu, descendo do carro anos atrás, enquanto ele cuidava do jardim. Ou de como discutiam por tudo. Ou, pior, de como, por algum motivo inexplicável, todo lugar que ele ia, Victor também aparecia.
— Se eu consigo falar com um animal igual você, não vejo qual o problema. — Um sorriso forçado surgiu nos lábios de Milo enquanto ele roubava o cigarro da mão de Victor e dava uma longa tragada. Ele soltou a fumaça devagar, então jogou o cigarro no chão, esmagando-o com o pé. — Você não tem nada mais útil pra fazer? Finja que não me viu, vai. — Com um gesto preguiçoso da mão, como se estivesse enxotando o outro, Milo virou-se para a porta. Tirou do bolso a chave que roubara da cozinha antes de sair e a girou na fechadura, ouvindo o clique pesado da tranca enferrujada.
Empurrou a porta com o ombro e entrou na escuridão da cabana. Tateou a parede em busca do interruptor, torcendo para que pelo menos algumas lâmpadas ainda funcionassem. Depois de um estalo elétrico e algumas piscadas hesitantes, uma luz fraca iluminou o interior. Milo observou o cômodo, um arrepio percorrendo sua espinha. — Esse lugar não mudou nada…
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‘  espero  que  sim.  ’  aprendeu,  ainda  durante  a  infância,  a  ter  pés  leves  e  transitar  pelos  corredores  com  facilidade.  apesar  da  sensação  sombria  que  vinha  com  a  noite,  victor  muitas  vezes  conseguia  ser  encontrado  na  biblioteca,  principalmente  quando  os  sonhos  se  tornavam  excessivamente  perturbadores.  diferentemente  de  seu  ambiente  predileto,  tão  pouco  chegou  a  visitar  a  antiga  cabana  do  jardineiro.  gostava  de  deitar  no  gramado  do  jardim  e  se  deleitar  sobre  um  livro,  isso  quando  não  coincidia  de  encontrar  o  filho  do  jardineiro  trocando  palavras  com  uma  planta  qualquer;  escolhera  aquele  canto  para  não  ser  encontrado  por  ninguém.  o  reencontro  possuía  sabor  agridoce,  além  da  carta  misteriosa  que  despertou  uma  curiosidade  cruciante,  rever  certos  rostos  trouxe  à  tona  lembranças  indesejadas.  victor  saiu  das  sombras,  revelando-se,  obviamente,  com  um  cigarro  entre  os  dedos.  contudo,  sabia  que  milo  havia  reconhecido  a  voz  antes  mesmo  de  vê-lo.  ‘  talvez,  se  pedir  com  carinho,  ela  não  caia.  ’  bateu  com  o  polegar  no  cigarro,  fazendo  as  cinzas  caírem  no  chão.  ‘  como  se  já  não  bastasse  falar  com  objetos  inanimados,  agora  também  conversa  sozinho?  ’  
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outsidegarden · 7 months ago
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No you weren't. That's impossible.
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outsidegarden · 7 months ago
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— E qual o problema com Catalina? — Milo franziu o cenho, estranhando o comentário sobre a amiga. — Mas convenhamos, o nível de persuasão daquela mulher é tão grande que, se ela me dissesse que eu poderia gostar de mulheres, eu acreditaria. — Ele realmente pareceu refletir sobre a ideia por um instante, mas logo uma careta se formou em seu rosto. Mesmo que tentasse – e ele tinha tentado, algumas vezes – sabia que sua sexualidade não mudaria. — Meu fígado agradece a consideração.
Milo pensara muito antes de decidir voltar a Thornhill. E, mais uma vez, Catalina estava no centro dessa escolha. No fim, ele veio para acompanhá-la – e por isso agora estava ali.
— Sinto muito, Lyd, mas… sinto como se estivéssemos no velório de Thornhill. — Seus olhos vagaram pelo ambiente, um calafrio percorrendo por seu corpo. — Acho que estar de volta é mais assustador do que quando éramos crianças.
Ele se ajeitou no sofá, pegando uma almofada e apoiando-a sobre o colo, buscando conforto. Então, repousou o rosto sobre a mão e sorriu de maneira carinhosa para Lydia, uma tentativa silenciosa de acalmá-la. — Aos poucos, as coisas vão melhorar, minha querida. — Buscando a mão dela, apertou-a entre as suas, num gesto quente e sincero. — Você sabe que, se pudesse, tomaria toda a sua dor para mim. Odeio te ver com essa carinha.
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"sabe, passar o fim de semana bebendo não parece uma ideia tão ruim assim... mas não com a catalina." ela adicionou rapidamente, lembrando da interação que tivera com a mulher há alguns minutos. "mas se você insiste, acho que podemos nos contentar com chá e bolinhos. pelo seu fígado." lydia provavelmente também deveria se preocupar com coisas como a saúde de seus órgãos internos, mas depois de tantos anos de medicamentos, a ideia parecia um tanto risível.
"honestamente eu não sabia se viria até entrar no meu carro hoje de manhã. e eu não esperava ver todo mundo aqui... é tipo uma reunião de turma extremamente depressiva." brincou, forçando uma risada. a verdade é que saber que todos tinham recebido aquela maldita carta fazia o estômago de lydia se retorcer, como um presságio pairando entre todos eles, feito de tinta e papel.
ela caminhou até o sofá e se jogou nele, a postura perfeita instilada em seus músculos desde criança sumindo sob o cansaço do dia. a viagem não fora cansativa — lydia sempre gostou de dirigir, especialmente entre as colinas verdes de yorkshire. mas rever aquela casa, aquelas pessoas... tudo parecia um sonho. e não necessariamente um sonho agradavel. "eu também senti a sua falta. e bem... as coisas estão."
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outsidegarden · 7 months ago
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Onde: Cabana em Thornhill, antiga casa do jardineiro. Quando: perto das 21h Com quem? @maddctor
Assim que chegou em Thornhill, a primeira coisa que pensou foi sua antiga casa. Mesmo que agora seus pais vivessem no vilarejo próximo, o tailandês nasceu e cresceu naquele lugar, ainda tinha um apego afetivo gigantesco ao lugar. Então assim que se livrou de todas as formalidades que poderia ter que lidar, de maneira furtiva fugiu pelos fundos, indo em direção a cabana.
Era uma cabana antiga, já que pelo o que Milo se lembrava, havia sido criada a pelo menos dois séculos atrás. Os pais haviam saído dali quando Milo se formou na faculdade, então não tinha muitas esperanças sobre o estado dela, o que só se confirmou quando avisou o lugar. Ela ainda estava inteira e em pé, mas aconteceu o mesmo que na mansão: o tempo a deteriorou, parecendo apenas um lugar frágil.
— Se eu tentar entrar, isso vai cair na minha cabeça? — a pergunta retórica veio em voz alta, enquanto se aproximava da porta da cabana.
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outsidegarden · 7 months ago
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Milo estava entediado dentro daquela casa. Pode parecer absurdo, considerando que crescera em Thornhill, mas qualquer lugar do lado de fora parecia mais confortável do que ficar ali, dentro da mansão. Havia algo naquele lugar que parecia exercer um poder sobre ele—diferente daqueles que ouviam as vozes, Milo sentia-se... diferente. Como se, ao cruzar aquelas portas, se tornasse alguém que não era.
A melhor solução que encontrou foi tentar escapar, revisitar sua antiga casa. Parecia uma opção bem mais atraente do que permanecer ali. Tentou sair sem chamar atenção, mas não era mais a criança pequena e ágil de antes. Agora, era um homem alto, musculoso—e seus passos denunciavam sua presença.
O som de uma voz o fez parar. Endireitou a postura instintivamente, passando as mãos pelas roupas simples que usava para descansar, como se precisasse compor sua aparência antes de responder.
— Na verdade, sinto que muitas coisas mudaram… Mas o ar nostálgico ainda está aqui. Bom ver você, Pete.
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STARTER ABERTO LOCAL: sala de estar HORÁRIO: após o jantar, antes das 22:00
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Não era estranho para Peter carregar consigo por aí manuscritos. Podiam ser versões iniciais de seus próprios projetos, ou rascunhos de colegas que prezavam imensamente por sua opinião, antes mesmo até da publicação. Ficava lisonjeado, e muitas vezes tal elogio subia à cabeça, terminando em críticas mais pesadas do que o necessário. O que quer que estivesse lendo em seu colo, Peter mal prestava atenção, olhos fixados no aparelho de rádio desligado ao canto da sala. Somente pôde parar de encarar o objeto quando deixou de ouvir o familiar ruído (o rádio não estava desligado?), passando a ouvir passos se aproximando. "Estranho como nada mudou, não é? É como se a Senhora Fahey ainda estivesse em comando dos temperos."
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outsidegarden · 7 months ago
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Não há muito o que entender sobre a guerra quando se tem sete anos.
Mas Milo não era ingênuo. Ele podia não compreender todas as nuances do conflito, mas era inteligente o suficiente para perceber o nervosismo dos pais, o peso da tensão que pairava sobre a casa como uma nuvem carregada. O perigo se fazia presente de maneiras sutis e, ao mesmo tempo, inescapáveis — na forma como seu pai, o Sr. Suthipong, reagia a cada estrondo do lado de fora, puxando esposa e filho para debaixo da mesa sem hesitar; ou no tremor discreto de suas mãos, que se fechavam com força ao redor deles, como se o aperto fosse suficiente para protegê-los do que quer que estivesse à espreita lá fora.
Milo via tudo. Sentia tudo.
E isso o aterrorizava. Seu pai sempre fora seu porto seguro, o homem que nunca demonstrava medo, que sempre soube o que fazer. Se até ele tremia... então o que poderia ser mais assustador do que isso?
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Milo estava nos jardins, ajudando o pai a podar alguns arbustos, quando os carros começaram a chegar. O som dos motores interrompeu o ritmo tranquilo da manhã, e sua curiosidade foi imediata. Ele parou o que estava fazendo para observar as crianças que desciam dos veículos, uma a uma, tentando entender o que estava acontecendo.
Afinal, existiam tantos Thornhill assim no mundo? Como Lydia nunca havia mencionado aquilo?
— Pá, pá! — chamou, correndo até o pai, que cortava as folhas de uma árvore com paciência meticulosa. — Quem são todos esses? Eu não sabia que nong Lydia tinha tantos parentes.
Sem esperar resposta imediata, Milo agachou-se no chão, distraindo-se por um momento ao brincar com as folhas e pétalas espalhadas pela grama. Seus pequenos dedos traçavam padrões entre os galhos podados quando ouviu o som dos passos do pai descendo as escadas. O homem se aproximou em silêncio, agachando-se ao lado dele, acompanhando-o na brincadeira por alguns instantes antes de falar.
— Milo, quero que escute pá. — A voz do pai era gentil, mas carregava um peso que o menino não compreendia completamente. — Todas essas crianças vieram de longe. Estão aqui por causa da guerra, para se protegerem.
Milo franziu a testa, ainda distraído com a pétala de rosa em sua pequena mão. — Mas por que a guerra queria pegar elas?
O pai suspirou, os olhos cansados pousando sobre o filho.
— A guerra pega e destroi tudo o que está à sua frente, Milo. Não importa se são lék como você, grandes como pá ou velhos como sua yâa. — Ele fez uma pausa, garantindo que o filho estava ouvindo. Depois, inclinou-se ligeiramente, sua voz baixando para um tom ainda mais suave. — Quero que seja um bom menino para essas crianças. Elas sentem falta de casa, e isso as deixa tristes. Você pode fazer isso por mim?
Pela primeira vez desde o início da conversa, Milo levantou os olhos para o pai, piscando algumas vezes antes de assentir. Se esse era o desejo dele, não havia motivo para negar.
O mais velho observou o filho por um momento, um sorriso suave surgindo em seus lábios antes de levar a mão aos cabelos negros e lisos do menino, acariciando-os com carinho. Milo retribuiu o sorriso, pequeno, mas sincero, antes de voltar sua atenção para as folhas espalhadas no chão, retomando sua brincadeira como se, por um instante, o peso daquela conversa não existisse.
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Dicionário do Milo.
ป๊า (pá) – Forma carinhosa e informal de chamar o pai.
เล็ก (lék) – pequeno.
ย่า (yâa) – Avó paterna (mãe do pai).
น้อง (nóng) – usado para se referir a alguém mais jovem de forma amigável.
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outsidegarden · 7 months ago
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Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Milo enquanto ele passava um dos braços ao redor dos ombros de Cassandra, acariciando-os suavemente. Ela sempre lhe parecera tão pequena que, às vezes, tinha vontade de guardá-la como uma daquelas bailarinas delicadas de caixinhas de música - com todo o cuidado e carinho do mundo.
— Meu bem, você conviveu tempo demais comigo para ainda ser londrina. Oficialmente, é uma senhorita tailandesa. Será que devo lhe dar meu sobrenome? — provocou, brincalhão, bagunçando os cabelos dela apenas para irritá-la.
Observando-a, negou com a cabeça, como se achasse graça da teimosia dela.
— Eu nunca mentiria sobre a beleza de alguém. Você sabe muito bem que não sou esse tipo de homem. — disse, em tom leve, mas sincero. — Mas tudo bem, talvez Londres não fique tão bonita... Mas Thornhill, com certeza, sim. É quase como se o jardim de rosas estivesse florido novamente.
Porém, ao ouvir a pergunta dela, o sorriso de Milo esmoreceu. Seu olhar vagou pelo ambiente ao redor, como se esperasse ver algo escondido nas sombras. Ele sempre acreditou nas vozes que Cassandra dizia ouvir — no budismo, a morte não era um fim, apenas parte de um ciclo. Mas estar de volta àquele lugar lhe trazia uma sensação incômoda, uma constante impressão de estar sendo observado.
— Eu não faço ideia, Cas... Mas, infelizmente, algo bom não será. — murmurou, sombrio. Ainda assim, forçou um sorriso para tranquilizá-la... e, talvez, a si mesmo. — O que nos resta é esperar. Já estamos aqui, afinal.
Soltando um suspiro leve, afastou-se um pouco e estendeu a mão para ela, num convite. — Mas essa não deveria ser nossa preocupação agora. Que tal darmos uma volta por esses belos campos de espinhos?
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Um alívio sem precedentes invadiu o seu peito quando reconheceu a voz que se aproximava, um sorriso tomando conta de seu rosto. Graças a Deus ele estava ali, pensou consigo mesma, incapaz de imaginar como seria intolerável estar em Thornhill sem Milo. De todas as pessoas que conhecera naquela mansão, Milo havia sido quem se mantivera ao seu lado todos aqueles anos depois, e o único que sabia a total verdade do que havia acontecido consigo depois que a guerra havia acabado.
Encostou a cabeça no ombro dele, fechando os olhos por um momento e se deixando apreciar a companhia alheia por alguns segudons. "Eu também sou londrina, lembra?", comentou em tom humorado, mas sem nenhuma acidez por trás da brincadeira. "Mas entendo o que quer dizer. Não há muita solidariedade ou doçura em meus conterrâneos." Riu com o outro comentário do amigo e fez que não com a cabeça. "Eu genuinamente acredito que você é o único que pensa isso."
Se manteve em silêncio por mais alguns segundos, observando seu cigarro queimar entre os dedos. Sua voz, quando saiu de novo, era consideravelmente mais baixa. "Por que você acha que estamos aqui? O que Thornhill iria querer conosco depois de todos esses anos?"
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outsidegarden · 7 months ago
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I appoint Porsche, Nampheung's oldest son, my sister's son, to become the head of the minor family.
KINNPORSCHE: THE SERIES | episode 14 (2022)
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