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tocacultura-blog · 7 years ago
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         A Revolução de Abril de 1974 funcionou como um catalisador de vontades, de reivindicações e de manifestações e, nesse âmbito, foi favorável ao eclodir das primeiras manifestações punk em Portugal.
         Na cidade de Lisboa, existiam pequenos grupos de jovens relacionados com os lugares cimeiros da hierarquia social e artística, que mantinham contactos sistemáticos com as novidades internacionais. Foi junto desses grupos que surgiu a vontade de ser punk, pondo em causa a noção, comummente aceite, de que o movimento punk surgiu espontaneamente da raiva da classe operária contra o sistema.
          O punk partiu de uma conceção lentamente construída e desenvolvida por um grupo heterogéneo de radicais, de estudantes de artes, de músicos tanto da classe operária como da classe média e de jornalistas insatisfeitos com o que o rock se tinha tornado.
          Sendo um movimento demasiado complexo para ser entendido através de explicações unilaterais correspondentes às classes sociais num sentido tradicional, é importante relativizar a sua associação exclusiva à classe operária, assim como a uma filiação subcultural restrita, pois estas abordagens têm‑se revelado incapazes de dar conta da crescente complexidade do “dinamismo cultural de uma sociedade onde identidades individuais complexas estão sempre em transição e as afiliações coletivas são parciais, seletivas e temporárias”.
   Em Portugal, só após o fim da ditadura do Estado Novo e do longo período de censura que a ela esteve intimamente associado, é que os praticantes dos diversos domínios musicais puderam começar a expressar-se livremente. Neste novo clima de liberdade democrática e de livre expressão de ideias é natural que o punk, com a sua vincada componente social e interventiva, entrasse sem barreiras e ganhasse adeptos em Portugal. Alguns anos antes tal seria praticamente impensável, atendendo ao sucedido, por exemplo, com o agrupamento musical Quarteto 1111, praticante do género pop rock, que viu as suas obras censuradas e apreendidas devido ao seu conteúdo lírico.
Para além do Quarteto 1111, foram também vítimas de censura músicos de outros domínios musicais como os cantores e compositores José Afonso, Adriano de Correia de Oliveira, Sérgio Godinho ou José Mário Branco.
       Se, por um lado, a nível internacional, associam as bandas como os Ramones e os Sex Pistols ao início do movimento, por outro o punk é visto como algo que sempre existiu, seja enquanto atitude, seja – numa leitura em que se associa sempre, em certa medida, às raízes do rock ‘n’ roll a nível mundial – enquanto música praticada nas garagens a partir de um exercício de mimetismo dos discos que chegavam. Se é no dualismo entre EUA e Reino Unido e no “sincretismo cultural” que está a origem do punk, o punk português é assim marcado pelo clima de abertura e transformação do pós‑25 de Abril de 1974, e caracterizado por um mimetismo/uma reapropriação face às realidades norte‑americana e inglesa.
            A partir de finais dos anos 70, uma efervescência punk centrada na cidade de Lisboa, que resulta da crescente abertura da sociedade portuguesa ao mundo, embalada pela aceleração da globalização, pela constituição de um mercado juvenil, pela intensificação da urbanização, pela mobilização cosmopolita e o avanço tímido das indústrias culturais à escala portuguesa.
            Formaram‑se as primeiras bandas de punk rock em Portugal. Nessa altura, surgiram nomes como os Aqui d’El Rock (Lisboa), Crise (Sintra), Faíscas (Lisboa), Minas & Armadilhas (Lisboa), UHF (Almada), Xutos & Pontapés (Lisboa), Tilt (Porto) – bandas, na sua grande maioria, oriundas da Grande Lisboa.      
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             O nosso punk não teve origem numa só classe social. Dos pioneiros Aqui D’el Rock e Faíscas, os primeiros provinham da classe operária e os segundos, da classe média. Da mesma maneira, não se formou num só território: Olivais, Margem Sul, Linda-a-Velha (falando só da grande Lisboa), todos foram, à sua maneira, fundamentais para o nascimento do punk lusitano. No entanto, se formos forçados a nomear um epicentro do punk, teremos de apontar o dedo para o pequeno-burguês bairro de Alvalade. Foi neste bairro jovem, pejado de adolescentes, que cresceram João Ribas, João Pedro Almendra e João San Payo. Formaram-se quatro das nossas bandas punk mais emblemáticas: os Ku de Judas em 82, os Peste & Sida em 86, os Censurados em 88 e os Tara Perdida em 95.
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           As bandas punk foram também surgindo em vários locais do território nacional. Nos anos 1980, para além do Grande Porto (onde, durante a década de 1980, surgem nomes como Cães Vadios, Guru Paraplégico e os Iconoclastas ou os Os Cães, a Morte e o Desejo) e da Grande Lisboa (Kú de Judas, Grito Final, Condenação Pacífica, Peste & Sida, C.I.A.neto, Corrosão Caótica, entre outros), surgem igualmente noutros locais projetos também conhecidos do público: Aveiro (Cagalhões, Inkisição ou Mentes Podres); Coimbra (Extrema Unção, Objetos Perdidos, É Mas Foi‑se); Leiria (Alien Squad); Montijo (Jardim do Enforcado); Portalegre (Avô Varejeira); Viseu (Bastardos do Cardeal).
             Com a chegada dos anos 1990, a proliferação das bandas continua a estender‑se pelo território nacional, e ao punk rock juntar‑se‑ia um estilo musical que a partir de então viria a angariar bastantes seguidores – o hardcore. Durante esta década, surgem bandas, por exemplo nos Açores (Manifesto, Sangue ou Punk, Palha d’Aço), em Alcobaça (Us Forretas Ocultos), Aljustrel (D.P.E.), Castelo Branco (Crime Loucura, Mind Yard), Faro (Pointing Finger), Figueira da Foz (Deskarga Etílika), Penafiel (Fora de Serviço), Guarda (Caos Social, Konflito Social, F.D.P.), Ovar (Cabeça de Martelo, Um Trinco no Mamilo). Com o advento dos anos 2000, surgem bandas em Évora (I.A.C.), Fafe (Jesus Cristas), Madeira (Raiva!!!), Mirandela (Má Sorte), Moimenta da Beira (The Un‑x‑pected), Odemira (Abandalhados), Paredes (Veneno, Gregórios, Quebra‑Cabeças), Sabugal (Minoria Activa, Los K.O.Jones), Viana do Castelo (U.D.M., Fools Die, Mr. Miyagi), etc.
            A partir desta década, e sobretudo a partir da década de 2010, as sonoridades parecem experimentar cada vez mais o lado mais agressivo do punk, optando‑se por tocar um hardcore mais sombrio ou por outras sonoridades pouco usuais até então – crust, d‑beat.
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                              "A família, a igreja, a polícia e o estado são um quadrado - isto era o lema punk, mas antes do punk já era o meu.”, disse Zé Leonel em 2008 numa entrevista ao site Nova Guarda.
             Entre 1977 e 1978, Zé Pedro, Zé Leonel e Paulo Borges chamavam-se Delirium Tremens e quando fazem audição ao Kalú, mudam o nome para Xutos & Pontapés depois de Beijinhos & Parabéns não ter sido aprovado. Paulo Borges acaba por sair da banda e chega Tim para completar o quarteto inicial e no mês de Dezembro de 1978 têm o primeiro ensaio oficial na Senófila.
             Uma das primeiras bandas do punk português, os Faíscas deram o último concerto a 13 de janeiro de 1979, data em que se assinala o primeiro concerto dos Xutos. Foi nessa mesma noite, e na mesma sala - os Alunos de Apolo, em Lisboa - que o grupo deu o primeiro concerto: uns suados 10 minutos que ficaram para a história. "Foi algo que aconteceu, em 13 de Janeiro de 1979, a uma velocidade superior ao que a mente consegue processar", descreveu Zé Leonel ao Nova Guarda.
             Em 1982, editam o primeiro álbum: 1978-1982 e em 1983 Francis sai da banda que passa a atuar com músicos convidados, entre os quais o saxofonista Gui. No mesmo ano entra para a banda o guitarrista João Cabeleira.
             O primeiro álbum gravado por João Cabeleira em 1985 foi Cerco com as músicas "Barcos gregos" e "Homem do leme" que sairiam também em single.
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             A explosão mediática começou em 1987 com o álbum Circo de Feras e os seus grandes sucessos "Contentores", "Não sou o único" e "N'América". Continuou com o single "7º Single" e o seu estrondoso hit "A minha casinha".
             O álbum 88 foi um dos pontos mais altos da carreira dos Xutos e Pontapés com os mega êxitos "À Minha Maneira", "Para Ti Maria" e "Enquanto a noite cai", entre outros, dando início a uma das maiores turnés da banda que ficou retratada no álbum "Xutos - Ao vivo".~
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            Em 1990 o álbum Gritos mudos é mal recebido e o sucesso da banda sofre o seu primeiro revés, embora a música "Gritos mudos" seja também um grande sucesso.
           Nos anos seguintes a banda foi tendo bastante sucesso chegando a atuar para mais de 40 mil telespectadores no Estádio do Restelo, onde comemoraram os seus 30 anos de carreira.
           Em 2017 a banda perdeu o seu fundador e guitarrista Zé Pedro, com 61 vítima de doença hépatica.
            No próximo ano a banda já faz 40 anos de carreira, e continua a fazer grande sucesso e a ser bastante acarinhada pelo público português. Podemos dizer que os Xutos foram a banda que mais propagou a cultura punk em Portugal e ajudou-a ficar mais mainstream.
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                           Temos outra banda que também teve bastante sucesso em Portugal,  os Mata-Ratos. Estes sempre foram muito ambíguos no que toca à sua suposta associação com a extrema-direita. Se por um lado, os “skinheads” enchiam, de facto, os seus concertos, por outro lado, os punks esquerdistas também estavam lá, sendo inevitável o conflito tribal. Miguel Newton e os seus companheiros situavam-se no lado direito do espectro político o que gerava alguma polémica dentro da cena punk, e os Mata-Ratos geriram habilmente esta polémica em seu favor. Foram assim discípulos fiéis de Malcom McClaren, o génio do marketing que conseguiu dar uma imensa visibilidade mediática aos Sex Pistols aplicando com audácia o princípio de que “não existe má publicidade”. 
            Falar dos Mata-Ratos pelos maus motivos é, ainda assim, colocar estes na boca do mundo. A EMI também não é inocente e entrou no jogo, editando Rock Radioactivo, o primeiro disco dos Mata-Ratos: um álbum cheio de conteúdos socialmente incorrectos e asneiras hardcore, a ser editado por uma respeitável multinacional, só mesmo nos loucos anos 90. A estratégia funcionou: seis mil discos vendidos, quarto lugar no top nacional com singles como “A Minha Sogra é um Boi”, “Armando é um Comando” e “Xavier”. Considerações de marketing à parte, Rock Radioactivo é um grande disco que se tornou um clássico. 
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           De 1991 até à atualidade, o punk português esmoreceu no mainstream, mas não só há cada vez mais novas bandas punk como a própria malta da velha guarda continuou o seu caminho. San Payo mantém-se nos Peste, Almendra nos Punk Sinatra, e Ribas esteve muitos anos à frente dos Tara Perdida.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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         O punk nasceu como uma forma de expressão artística contra cultural e exerceu grandes influências no mundo da música. O estilo e o universo musical do Punk Rock talvez sejam uma das manifestações musicais mais carregadas de ideologias que já existiu. 
          O punk não tem filtro, é intenso e cru. É uma forma das pessoas levantarem-se contra a natureza opressiva e antiquada do mundo em que vivem. Este nunca se tornou totalmente num movimento mainstream, foi um conceito que quase instantaneamente conquistou os corações e mentes de um culto de seguidores leais. Tornou-se um santuário para as pessoas que eram mal interpretadas e para os marginalizados.
          É difícil ignorar o impacto que esse movimento teve no mundo em que vivemos. Os efeitos residuais e contínuos da Cultura Punk estão em toda parte - na política, música, moda, cinema, poesia ou nas artes plásticas. Na verdade, as empresas podem até aprender uma ou duas coisas sobre a criação de uma marca disruptiva a partir dos ícones punk do passado.
          Ainda que tenha perdido muita da sua força influente do passado, a ideologia e o estilo ainda persiste e resiste em comunidades que incorporam a luta ideológica pregada pela sua visão do mundo.
O INÍCIO
          O punk surgiu em 1974 nos Estados Unidos e começou como um movimento cultural. Foi utilizado como uma forma artística para as pessoas expressarem a sua angústia com criatividade.  A era do punk rock foi inspirada pela subcultura do Garage Rock. Depois de bandas de punk rock começarem a surgir em Nova York - como The New York Dolls e  Ramones - este género musical mudou-se para Londres e transformou as ruas com a ajuda de ícones como Vivienne Westwood .
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           A cultura punk foi apenas estabelecida como tal ao chegar na Inglaterra em meados dos anos 70, sendo absorvida e adotada pelo cenário musical que estabeleceu os fundamentos do estilo Punk através das suas músicas com pesado teor político que se relacionavam à realidade da população desempregada e à decadência económica da sociedade britânica na época.
          Estas bandas eram formadas por jovens da classe média que rejeitavam e criticavam a mentalidade e o estilo de vida da classe que faziam parte. A palavra “punk” é uma expressão da língua inglesa que é usada para classificar um indivíduo ou grupo urbano antisocial que se desviava dos padrões normativos de conduta da época, visto como a parte inútil de uma sociedade. A  cultura “punk” eram baseada no anti autoritarismo, na ideologia anárquica e no igualitarismo.
         Enquanto o rock and roll tradicional ainda criava estrelas do rock que distanciavam o público do músico, o punk rock rompeu este distanciamento trazendo o princípio da música bastante simplificada e ao incentivar outros adolescentes a criarem suas próprias bandas.
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  MODA PUNK
            A trajetória do movimento punk começou na cena underground de Nova York e rapidamente espalhou-se pelo mundo.No embalo da rebeldia contra o sistema político do período, este estilo chegou ao Reino Unido, sendo consagrado por bandas como Sex Pistols e The Clash, que pregavam ideais anarquistas opondo-se ao sistema estabelecido.  
           Tudo no visual punk antagonizava os padrões vigentes, numa inversão total de valores. Se os hippies usavam cabelos soltos e longos, os punks apostavam em cabelos curtos ou espetados e pintados de cores fluorescentes. Onde imperava o conforto, o orgânico e o natural, os punks traziam o sintético, o artificial, o pontiagudo. Às flores do flower power e ao smile (o ícone da carinha amarela sorridente), opunham-se tachas, correntes e giletes, abraçando a dor como forma de expressão.
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          A sensação de dormência era profunda e a sociedade inglesa valoriza de tal maneira o individualismo que só mesmo uma intervenção radical e, de certa forma, escandalosa seria capaz de abalar as estruturas, chamando a atenção das pessoas para retirá-las da zona de conforto em que se encontravam.
        Tudo começou com a estilista Vivienne Westwood e seu namorado Malcolm McLaren, agente do Sex Pistols. À frente da boutique SEX, o casal foi responsável pelo visual transgressor da banda, graças a sua visão vanguardista. Eles foram os primeiros a vender roupas de couro cheias de zíperes quando o movimento paz e amor dos hippies ainda era bem forte.  
Em 1972, a loja mudou de nome para Too Fast to Live, Too Young to Die e passou a vender criações de Vivienne como tshirts com imagens pornográficas e roupas de couro, de influência fetichista. Por ser muito ousada, a loja teve problemas com a justiça e mudou de nome novamente. Em 1975, passou a chamar-se SEX.
A loja era nova, autêntica, alternativa e vendia, além das peças criativas de Vivienne, artigos de sex shop, nada comum para a época. Malcolm McLaren, para divulgar a loja, inventa uma banda de rock: os Sex Pistols.
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                    Ao longo das últimas décadas, o punk foi absorvido e utilizado pelo mercado do luxo, na sua diluição ideológica e estética, sempre servindo para incorporar às coleções uma suave rebeldia, sem, no entanto, abalar os princípios do belo. Grandes estilistas e marcas como Versace, Dolce & Gabanna, Thierry Mugler, Yves Saint-Laurent, assim como marcas mais populares como a C&A, de tempos em tempos retiram do baú das referências o movimento punk, imprimindo jovialidade e rebeldia.
          Embora a moda e a maquilhagem punk possam ser uma maneira das pessoas se destacarem hoje em dia, antes era uma necessidade para os grupos que achavam que não podiam ser ouvidos sem fazer algo drástico. Esses punks originais abraçaram o extremo nas suas próprias marcas pessoais, porque eles estavam a lutar por algo importante, representando algo cru e real.
POLÍTICA
         A política é uma parte importante da cultura punk. Durante o surgimento do punk dos anos 70, o Reino Unido estava num momento de conflito aberto e de desconforto. Os líderes de greves comerciais começaram a ser enviados para a prisão, e os adolescentes estavam a iniciar guerras de rua uns contra os outros. Houve uma ascensão esmagadora contra a polícia, e as mulheres ainda lutavam por direitos iguais enquanto a classe trabalhadora lutava para terem as suas vozes ouvidas.
          Quando se trata do punk e da política, é fácil esquecer a raiva e a dor que fizeram o movimento punk ganhar vida em primeiro lugar. Para aqueles que nunca abraçaram verdadeiramente o movimento, o punk dos anos 70 era nada mais do que um adolescente irritado e frustrado. Embora isso faça parte da identidade desse movimento, um olhar mais atento às personagens mais importantes do punk ao longo dos anos revela uma coleção de minorias étnicas, radicais políticos e cidadãos negligenciados - os oprimidos e excluídos da sociedade.
           Desde a sua criação, o punk e a política andam de mãos dadas. O género posicionou-se com uma rejeição do idealismo político desde o primeiro dia - foi através dos Sex Pistols assumindo o Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth II, ou o Dead Kennedy declarando o governador como um porco fascista no seu primeiro single.
          À medida que os ícones punks e desordenados do dia começaram a envelhecer, e o punk evoluiu ao longo dos anos, ele dividiu-se em diferentes subgéneros com diferentes ideologias. Os punks hardcore permaneceram num canto, lutando contra as injustiças com raiva e violência, enquanto outros punks menos agressivos abraçaram o género pop punk para atingir um público mais amplo.
           Algumas das bandas mais famosas e que mais influenciaram a cultura punk foram os Ramones, seus pioneiros e líderes, que consolidaram a base deste estilo musical, com composições simples, minimalistas e repetitivas. Os Sex Pistols que foram considerados responsáveis por terem começado o movimento punk no Reino Unido e terem influenciado muitos músicos de punk rock e rock alternativo. Ainda que originalmente a banda tenha durado apenas dois anos e meio, lançando apenas quatro singles e um álbum de estúdio — Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols.
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         O punk com a sua política acolhedora também abriu espaço para as mulheres. Elas passaram a integrar e até liderar bandas – entre os nomes importantes estavam Patti Smith, Debbie Harry e as The Slits. Mas nem todos os adeptos eram tão inclusivos e nem todas as bandas femininas tinham discurso feminista.
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         A razão pela qual a cultura punk hoje ainda é uma força difusa, é porque os fundamentos do punk existem para que se consiga fazer algo diferente. Quando as pessoas se levantam contra o status quo, elas destacam-se e isso é algo difícil de esquecer. Numa altura em que a maioria das pessoas seguem todas o mesmo caminho, porque é a coisa menos arriscada a se fazer, a cultura punk diz “Não” e segue na direção oposta.
         No final do dia, o punk é muito mais do que um género musical ou um estilo de roupa.A influência do punk vai além de qualquer orientação pré-definida. Em vez disso, passou a representar uma gama de ideologias e conceitos culturais. Enquanto algumas pessoas claramente levam o punk para o lado errado e o usam como uma desculpa para sua ira e raiva, outros abraçam a esperança e a paixão do punk para direcioná-los para seus objetivos.
        É um modo de vida, mas de certa forma são conceções ao longo do percurso de vida de um indivíduo. Há pessoas que mudaram radicalmente com aquilo que foram e há pessoas que começaram a ver de uma forma mais analítica os mercados, os jogos de poder que existem. Também existem as pessoas que foram formatadas toda a vida para aceitar o sistema como ele é e com as mudanças que tem a nível da sua vida pessoal, medidas políticas e sociais que interferem na sua vida pessoal e não se revoltam, mas quem tenha passado pelo punk pelo menos esteve em contacto com uma cultura alternativa, com ideias alternativas, com inconformismo e com uma realidade política.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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              A relação entre a música e a política tem vindo a ser estudada por múltiplas áreas. No entanto, a maioria dos seus estudos concentram-se nas diferentes maneiras pelas quais a música tem sido usada, ao longo da história, para influenciar diretamente os resultados políticos, isto é, a participação política. Primeiro, os governos e partidos políticos usaram a música para conseguir o apoio popular, reforçando o sentimento de coesão social e/ou identidade naciona. Poucos estudos, no entanto, revisaram empiricamente o uso político da música em ambientes informais, conversacionais e públicos. As conversas quotidianas sobre política entre civis já são uma forma de participação política e estas conversas  informais acontecem em casa, no trabalho ou entre o público online.
           Podemos tomar como exemplo o grupo de punk rock feminista russo que se tornou conhecido por realizar, em Moscovo, flash mobs de provocação política, protestando contra o estatuto das mulheres na Rússia e contra a campanha do que era na altura primeiro-ministro, Vladimir Putin, que estaria a concorrer para a presidência da Rússia. Ao encenar performances punk de “hit and run” em espaços públicos e fazer o upload das gravações para o YouTube, o grupo protestou contra o governo russo e instituições de poder político e social usando letras explícitas e subversivas e as expressa na música punk, que é convencionalmente associada à rebelião e - muitas vezes - manifestam a política.
             Foi fundado por um grupo de várias jovens mulheres no verão de 2011, após o anúncio de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concorreria a um terceiro mandato presidencial. Vestindo roupas coloridas e balaclavas, os membros da banda realizaram várias apresentações públicas não autorizadas, que foram gravadas, editadas e depois distribuídas como videoclipes na Internet. Comprometida com a mudança sociopolítica na Rússia, Pussy Riot protesta contra o regime político autoritário e a confluência Igreja-Estado na Rússia e defende o feminismo, os direitos LGBTQ+ e civis e as liberdades políticas.
              Começaram a ganhar força depois de dois membros, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich - que pertenciam a outro coletivo de arte anarquista chamado Voina - tocarem uma música "Ubey seksista" ("Mata o Sexista") numa conferência sobre feministas punk. Nos meses seguintes, os Pussy Riot encenaram uma série de apresentações públicas. A primeira delas, em novembro de 2011, foi chamada de "Release the Cobblestones".
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                             Os media russos prestaram muita atenção às performances que se seguiram. Mais tarde, nesse mesmo ano, Pussy Riot apresentaram-se no topo de uma garagem ao lado do Centro de Detenção Nº 1 de Moscovo, que mantinha ativistas presos uma semana antes dos protestos em massa contra os resultados das recentes eleições da Duma. No início de 2012, estas ganharam mais notoriedade depois de dois membros serem presos por causa da sua performance de 'Putin Zassa' na Praça Vermelha de Moscovo, que significa "Putin mijou-se". O grupo soltou uma bomba de fumo, e Galkina e Schebleva foram mais tarde culpadas por quebrar as regras devido à realização de comícios e piquetes de greve. Ambas foram cobrados 500 rublos (cerca de 6,51 euros) cada.
             A sua próxima apresentação depois disso, 'A Punk Prayer', que atraiu ampla atenção internacional. Após a reeleição de Vladimir Putin em 2012, as acusações de fraude eleitoral e manipulação de votos foram generalizadas, e numerosas grandes manifestações - algumas envolvendo milhares de manifestantes - ocorreram em torno da Rússia antes e depois da polémica reeleição de Putin. A "A Punk Prayer" dos Pussy Riot rapidamente se tornou um dos protestos políticos mais conhecidos da época.
             Para esta performance, cinco mulheres disfarçaram-se com roupas de inverno e entraram na Catedral de Cristo, o Salvador da Igreja Ortodoxa Russa, em Moscovo. Puxando as balaclavas coloridas do grupo, saltaram à volta do altar da igreja, e colocaram-se de joelhos no chão imitando a oração. Utilizaram a melodia de "Ave Maria" em que a música incitava a Virgem Maria a livrar-se de Putin e a tornar-se feminista. A letra também destacava a estreita relação entre a igreja e o serviço de inteligência russo, o KGB, criticava as tradições antifeministas da igreja e usava o slogan “Sran Gospodnya” (tradução para “merda do Senhor”).
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             Três membros do grupo foram presos, acusados de vandalismo motivados por ódio religioso. Um membro, Samutsevich, foi libertado mais tarde em liberdade condicional, mas as sentenças de Alyokhina e Tolokonnikova foram confirmadas, e elas foram presas. Ambas pediram para serem presas perto de Moscovo, a fim de estar mais perto de sua família, mas em vez disso, elas foram enviadas para diferentes estabelecimentos prisionais a centenas de quilómetros de distância. Esta dura sentença atraiu críticas internacionais, como a da Amnistia Internacional que disse que eram “prisioneiras da consciência”.
               Mais recentemente o grupo esteve envolvido numa invasão de campo no jogo entre França e Croácia no final da copa do Mundo em Moscovo. Três mulheres e um homem conseguiram entrar e correr pelo campo, até serem contidos pela equipa de segurança e retirados do local. Chegaram a interagir com alguns jogadores durante o tempo que ficaram no campo — cerca de um minuto. Uma das manifestantes trocou um “high five” com o atacante francês Kylian Mbappé. Nas suas redes sociais declararam-se responsáveis pelo ato e explicaram o porquê deste mesmo que era conseguir uma aparição num dos eventos de maior audiência da TV mundial, com cerca de 1 bilhão de espectadores pelo planeta, que é um grande atrativo para quem deseja deixar uma mensagem de protesto. Um dos principais alvos das críticas dos Pussy Riot, Putin, estava presente no estádio.
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                              Para além das suas performances de protesto, fizeram também alguns espetáculos mais convencionais. Em 2014, após a sua libertação da prisão, Alyokhina e Tolokonnikova tocaram com Madonna (que apoiou vocalmente o coletivo) num concerto de conscientização da Amnistia Internacional em Brooklyn. 
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               Também tocaram em vários festivais de música, aparecendo no Glastonbury’s Park Stage em 2015, em cima de um camião militar. Este ano também estiveram em Portugal no festival Paredes de Coura que começou com uma lista de 25 “mandamentos”, de crítica social e política. Uma ode à liberdade, igualdade sexual, democracia e luta contra a pobreza, tendo-se seguido a entrada em palco de Nadya Tolokno, uma das fundadoras da banda Pussy Riot, debaixo de uma forte ovação do público.
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               Este grupo nunca lançou um álbum, mas a maioria das músicas deste grupo estão disponíveis gratuitamente para download, sob o nome "Ubey seksista ("Kill the sexist")". O coletivo também lançou "In Riot We Trust" - uma cassete de edição limitada contendo oito músicas - em 2017, e gravou a faixa "Straight Outta Vagina" para Adult Swim no ano anterior.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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COMO INFLUENCIA A MÚSICA NO USO DAS DROGAS?  
              As drogas e a música têm estado ligadas desde sempre. Do Jazz e da heroína nos anos 40 e 50, passando pelo Rock Psicadélico e pelo LSD nos anos 60, até ao ecstasy e ao House, à marijuana e ao Hip-Hop, o xanax ao Emo Rap e o Lean ao Trap.
A relação entre músicos e o abuso de substâncias não é uma algo chocante. De Berlioz, passando por Beethoven, Beatles, Kurt Cobain e Amy Winehouse, existe uma longa e trágica linhagem de artistas que sofreram e continuam a sofrer com o abuso de estimulantes. Muitas vezes é ligado à riqueza e às tensões da fama.
          Músicos de jazz da era do bebop, como Charlie Parker e Chet Baker, estavam constantemente a fazer espetáculos e ainda assim não tinham uma boa reputação devido ao seu uso de heroína.
          Charlie Parker foi um dos maiores músicos a encenar um palco. Seu implacável uso de drogas só parecia aguçar seu talento, fazendo música que parecia enviada do céu, assim como seu vício o levava pessoalmente às profundezas do inferno. Ele praticou bastante e logo tornou-se um dos ídolos mais proeminentes do jazz, estabelecendo uma colaboração contínua com o trompetista Dizzy Gillespie - ele mesmo um fumador regular de marijuana que desprezava drogas mais pesadas - que se tornou um dos grandes pares da história da música.
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             No final da década de 1940, surgiu o mito estranho e convincente de que a heroína poderia fazer com que tu também pudesses tocar como Charlie. A heroína começou a ter uma ligação muito forte a este género musical e começou a ser bastante usada nesta comunidade. Em Los Angeles, quando assobiavam as três primeiras notas do clássico de Parker, 'Parker's Mood', e quando se ouviam as três notas assobiadas de volta, já sabiam que estavam entre a sua própria comunidade e tornou-se o sinal de código entre os músicos que queriam comprar drogas.
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           Nos anos 60, junto ao movimento hippie, surge inicialmente nos Estados Unidos o rock psicadélico. Caracterizado por melodias e letras místicas, muitas vezes descrevendo visões e alucinações, solos prolongados de guitarra e o abuso de efeitos sonoros especiais, este novo estilo de rock está estreitamente ligado ao uso de drogas, tais como a marijuana, mescalina e sobretudo o LSD.
Nesta época em que a música psicadélica era a força motriz por trás da cultura da paz e do amor, a era "Flower Power" transportou o LSD para a contra cultura , ou seja, a droga passou a estar associada a um modo de vida e um conjunto de ideias que são completamente diferentes daquelas aceites pela maioria da sociedade.
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Vários outros tipos de drogas psicadélicas ganharam popularidade durante este período. Isso não só desenvolveu uma influência da droga psicadélica nos jovens, mas também deu origem a um género musical específico: rock psicadélico ou acid rock. O objetivo deste género musical era melhorar a experiência da pessoa sob efeito de drogas psicadélicas, tanto em som e letras.
O que não funcionou nos anos 50 já teve êxito na década seguinte. Em 1964, o distrito de Haight-Ashbury, na área da baía de São Francisco, era o ponto de encontro dos jovens que se opunham à cultura americana predominante e aos ideais mainstream. Os "hippies" queriam ser mais do que apenas uma engrenagem na grande máquina. O crescimento da cultura hippie foi associado a um aumento no uso de cannabis e drogas psicadélicos.
           Com o progresso dos anos 60, o LSD tornou-se mais disponível de acordo com uma pesquisa realizada em 1962. Naquela época, apenas 25 mil americanos já tinham experimentado LSD pelo menos uma vez. Quatro anos depois, esse número subiu para quase quatro milhões.
A Owsley 'Bear' Stanley surgiu como fabricante líder de LSD de alta qualidade. Manteve laços estreitos com a cena musical da época, com amigos e clientes, como Jim Morrison e Janis Joplin, e foi muito generoso nas infames festas psicadélicas (Acid Tests) de Ken Kesey em San Francisco. Nessas festas o LSD foi distribuído pelos festivaleiros misturado com limonada enquanto os Warlocks (que mais tarde mudaram o nome para The Grateful Dead) tocavam como banda de fundo.
            A 14 de janeiro de 1967, no festival de música Human Be-In ocorreu um protesto contra uma nova lei na Califórnia que proibia o LSD. Vários pioneiros da cena psicadélica uniram forças: Allen Ginsberg e Timothy Leary (que pronunciaram as lendárias palavras “Turn on, Tune in, Drop out”) e houve vários concertos como o de The Grateful Dead, Steve Miller Band, Jimi Hendrix e Jefferson Airplane. O festival tornou propicia a e presença do LSD em eventos de rock psicadélico.
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          Os 13th Floor Elevators foram os pioneiros da cena do Acid Rock no Texas. Seu álbum Psychedelic Sounds do 13th Floor Elevators (1966) foi o primeiro álbum psicadélico a ser lançado e este foi quase uma propaganda para o LSD.
             O final dos anos sessenta não significou o fim do rock psicadélico. Quase todas as bandas de rock posteriores são influenciadas pela música da época. Mesmo na música de hoje ainda podes ouvir influências da era do Flower Power, embora não mais tão centrada no LSD. 
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           O acid rock acabou por influenciar bastante no consumo de LSD por todo mundo, pois vários artistas mencionavam-na nas suas letras e o género musical era também bastante influenciado pela droga. Bandas como os Beatles chegaram a lançar uma música intitulada de “Lucy in the Sky with Diamonds”, que como podemos verificar forma a palavra LSD. Nesta música eles retratam o que sentiam quando estavam sob efeito da droga: “Picture yourself in a boat on a river / With tangerine trees and marmalade skies / Somebody calls you, you answer quite slowly / A girl with kaleidoscope eyes.”.
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                O MDMA e a música eletrónica também sempre estiveram muito ligados. O verdadeiro padrinho da droga chama-se Alexander "Sasha" Shulgin, um psicofarmacologista peculiar de Harvard que começou a sintetizar e auto-testar o MDMA no quintal de sua casa na Califórnia. Ele deu a MDMA um endosso científico e, alguns anos depois, começou a aparecer nas discotecas/bares gay de Dallas - as pessoas chamavam a droga de “Adam”. Isto foi no início dos anos 80, e os DJ’s estavam a começar a entender a capacidade que o sintetizador tinha de eletrificar o seu público.
A música e a droga viajaram rapidamente e em conjunto, através dos homens que trouxeram os primeiros casos de HIV em heterossexuais, quando o virus ainda só era conhecido por afetar apenas pessoas LGBTQ+. Estes aparentavam ser heterossexuais, mas iam às escondidas para os bares gay e depois traziam certos elementos de volta para suas vidas heteronormativas, e o MDMA era um desses elementos. A discoteca Chicago Warehouse foi uma peça central da cena MDMA da cidade, pois deu origem ao termo "house music".
               Em 1985, quando o governo classificou o MDMA como Substância Controlada da Tabela 1 - aqueles com alto potencial de abuso, não tinham direito a ajuda médica e corriam o risco de serem presos por 15 anos pela pose da droga -, “Adam” era Ecstasy, e tanto a música quanto a experiência do clube cresceram de maneira extravagante. A música, a iluminação e o ambiente estavam todos afinados para provocar e aumentar estados alterados de consciência. O ritmo da música era precisamente de 120 batimentos por minuto, igual à frequência cardíaca fetal e a mesma batida que os xamãs sul-americanos acreditavam que levariam suas tribos a um estado de transe. Os dançarinos rave procuraram atingir a consciência num nível que nunca tinham experimentado antes.
             Atualmente neste tipo de festas o uso de MDMA ainda é muito frequente e tem vindo a crescer ainda mais.
            O Hip Hop também esteve muito ligado à cannabis, sendo este assunto bastante falado em muitas músicas de vários rappers.
            As raízes africanas do Hip Hop foram forçosamente transplantadas em solo americano quando as pessoas africanas se tornaram comoditizadas durante o comércio de escravos. E a imigração de jamaicanos para Nova York teve um papel enorme no estilo lírico e no som musical presente no Hip Hop contemporâneo.
A cannabis foi bastante benéfica para os escravos na América do Sul e encontrou o seu caminho para a América do Norte quando os refugiados mexicanos que fugiam da Revolução Mexicana trouxeram-na com eles.
A xenofobia catalisou a legislação anti cannabis, por isso não é surpresa que hoje, as leis sobre a cannabis punam desproporcionalmente pessoas de cor, embora o uso da erva seja igual entre todas as raças. É por essas razões que a estigmatização do hip hop e da cannabis sempre carregou o distinto aroma de outra epidemia que assola o mundo: viés implícito (uma variedade de preconceitos automáticos e inconscientes em que um grupo é favorecido em relação a outro grupo. As pessoas podem ser prejudicadas e discriminar os outros, mesmo que não tenham conhecimento do seu preconceito.)
              O consumo da cannabis acabou por se tornar um negócio enorme no mundo do Hip Hop, no qual vários rappers acabam por investir nesta indústria arriscada para fazer ainda mais dinheiro para além do que fazem com a sua música.
Snoop Dog é um dos artistas de hip hop mais conhecidos por capitalizar este empreendimento. A sua linha de cannabis, Leafs by Snoop, oferece produtos de cannabis de alta qualidade embalados numa marca bonita e elegante que honra a sua devoção à fábrica como mais do que apenas uma maneira de ficar high, mas, como ele coloca no site da empresa, como uma "fonte comum de paz, amor e alma que conecta todos nós".
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O jogo de Wiz Khalifa também investido na indústria emergente e os seus empreendimentos fazem as afirmações poderosas de que o cannabusiness legal pode ser sofisticado e moderno, bem como lucrativo e sustentável.
              O consumo da droga sempre foi glorificado e popularizado pelos rappers. Por exemplo, nos anos 90, após o álbum de estreia de Cypress Hill, Black Sunday e o lançamento do álbum “The Chronic” de Dr. Dre, a popularidade das referências de marijuana no hip hop cresceu extremamente, chegando a 45% de todas as faixas de hip hop com referências a drogas. As referências a outras drogas, como Lean, Cocaína, Crack, Ecstasy e Molly, aumentaram constantemente ao longo dos anos 2000.
             Atualmente, os medicamentos prescritos são muito mainstream no hip hop, com muitos rappers como Lil Pump, Young Thug, Future e 2 Chainz referenciando-os nas suas músicas. Dos muitos medicamentos prescritos que são referenciados, parece que Xanax é o mais popular. Com muitos dos rappers de hoje fazendo referências constantes a Xanax e se gabando de quantos podem consumir num dia, a droga está sendo extremamente glorificada.
A referência de medicamentos prescritos no hip hop está a crescer lentamente desde o início dos anos 2000. E, com muitos rappers a tweetar, a filmar e a fazer músicas sobre drogas, isto acaba por influenciar facilmente os jovens adultos a colocarem as mãos nas drogas sobre as quais os artistas estão constantemente a falar, para ver o que há de tão impressionante nessas drogas.
             As drogas que sempre foram mais associadas ao Hip Hop eram o álcool, a erva e o crack, mas os tempos têm vindo a mudar e as gerações mais novas são cada vez mais depressivas o que tem provocado mudança em relação a um consumo de novas drogas e na formação de novos subgéneros.
            Mais recentemente surgiu o Emo Rap, um subgénero do hip hop que tem uma mistura com o género musical Emo. Uma geração que cresceu a ouvir sucessos do emo e pop punk na MTV, picos de doenças mentais e a epidemia do uso de opiáceos nos Estados Unidos, o emo rap nasceu e floresceu em suas letras sobre depressão e suicídio, abuso de drogas como Xanax e relacionamentos.
            Foi a partir de 2010 que o que é entendido hoje como emo rap começou a dar as caras. Dois nomes chave que explodiram dos confins da internet para o mundo são importantes aqui: o sueco Yung Lean, cujo selo Sad Boys Entertainment, e o californiano BONES, originalmente Th@ Kid, que em 2014, com o lançamento de Garbage, começou a incorporar elementos de emo, metal e indie rock nos seus sons.
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             O Xanax agora sustenta todo um subgénero do rap: às vezes intitulado de “SoundCloud rap”, já que muitos artistas deste género, colocam as suas músicas no serviço de streaming de música. É um subgénero caracterizado por uma produção crua e lo-fi e com referências constantes a depressão e analgésicos prescritos. Alguns dos rappers deste género mais conhecidos são Yung Lean, $uicideboy$, Lil Xan, Lil Peep que estava no centro dessa cena; também entrou no mainstream, com Lil Uzi Vert, cuja faixa XO Tour Life apresenta um casal discutindo suicídio.
            Lil Peep morreu em novembro de 2017, vítima de uma overdose de Fentanyl, Xanax e testou positivo para marijuana, cocaína e Tramadol. No dia da sua morte ele escreveu no Instagram: “When I die You’ll love me.”. Como todos os rappers deste género musical, Peep sofria de depressão e era bastante explicito e aberto nas suas músicas em relação à doença.
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Um dos aspetos mais assustadores da morte de Lil Peep é que os seus gritos de socorro foram tão públicos, e ainda assim ficaram sem resposta - talvez como resultado do efeito paradoxalmente distanciador dos medias sociais. Ele escreveu no Instagram horas antes de morrer: "Eu preciso de ajuda, mas não quando tenho os meus comprimidos, mas isso é temporário, um dia talvez eu não morra jovem e serei feliz?". Como estamos acostumados a ver o Instagram como performativo, não real, e sua vibe inerentemente aspiracional, afasta o tormento individual. O facto do Spotify ter feito uma playlist chamada de “Tear Drop”, vendendo de volta a dor real desses artistas, não ajuda.
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Este opiáceo muito forte causou uma epidemia de dependência que está a afetar os EUA e foi associada a pelo menos 60 mortes no Reino Unido nos últimos meses. A maior parte do Xanax que é vendido aos jovens é na realidade Fake Xanax, que é misturado com Fentanyl que é 50 vezes mais potente que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina. Foram estes Fake Xans que mataram Lil Peep e muitos outros jovens pelo mundo fora.
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              Existe um outro subgénero do hip hop que é o Trap, que cada vez faz mais sucesso. É um estilo de instrumental geralmente com um BPM (batidas por minuto) menor que o boom bap, possui um bumbo com um grave mais potente (808) e são usados samplers deixando mais evidentes sons de efeitos, sirenes e bateria. Produtores como Lex Lugger, DJ Khaled, entre outros têm-se destacado nesse estilo. Esta combinação causou rejeição inicialmente, mas isso rapidamente foi sendo deixado de lado.
O ritmo é bastante dançante, o que dá origem a uma série de sons basicamente instrumentais, com foco no desenvolvimento dessas características. Alguns dos artistas mais conhecidos deste subgénero são ASAP Rocky, ASAP Ferg, Playboi Carti,  Trippie Redd, Ugly God, Famous Dex, Smokepurpp, Ski Mask The Slump God, Lil Yatchy, Travis Scott, Chief Keef, entre muitos outros.
             Desde que este subgénero começou a ganhar mais popularidade que a droga associada a este também começou a ser bastante popular. Lean é a droga associada ao Trap e esta é uma droga recreativa que inclui uma prescrição. Consiste em xarope para a tosse utilizado de um modo inconsistente e misturado com um refrigerante carbonado.
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O xarope para a tosse com prescrição utilizada no Lean contém codeína e prometazina. Este é usado em doses muito mais altas do que o recomendado pelo médico, é tipicamente misturado com ingredientes como refrigerante Sprite , Mountain Dew ou Fanta de Uva e opcionalmente "um doce de fruta dura Jolly Rancher adicionado para dar mais doçura". O tom arroxeado do Lean vem de corantes do xarope para tosse. A quantidade de xarope usada pode ​​exceder 25 vezes a dose recomendada.
           Esta droga faz muito sucesso cá em Portugal, pois este subgénero também tem ganho muitos seguidores das gerações mais novas. Alguns dos artistas deste género que fazem mais sucesso cá em Portugal são Mike el Nite, Profjam e Yuzi.
              Em 2017, a glorificação do uso de drogas recreativas parecia estar em alta na comunidade musical. Muitos dos maiores sucessos do ano - “Gucci Gang” de Lil Pump, “XO Tour Llif3” de Lil Uzi Vert, “Magnolia” de Playboi Carti, “Mask Off” de Future, “Bad and Boujee” de Migos, “Rockstar” de Post Malone e “Goosebumps” de Travis Scott - todos contêm referências a medicamentos de alguma forma ou forma.
Mesmo que pareça que todas as músicas de glorificam as drogas, tem havido muitos exemplos de rappers que têm mostrado as enormes consequências do uso excessivo das drogas, como Joey Badass, Lil Uzi Vert, Lil Pump, Smokepurpp, Lil Xan, entre outros.
             A música sempre influenciou bastante o consumo de drogas, e estas mesmas sempre estiveram muito ligadas à música e sempre estarão, mas cabe aos artistas chamarem à atenção em relação aos graves danos que estas podem causar e cabe também à população informarem-se melhor antes de colocarem algo no seu corpo.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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       És capaz de pensar que só agora no século XXI é que os artistas começaram a falar abertamente sobre o amor entre pessoas do mesmo género e sobre identidade de género diferentes, mas estes assuntos já são abordados há mais de 100 anos.
         Foi no início dos anos 1900 que tudo começou nos bordéis de Nova Orleães com o pianista e cantor Tony Jackson que era homossexual e foi dos primeiros artistas a gravar uma música.
         Na década de 20 e início da década de 30, o final da Lei Seca deu lugar à “Pansy Craze”: performances drag nos cabarets que trouxeram a vida noturna gay para as massas e levaram sua estética ao mainstream musical.
JAZZ & BLUES
          A cultura queer tem sido incrivelmente prevalecente no Jazz e no Blues ao longo dos séculos XX e XXI. Quando pensamos nestes géneros musicais temos a tendência a imaginar homens robustos da classe trabalhadora com violões, mas originalmente estes dois géneros abrangiam uma gama muito mais ampla de expressões e sexualidades de género. Em 1920, já existiam alguns artistas queer e alguns deles eram assumidos já naquela época, como por exemplo, Ma Rainey e Gladys Jackson. Ambas usaram insinuações sexuais na sua música, às vezes aludindo às suas relações com as mulheres.
“Went out last night, had a great big fight
Everything seemed to go on wrong
I looked up, to my surprise
The gal I was with was gone.
Where she went, I don’t know
I mean to follow everywhere she goes;
Folks say I’m crooked.
I didn’t know where she took it
I want the whole world to know.”
-Excerto retirado de “Prove It On Me Blues” de Ma Rainey
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           Billy Tipton era outro artista queer que só depois da sua morte se soube que este era transsexual, mas nessa época ainda era um assunto que não era abordado e ainda era visto como algo anormal.
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GLAM ROCK
          Na década de 70 começou a surgir um novo género musical, conhecido por Glam Rock criado na Inglaterra, conhecido também como glitter rock. Nasceu no final dos anos 60 e ficou popular no início dos anos 70. Era principalmente um fenómeno inglês que foi difundido em meados de 1971 e 1973. Nos EUA, o Glam Rock
teve um menor impacto e foi apenas difundido por fãs de música nas cidades de Nova Iorque e Los Angeles.
Foi marcado pelas roupas e performances com muitas pestanas postiças, purpurinas, saltos altos, batons, lantejoulas e paetês (bordado coberto com lantejoulas). Naquela época reinava a androginia, o glamour e uma extrema energia sexual que era transmitida pelas agitadas músicas de Rock N' Roll.
          Temos artistas como David Bowie, Suzi Quatro e as bandas T.Rex e The Sweet que ajudaram a propagar este género pelo mundo.
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                   Este género musical desafiou os padrões sociais de orientação sexual e identidade de género. David Bowie com a sua beleza andrógina e visuais transgressores deixou o mundo em estado de choque. Ele tentou mudar a perceção da sociedade em relação a estes temas.
Nesta época, ele criou e encarnou o personagem Ziggy Stardust, um alienígena bissexual que também era uma estrela do rock de visual flamboyant.
Apesar de mais tarde ter dito que afinal não se identificava como bissexual, Bowie não deixou de ser um grande ícone LGBTQ+. Este deu muita visibilidade à comunidade, inspirou e fortaleceu muitos jovens que achavam que não se encaixavam no molde heterossexual ou nos binários convencionais de homens e mulheres. "Ao crescer, passei muito tempo a odiar-me miseravelmente e a sentir-me muito separado do meu corpo", disse Strangio, que é transsexual. "Foi até ter encontrado ícones queer na música, televisão e filmes que comecei a conseguir imaginar-me como uma pessoa inteira. Bowie era uma parte disso para mim."
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           Não foi apenas o Glam Rock que ajudou a comunidade LGBTQ+, pois também existiu uma contribuição de outros géneros musicais, como por exemplo, o Rock com a banda Queen que tinha como vocalista Freddie Mercury que trouxe a "queerness" aos olhos do público e desempenhou um papel importante ao ajudar o público a aceitar e respeitar as pessoas queer.
DANCE MUSIC
           A Dance Music é outro género musical que está bastante ligado à cultura queer. Tudo começou como uma cena alternativa, underground, composta principalmente de gays negros e latino-americanos, que não eram aceites pela sociedade mainstream nos anos 80. Quando começaram a aparecer os primeiros casos de HIV/SIDA, criou-se um estigma para esta comunidade e discotecas como a Paradise Garage realizaram algumas das primeiros angariações para a organização sem fins lucrativos Gay Men's Health Crisis.
          A maioria dos primeiros DJs, produtores e artistas pioneiros eram pessoas de cor, muitas das quais identificadas como LGBTQ+. Enquanto nos anos 90 as pessoas começaram lentamente a mudar as atitudes, ainda havia a sensação de que essas discotecas e a música - house ou techno music - criaram um espaço seguro. Um espaço onde tu podias ser quem realmente eras, podias vestir-te como querias, envolveres-te com quem querias e onde podias dançar livremente.
          Ao falar da Dance Music tinha que mencionar o duo britânico Pet Shop Boys que teve um papel muito importante para a comunidade e ainda continua a ter atualmente. A dupla teve algumas canções que retratavam alguns dos problemas da comunidade LGBTQ+ (apaixonar-se por homens, a crise do HIV/SIDA, etc.). Com o aparecimento do HIV, este duo fez uma música (It Couldn’t Happen Here) a falar da doença e a forma como esta afetava a comunidade. “Now it almost seems impossible,” canta Tennant, “I may be wrong, but I thought we said it couldn’t happen here.” Com estas linhas, a música capta a essência de uma época em que a improbabilidade de ter um futuro fazia com que as pessoas vivessem a vida no momento, que era a sua única opção. Ele detalha a mudança dos anos 70 hedonistas e livres para uma era de discriminação e morte.
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Com o passar dos anos, o duo fez mais músicas relacionadas com o HIV/SIDA, como a “Being Boring”, “Dreaming of the Queen”, que foi uma música direcionada à rainha Elizabeth II que não via a doença como um problema do governo, mas sim da comunidade gay. Por fim lançaram a música “The Survivors” onde falava sobre o passado e o futuro dos sobreviventes desta doença.
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POP
            A comunidade LGBTQ+ sempre foi bastante associada a este género musical, muito devido ao facto de as divas estarem associadas ao público queer. Artistas como a Diana Ross, Lady Gaga, Gloria Gaynor, Madonna, Indigo Girls, Cher, George Michael e Lilly Allen sempre foram pro-LGTQ+ e a maioria destes artistas fizeram músicas a falar sobre a comunidade, como por exemplo, Lady gaga com a “Born This Way” e Madonna com “Vogue”.
          Um dos maiores ícones LGBTQ+, particularmente das gerações mais velhas, é Madonna. É um ícone não só pela sua música, mas também pelas causas que sempre apoiou, como foi o caso na década de 80 com o aparecimento da epidemia do HIV, e por ter dado a conhecer a comunidade LGBTQ+ a um público ainda mais mainstream. Através da música “Vogue”, Madonna deu a conhecer a Ball culture, que é uma subcultura queer underground nos Estados Unidos na qual as pessoas competem por troféus e prémios em eventos conhecidos como Balls.
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         Lady Gaga é considerada também um dos maiores ícones da comunidade “Queer”, principalmente pelas gerações mais novas. Também sempre apoiou causas pro-LGBTQ+, e através da sua música conseguiu ajudar muitas pessoas por todo o Mundo.
HIP HOP
           O hip hop percorreu um longo caminho nos últimos anos. O género outrora conservador começou a evoluir para algo ainda mais inclusivo e acolhedor. A maioria dos rappers desviou-se do uso problemático e constante de insultos homofóbicos nas suas letras.
Atualmente, já não ouvimos com frequência a temida palavra f*ggot como costumávamos ouvir, ou, se o dizem, não significa que seja depreciativo, mas na verdade comemorativo e é dito por rappers gays emergentes, como Kevin Abstract.
            Ao longo dos anos têm surgido cada vez mais rappers LGBTQ+, temos como exemplo:
Frank Ocean: Cantor/rapper que nunca teve problema nenhum em falar sobre a sua sexualidade e fala sobre ela abertamente nas suas letras.
Taylor Bennet: Lançou este ano uma mixtape onde reflete sobre alguns dos momentos difíceis de sua juventude, família, fé, sexualidade e na masculinidade tóxica que existe na nossa sociedade.
Syd: É um ex-membro do coletivo de hip hop Odd Future, atuando agora como vocalista na banda The Internet. Em músicas como “Girl” e “Body” ela fala sobre as suas relações com mulheres.
Mykki Blanco: Fez uma tour com estrelas como Bjork, tem fãs como Flea e Grimes, e chegou a declarar "queer rap" um género musical. Como um artista queer HIV positivo, ele fala nas suas músicas sobre o seu diagnóstico, a vida como um rapper gay, e outros assuntos.
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        Temos também outros artistas que pertencem à comunidade como: Steve Lacy, Lil Peep, iLoveMakonnen, Young M.A, Broke Candy, Frank Ocean, Cakes da Killa e Janelle Monáe que não têm qualquer problema em falar sobre a sua sexualidade nas suas músicas.
        Tyler, The Creator e Kevin Abstract são dois nomes que surgem logo na cabeça das pessoas que estão mais por dentro deste género quando se fala em rappers LGBTQ+.
        Tyler lançou em 2011 o álbum “Goblin” que foi descrito como "um registo inequivocamente homofóbico". Nele, Tyler diz o insulto f *ggot pelo menos nove vezes.
No ano passado, Tyler lançou outro álbum intitulado “Flower Boy”. Simplesmente ao olhar para o título, os fãs podem supor que algum tipo de mudança ocorreu nos últimos anos para o rapper. Isso fica ainda mais evidente quando se começa a aprofundar em algumas das letras do álbum.
Há quem diga que ele mesmo pertence à comunidade, outros dizem que é apenas uma personagem para mostrar que não há nada de errado em gostar de alguém do mesmo sexo. Independentemente se ele é ou não queer, Tyler acaba por influenciar bastante a comunidade LGBTQ+, ao mostrar que não há nada de errado em ser queer, principalmente num género musical tão homofóbico e machista como o Hip Hop.
         Em 2016, surgiu também Kevin Abstract com o seu primeiro álbum, intitulado de “American Boyfriend” onde o rapper tem letras como: “My boyfriend saved me / My mother's homophobic / I'm stuck in the closet / I'm so claustrophobic”. Neste álbum Kevin fala sobre a dificuldade que foi assumir-se homossexual e ter que viver durante anos com este segredo.
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                 Kevin tem também uma boy band chamada “Brockhampton”, que cada vez mais se tem tornado conhecida no mundo do Hip Hop. Eles são a boy band mais inclusiva, progressista e mais alegremente livre que já existiu. Celebra a libertação cultural atual, onde o individualismo significa saberes que tens o direito a seres tu mesmo. Tudo começou com o Kevin e atualmente já são 14 membros de diferentes origens, raças e identidades.
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Em Brockhampton, Kevin Abstract tem alguns versos como: “I told my mama I was gay, why the f*ck she ain’t listen?”, “Why you always rap about being gay? Cause not enough ni**as rap and be gay. Where I come from, ni**as get called fa**ot and killed.”
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Esta boy band acaba por influenciar bastante a comunidade LGBTQ+, principalmente as gerações mais novas que ouvem este género musical e que até então não tinham alguém a ser tão direto e a ter orgulho em pertencer à comunidade. Não só atingem a comunidade queer como também acabam por chegar a muito público heterossexual, machista e homofóbico, que aprendem a respeitar e a ver a comunidade de uma outra forma.
            Outro artista icónico que ajudou a expandir o que significa ser um rapper de apoio LGBTQ+ na atual indústria do hip-hop é Symere Woods, também conhecido como Lil Uzi Vert. Embora não tenha sido confirmado se Lil Uzi realmente se identifica com a comunidade LGBTQ+, ele definitivamente desafiou as normas estereotipadas para a masculinidade. Lil Uzi tem vestido continuamente o que é considerado vestuário feminino, como blusas e bolsas cor-de-rosa. E outro rapper que tem feito o mesmo éYoung Thug, que também nunca teve problema nenhum em vestir roupas mais femininas.
NO BRASIL
         Atualmente a comunidade LGBTQ+ vive tempos difíceis neste país, com um candidato homofóbico, racista, misógino e pró-ditadura, que muito possivelmente irá ganhar as eleições presidenciais brasileiras. Apesar disto, temos cada vez mais artistas queer a fazer música e a serem verdadeiros com eles mesmos.
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                 Este ano surgiu um cypher gay (primeiro do Brasil e da América Latina), que consiste num grupo de rappers que se juntam numa música para falar sobre algum assunto. Foi no dia 16 de junho de 2018, que o Rap Box apresentou a “Quebrada Queer” com Murillo Zyess, Guigo, Harlley, Lucas Boombeat, Tchelo Gomez e Apuke. Eles contam como é ser homossexual de origem negra na periferia e trazem versos como "nois tá aqui por cada bicha com a vida interrompida, por causa de homofobia, ódio e intolerância, resistimos no dia a dia".
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               Temos também artistas como Johnny Hooker, que se identifica bastante com David Bowie, Madonna e Caetano Veloso, tendo mesmo uma música falando de Caetano. Jaloo, um cantor lúdico e criativo, que se declara uma pessoa não-binária (não se identifica exclusivamente homem ou mulher) e também o cantor Silva que também pertence e sempre apoiou a comunidade.
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          Artistas Drag Queen como Linn da Quebrada, Pabllo Vittar e Gloria Groove que têm sido uma mais valia à comunidade, principalmente Pabllo, pois tem colocado o nome das Drag Queens pelo mundo fora.
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EM PORTUGAL
                Em Portugal o maior ícone LGBTQ+ é António Variações, o inventor da pop portuguesa. António ainda é visto como um artista que estava muito à frente do seu tempo, e Portugal ainda não estava preparado para ele. No início dos anos 80, Portugal era um país ainda pouco habituado à liberdade e incapaz de compreender o verdadeiro significado da palavra "diferença". A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores ao seu precoce desaparecimento, com 39 anos.
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Através da sua forma de vestir e das suas performances, acabou por influenciar as pessoas a serem diferentes e a serem elas mesmas. Atualmente acaba por influenciar artistas como Conan Osíris e Filipe Sambado.
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                 Atualmente, continuamos a ter poucos artistas portugueses a abordar esta temática, também porque continua a ser um assunto tabu na música portuguesa, mas ainda existem artistas como Isaura, Surma, Moullinex, Conan Osíris, D'Alva e Filipe Sambado que defendem a comunidade e esta influencia também a sua música.
         Não são apenas estes os únicos artistas que contribuem para a comunidade LGBTQ+, artistas como Arca, FKA Twigs, Arcade Fire, Abra, Kelela, Woodkid, serpentwithfeet, Sophie, entre muitos outros, também têm dado o seu contributo.         A música sempre teve um papel muito importante na comunidade LBGTQ+, visto que através dela as pessoas identficam-se com as vivências de um artista e relacionam-se com as suas letras, provocando-lhes um sentimento de compreensão e companhia, além de as ajudar a entender melhor quem elas são, o que é ser queer e o que enfrenta a comunidade LGBTQ+ na sociedade atual.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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O QUE É?
       Já lhe chamaram de “underground londrino”,“música violenta" e também já foi alvo de estereótipos, como por exemplo,  “são apenas pessoas com um hoodie a tentar "cuspir" letras sobre droga e violência”. Também já lhe chamaram de rap britânico, e de que se tratava de um subgénero do hip hop, mas o grime é um género musical.
É importante salientar que o grime pode ser influenciado pelo Hip Hop, mas não é um subgénero do mesmo! E não só é influenciado por este mesmo, como também é influenciado pela música Garage, Jungle, Reggae, R&B e Jamaican soundsystem culture, e partilha as mesmas características com o Dubstep e o Bassline, sendo estes dois derivados do UK Garage. 
É caracterizado por usar batidas 2-Step ou Breakbeats a rondar os 140 bpm, Basslines semelhantes aos do Drum and Bass e Dubstep e vários tipos de sons eletrónicos. A nível de vocais, os MC’s geralmente utilizam versos de 8 compassos diferenciando-se dos 16 compassos utilizados no Hip Hop.
O COMEÇO
         Este género musical teve a sua origem no início do século 21, no Este de Londres. Surgiu como uma forma de expressão angustiada contra a opressão enfrentada diariamente por jovens britânicos, que eram na sua maioria negros. O facto dos artistas deste género serem expulsos da Garage scene e destas comunidades sofreram também com a gentrificação vinda do partido conservador, especialmente no tempo de Tony Blair, ajudou na criação deste género, tanto que o apoio do partido trabalhista vem desta comunidade.
        Começou a ser propagado nas estações de rádio piratas, pois nesta altura ainda não existia o Youtube e não havia a facilidade que agora temos de filmar um vídeo, mesmo que seja muito amador, e colocar na Internet. Também não havia plataformas como o Soundcloud, em que qualquer pessoa pode colocar as suas musicas online e estas conseguem chegar a qualquer lugar do mundo. As rádios mais comerciais também não passavam este tipo de género musical, visto como algo muito agressivo e underground.
        O anonimato da rádio pirata é algo muitas vezes romantizado pelos seus fãs: as músicas sobrenaturais tocadas uma vez, mas nunca de novo, e nunca lançadas. Isto fez com que os MC’s fossem forçados a evoluir cada vez mais estilos vocais distintos, improvisações, pronúncia e vozes para serem ouvidos acima do ruído.
Geralmente havia muitos MC’s dentro do estúdio pirata ao mesmo momento. Enquanto alguns de seus antecedentes da cultura dos bares/discotecas de UK confiam apenas num ou no máximo dois MC’s que proporcionavam um set de duas horas na rádio, num set de grime não é incomum ter cinco ou mais MC’s passando o microfone de um para o outro.
DO UNDERGROUND AO MAINSTREAM
        Wiley surgiu nas estações de rádio piratas ao som de instrumentais jungle em 1997 e criou os “Pay as U Go Cartel” anos mais tarde.
        Em 2001, os So Solid Crew lançaram as bases para a música Grime. Com o seu single de estreia “Oh, No”  abrindo as portas para a música grime (embora fosse tecnicamente classificado como música Garage). 
         Em 2002, Wiley, em seguida, cria Roll Deep Crew com Dizzee Rascal e a BBC lança também a casa da música urbana, BBC Radio 1Xtra, onde começam a passar este género musical e começa a chegar a mais pessoas. Neste mesmo ano, Wiley realiza o Eskimo Dance, o maior evento Grime de todos os tempos.
        Em 2003, Dizzee Rascal e Wiley deixam de trabalhar em conjunto, e Dizzee lança o álbum “Boys In The Corner” que ganhou o Prémio Mercury e é considerado um dos melhores álbuns deste género.
        Em 2004, Lethal B traz os melhores MC’s dos coletivos de toda a cena Grime juntos produzem o álbum Pow! (Forward Riddim), que alcança o 11º lugar na tabela oficial de singles.
        Em 2006, Jamal Edwards cria o SBTV, uma plataforma on-line que permite aos MC’s a liberdade artística de criar o que eles querem para sua base de fãs sem limitações de rótulos.
         Neste mesmo ano foi criado o Form 696 para combater a violência em eventos musicais, o que coloca um bloqueio nos eventos de grime e hip-hop e leva a grandes shows urbanos a serem cancelados. Isto atrasou a ascensão comercial e, lentamente, começa a desaparecer das charts e das rádios comerciais. 
O Form 696 era um documento de avaliação de risco que exigia que os promotores dos bares da cidade fornecessem detalhes dos eventos que planeavam receber, incluindo uma descrição do estilo de música que seria reproduzido e o público-alvo para o qual seria tocado, incluindo sua etnia. Isto atraiu críticas pesadas pelo seu tom racista, e foi visto como uma forma de discriminação perante o grime, rap e outros géneros negros do underground. Apesar das cláusulas de etnia e estilo musical terem sido removidas em 2008, ainda foi perseguido por acusações de preconceito racial, e foi banido completamente em novembro do ano passado pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan.
        Entre 2008 e 2017, o grime começou lentamente a ganhar cada vez mais exposição com MC’s como Wretch 32 vence a melhor atuação internacional na BET Awards 2012, Stormzy vence a categoria de melhor grime performance e vence o prémio de melhor performance internacional nos BET Awards 2015.
        O boom do grime deu-se quando Kanye West trouxe grime MC’s nos Brit Awards 2015, atuou ao lado de Boy Better Know em Camden e quando o Drake assinou na editora de Skepta, um dos maiores nomes do grime da atualidade, tendo este ganho em 2016 o Mercury Prize Award.
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A SUA INFLUÊNCIA
          Não podia falar deste género musical sem referir a moda Grime, que tem vindo a crescer, principalmente na Europa.
          A moda grime nasceu de uma frustração com o elitismo do estilo Garage, pois era uma cultura em que gastavas todo o dinheiro que ganhavas numa noite, e as tuas roupas tinham que ser sempre as melhores e as mais caras. Muitos bares/discotecas de Garage do Reino Unido no final dos anos 90 baniram os fatos de treino, jeans e bonés de basebol, e esses itens tornaram-se as principais peças.
          A partir desse momento, os MC’s e produtores de grime, começaram a sentir que a cena Garage já não os representava, então daí surgiu o Grime na moda. 
O estilo consiste apenas em fatos de treino, hoodie, sapatilhas air max e messenger bags. O objetivo era sentires-te confortável para andar com os teus amigos no bairro, a fazer beats no teu quarto e para conseguires estar o máximo confortável nos shows. A moda grime, embora fresca e limpa, é a aparência do homem urbano.
         Um dos principais artistas deste estilo é Skepta, que tem colocado o grime nas bocas do mundo, não só pela sua música, mas também pela sua forma de vestir. Também tem trabalhado nesta área da moda, sendo modelo e colaborador com marcas como a Nike.
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                    A Grime fashion tem vindo a aparecer cada vez mais na Europa, em alguns países mais do que noutros, como por exemplo, cá em Portugal já se tem visto a crescer aos poucos, mas noutros países como França, Austrália e a própria Grã Bretanha tem vindo a crescer bastante, também devido à cultura Grime estar mais presente na cultura desses países e também porque marcas como a Nike tem apostado neste estilo e em artistas como Skepta, como já referi anteriormente. 
           Mas podemos dizer que esta moda é mais visível nas gerações mais novas que estão cada vez mais dentro do estilo e música urbana. Mas existem grandes marcas conhecidas por toda a gente, como a H&M, que começou a produzir peças associadas a este estilo, o que faz com que muita gente que não conhece sequer a cultura Grime acabe por estar a entrar na cena sem saberem.
           O grime como género musical também tem vindo a influenciar outras culturas, e o número de MC’s fora de UK tem vindo a subir bastante. Já podemos ver MC’s de Toronto, República Checa, França e até mesmo no Japão onde artistas ���cospem” a 140bpm na sua própria língua. Isto deve-se ao facto de que não só em UK existem classes oprimidas e que o grime serve de uma forma de escape e voz, independentemente de qual seja a cultura.
          A Noisey tem ajudado também na propagação com documentários da cena grime de Blackpool a Toronto mostrando o quanto se tornou numa cultura internacional e graças aos canais do YouTube, como o Risky Roadz, o grime está a passar por um renascimento verdadeiramente mundial.
            Em Portugal tem vindo a crescer aos poucos, tendo já vindo cá Skepta por duas vezes, pela primeira vez no Nos Primavera Sound 2017 e pela segunda vez no Vodafone Paredes de Coura 2018. Stormzy também veio cá atuar no Super Bock Super Rock 2018 e Dizzee Rascal na Queima das Fitas do Porto 2018.
FIM DO GRIME?
          Há quem diga que o Grime está vivo culturalmente, pois Skepta continua a fazer sucesso no mundo da moda, tem sido capa de revistas como a British GQ e as suas músicas continuam a fazer sucesso. Stormzy também tem estado nas bocas do mundo, após ter criticado o governo de Theresa May: “Theresa May, where’s the money for Grenfell?” perguntou à primeira ministra e de seguida ainda criticou o governo: “just forgot about Grenfell, you criminals, and you got the cheek to call us savages, you should do some jail time, you should pay some damages, we should burn your house down and see if you can manage this.”.
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                  Musicalmente, o Grime está com problemas, pois como está a tornar-se cada vez mais mainstream, alguns MC’s e fãs dizem que os MC’s mais conhecidos só produzem músicas para as rádios comerciais e que a maioria destas novas músicas não têm a ligação às ruas e à comunidade. Dizem também que se isto não tomar outra rumo, o Grime vai começar a perder a sua essência.
         Isto acontece sempre que qualquer género musical underground fica mainstream, e as opiniões serão sempre diferentes, mas uma coisa é certa, o Grime nunca irá morrer, no máximo tornar-se-á novamente underground.
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tocacultura-blog · 7 years ago
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Sou o Diogo, tenho 21 anos e estou a terminar a licenciatura em Novas Tecnologias da Comunicação e pretendo especializar-me na área do Audiovisual. 
A música é uma das coisas pela qual mais me interesso, e na qual invisto muito tempo a pesquisar para estar a par de tudo o que se passa no mundo musical. Sempre achei interessante como a música consegue influenciar a nossa cultura, por isso criei este blog com o objetivo de dar a conhecer alguns dos géneros musicais que mais gosto, os seus subgéneros e os artistas que têm vindo a surgir desses mesmos. Quero também analisar e mostrar como estes géneros e artistas têm vindo ou podem vir influenciar a nossa cultura, e também as novas culturas que estes originam. 
Irei postar quinzenalmente, sendo que poderás ver o primeiro artigo brevemente, por isso segue o blog e fica atento às minhas redes sociais.
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