a vida é algo muito curioso, estou apenas buscando entendê-la
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A morte
Eu chorei ao acordar na cama do hospital, na sala de emergência. Lembranças cruéis me retornavam a noite anterior, antes de algo que me fizesse dormir ser injetado no acesso que cobria meu antebraço. As piores sensações haviam sido gravadas na minha mente, por todos os sentidos. Tato, olfato, paladar, visão, audição… Gravados na memória como um filme de horrores.
Eu lembrava o gosto do meu vômito, a textura da sonda que ia do nariz ao estômago, lembrava do barulho do computador que media minha frequência cardíaca, as conversas das enfermeiras, a cor da roupa da médica que eu tinha esperanças que viria e me tiraria dali, me deixaria ir para casa onde eu pertencia. Eu nunca tive tantas falsas esperanças.
Lembro de fechar os olhos para dormir, e quando acordar ver minha mãe ao meu lado. Depois desejei que toda vez que fechasse os olhos ela aparecesse ali. Um rosto familiar, um porto seguro em meio a incerteza sobre viver ou morrer. Mas ela não apareceu, nenhuma vez. Apenas como uma visão embaçada pelas minhas lágrimas ao sair da emergência, na cadeira de rodas.
Eu tinha vergonha de ter acabado ali. Vergonha de até onde minha tristeza me levou e até onde eu estava disposta a ir. Eu queria chorar e pedir perdão aos meus pais e ao meu namorado, mas eles apenas fingiriam aceitar. Algo assim não tem perdão. E por mais que doesse em mim, eles talvez estivessem certos em priorizar a perda, a falta, a culpa acusatória. Com dificuldade de separar o que fiz de quem sou, sem pensar que talvez eu não quisesse isso lá no fundo, talvez eu tenha perdido o controle.
É engraçado como mesmo quebrado pela situação, meu namorado conseguiu passar a noite comigo no hospital, fazer o tempo passar mais rápido e me animar com jogos de cartas, alimentos escondidos na mochila e muito amor. Um amor do qual eu precisava imensamente. Vê-lo dormir desconfortavelmente naquela poltrona ao meu lado, segurando minha mão e cuidando de mim, me fez pensar em como tudo realmente poderia ter acabado. Pensei em como o perderia e segurei o choro antes de dormir. Toda vez que olho no fundo dos olhos castanhos do meu garoto, eu penso no que perderia caso realmente tivesse morrido, então choro como um bebê. A verdade é que eu não quero morrer se puder viver ao lado dele. Ainda assim eu quis morrer naquele instante, e ele quase bastou.
Apenas algumas horas a mais, e não poderiam tirar o lítio do meu estômago. Horas, minutos, e eu estaria morta. Ás vezes penso nisso… Como seria morrer, no que eu perderia, do que me livraria, o que deixaria para trás. Penso na morte como um ser abstrato, que se torna real aos seus olhos quanto mais você flerta com ele. Aos poucos ela se torna uma verdade tão crua, que você finalmente a aceita e então não tem volta. Você flertou com a morte por anos, meses, décadas, não importa, agora você a quer. A partir do momento que você a quer, já está praticamente morto.
Ainda assim, ironicamente, eu renasci, na cama do hospital, em lágrimas. A morte me traiu, ela queria me levar para longe daqueles que amo. Num ato de impulso agarrei o ser mais traisoeiro, ele flerta com você para possuir sua alma, e deixar seu corpo morto em uma cova qualquer… Ela se aproveitou de mim, a morte, mas ainda assim não conseguiu me levar. Não importa o que aconteça, ela não vai me levar.

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Você é a cura para a morte da minha alma
Eu cortei meu cabelo, e agora é a única coisa que gosto em mim. As listras vermelhas em meu corpo são mais como anomalias, e eu não passo de uma aberração. Tente citar minhas inseguranças mais uma vez com tanta inocência, e me veja desmoronar como ontem. Não, eu não estou fisicamente machucada, temo no entanto que as feridas psicológicas estejam se materializando em faixas vermelhas e volume. Como podes amar um ser tão desprezível?
Eu morreria, se isso não nos afastasse, pois eu esqueço coisas ruins quando estou ao seu lado. Na verdade, é por isso que penso em você o tempo todo, e quando não penso meu olhos ficam opacos e eu calo a boca como um morto. Calo-me para ouvir as vozes sombrias que condenam minha existência. Elas não dizem palavras, apenas gritam sem parar, mas de alguma forma eu as entendo. Sem nem perceber, tomo cada grito como verdades da minha alma e quando menos percebo, estou morta por dentro de novo, apenas para que você tente reviver-me.
Eu não ligo de estar morta. Apenas ligo de te fazer sofrer, e sei que faço. Eu sei muito bem como minha alma morta te fere, por isso me agarro a ti e tento ser feliz, pelo menos com você. Na verdade, eu sou muito feliz com você, mesmo sendo uma pessoa triste. Me pergunto muito como seriam as coisas sem você… Esse pensamento me assusta. Espero nunca ter o azar de viver nessas circunstâncias. Você é a cura para a morte da minha alma.

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Quando você acredita ser um demônio, você se torna um
Eu me sinto um monstro perverso e sombrio. Eu deixo com que digam que sou horrível, e eu acredito. Mas simples como me condenam, é como me amam. Eu não consigo entender a profundidade desses sentimentos confusos… Eu sou linda e perfeita, assim como sou doente e maluca, mas alguns diriam que a beleza das mulheres está na loucura. Mulheres doces, de noite se tornam os pesadelos daqueles que conquistam. É a beleza da feminilidade que todos cobiçam.
Talvez eu seja mesmo horrível… Quero dizer, talvez minha violência e os meus dramas e as brigas que começo sejam realmente as razões pelas quais eu me machuco. Eu não posso esperar que passem a mão na minha cabeça quando eu estou sendo de fato uma maluca fodida do caralho. Mas eu também sei ser doce, eu sei ser amável, eu sei como conseguir o que quero, meu problema, assim como o de toda garota mimada, é como fico quando não consigo.
Toda vez que ele me chama de amor eu me sinto nas nuvens, eu realmente sinto. Quando andamos de moto pelas ruas, com minhas mãos ao redor de sua cintura e as carícias na minha perna… Eu me sinto uma garotinha, e de repente minha raiva vai embora. Não é como se eu tivesse raiva dele, eu tenho raiva do mundo e nem sempre lembro que esse garoto que me conquistou é diferente do resto das pessoas. Eu me acostumei em tê-lo comigo, e agora os surtos tornaram-se muito habituais. Talvez ele desista de mim, agora que sabe como sou de verdade. Ele diz que não, e que tem esperança em mim, mas eu simplesmente não acredito.
Acho que quando você acredita ser um demônio, você passa a se comportar mais como um. Tudo que eu vejo em mim é ruim. Eu simplesmente não consigo ser a garota doce e amável o tempo todo. Eu sei que sou um monstro. Minha raiva e minha negatividade são como doenças contagiosas. Eu parei de me machucar com lâminas afiadas já fazem 5 meses, mas meu senso de destruição começou a descontar tudo naqueles que mais amo. Não deveriam ser eles a se ferirem nas minhas garras, deveria ser eu, sempre fui eu.
Ninguém o ama como eu o amo, e ninguém me odeia como eu odeio. É óbvio que eu não sou estável o suficiente para essa relação. Ele diz que me ama e eu dependo disso agora. Brigamos e ele diz que sou horrível, então ele finalmente está dizendo algo que faz sentido. Dói, mas eu sempre fui viciada em dor.

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Eu queria poder sonhar...
Hoje me perguntei se eu sequer vou entrar em uma universidade algum dia, o que é engraçado, porque eu tenho 17 anos, e essa é minha primeira tentativa. Eu poderia fazer tantas coisas, eu poderia escrever livros de poesia, vender minha arte nas mídias sociais (o mercado atual), eu poderia me desprender de todas as minhas raízes e fugir para bem, bem longe. Mas escolhi prender-me aqui, e lutar por um futuro mais realista.
Sendo realista, de verdade, eu sei que minhas opções limitam-se a universidade particular, nas dívidas da minha futura fase adulta e formada, e na cidade pequena onde nasci, cresci, e nunca deixei. Eu não conheço nada diferente daqui. Meus pais não esperam grandes coisas de mim, além de um diploma, e parece que todo mundo aceitou o fato de que morrerei onde fui concebida. Bom, todo mundo menos meu namorado.
Acho que as coisas ficam mais suportáveis ao encontrar alguém que acredita em você, que quer ser sua força e que se permite sonhar e dividir fardos e responsabilidades. Eu não conseguiria estar onde estou sem isso. Como eu disse, ninguém mais me vê em grandes coisas. Nenhuma das notas excelentes no meu boletim, nenhum dos elogios de terceiros, ou da conquista da bolsa de iniciação científica foram suficientes para que eu fosse capaz de alcançar grandes coisas. Eu serei sempre destinada a um sofrimento rotineiro do qual eles passaram, pois nunca me verão em algo diferente.
Me disseram que isso é uma mentalidade fraca, que precisamos acreditar nas coisas e lutar por elas, mas é tão difícil quando seus sonhos já foram esmagados desde a infância. Eu cresci rápido, parei de sonhar cedo demais, e agora eu sou uma pessoa negativa e amargurada. Bom, obrigada por isso, mãe. A lista de cicatrizes que você deixa em mim cresce a cada dia.
Talvez eu não entre na universidade agora, talvez eu financie minha faculdade, talvez eu consiga um desconto, talvez eu me surpreenda com uma bolsa. Eu queria poder sonhar como fiz muitas poucas vezes a muito tempo… Apagaram a minha luz, com medo.

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Corrida contra o tempo
A vida, ela é uma corrida contra o tempo, não é? Eu sempre me perdi nele, no tempo. As horas sempre foram longas demais. Os minutos sempre foram confusos. Ao contar os segundos eu nunca encontrava o ritmo certo, rápido demais, lento demais, mas nunca preciso. A vida é uma corrida contra o tempo.
Agora, eu tento descobrir, com certo receio, se vou conseguir fazer tudo o que preciso no tempo que tenho. Serão meus sonhos concretizados antes que eu me perca no mundo? Eu tenho pressa, pois tenho medo. Tenho medo de nunca fazer o que quero fazer. Eu tenho medo do tempo me levar com ele como o vento leva as nuvens no céu… No fim elas só caem em algum lugar. Esse é o fim.
Eu quase passo mal de tanto anseio. Eu quero comer rápido, quero terminar minhas tarefas rápido, quero assistir uma série toda de uma vez, quero ser quem leva o tempo. Eu quero que o tempo se perca em mim. Um desejo audacioso, ambicioso, perigoso… O tempo não se perde em ninguém. Ele é o maior deus deste mundo. Mas eu quero que ele se perca em mim. Como as nuvens no céu, quero levá-lo até o seu limite final, quando ele cair.
Com isso, um mundo sem tempo, como seria? Provavelmente nada. Talvez o tempo pudesse ser como em um buraco negro… Tão lento, que é quase inexistente. Talvez assim coubesse nele todos os sonhos. Todos os desejos e anseios nervosos se tornariam calmos… Talvez a corrida pudesse ser uma caminhada pacífica, onde as nuvens que caem continuam sua história ao navegar pelos oceanos, sabendo, sem ansiedade, que voltaram ao céu um dia. Afinal, elas teriam todo o tempo do mundo.

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A voz do amor: vozes sombrias e cruéis
Meus amados às vezes são como as vozes no interior da minha mente, as mais sombrias e cruéis. Eles dizem coisas que eu evitava pensar, numa tentativa falha de permanecer com a maquiagem intacta, o rosto seco e aveludado antes de se tornar gosmento e vermelho. Eu tento esquecer, então eles dizem. Eles são cruéis quando me amam. Eu temo ser assim também. Temo ser cruel com eles, pois foi a única forma de amor que aprendi.
Eu chorava na beirada da cama… Nenhum motivo especial, eu estava apenas triste por ser como sou, pelo formato que era torturada a ver. Eu sei que precisava de um maldito abraço ou algo assim, mas teve a pancada na porta, e o soco. Ele estava bravo comigo mais uma vez. Percebi que não posso precisar de abraços, não posso errar ou decepcionar. Se não, ficarão bravos. As brigas não são nada perto do que serão um dia, se continuarem bravos.
Talvez seja meu papel como filha, como mulher… guardar a crueldade para mim. Talvez o problema em cada palavra que mancha meu rosto esteja em quem elas se referem. Eu não consigo aceitar a doce e triste dor das minhas imperfeições. Eu queria ser amada. Mas o amor é cruel, não é? Ele crava nosso peito como uma estaca, e a cor desse sentimento agridoce é o vermelho por uma razão. Eu sei disso agora.
Eu nunca consigo ser cruel como eles. Eu tento, mas a voz deles é mais grossa, eles são mais fortes, eles são tudo o que eu mais amo. Eu sempre acabo chorando na beirada da cama ou algo assim. No final, eles são perfeitos, e eu não. Não importa o quanto eu queira insultar, atacar e implorar por uma mudança. Minha voz nunca é como a deles. Eu não mereço ser ouvida, sou só uma garotinha.
É por eles que eu estou em um mar de amor. O meu próprio. Escorrendo diretamente do meu corpo e me afogando, pois eu não sei nadar em mares tão rígidos. Amar demais é um fardo para mim, e eu não sou o suficiente para sustentar esse amor, não é? Eu sou fraca e estúpida demais, e agora eu vou morrer por isso. Eu vou morrer pelos meus amados, como eu sempre quis.

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Camisa de força
Hoje chove. O dia tem gosto de café preto, cheiro de fumaça e parece noite em plenas 15 horas. Sinto vontade de cantar e dançar até meus pés voltarem a serem cascudos e fortes como costumavam ser, quando girava descalça no piso de madeira da escola de dança.
Às vezes me questiono se ainda sei dançar, se ainda sei sentir em movimentos. Os meses passaram e meu corpo nunca mais se moveu da mesma forma. Como se eu estivesse em uma camisa de força, mas sem tentar libertar-me.
Eu aceitei minha prisão, condenada a transcrever apenas pensamentos na arte da escrita, enquanto o que eu sinto irracionalmente fica preso dentro dessa camisa de força apertada. Me imagino dançando, sinto os movimentos navegarem meu corpo como fantasmas, mas não me movo. Estou presa.
Sabe… nem sempre quero transformar as coisas em palavras. Nem sempre quero pensar nas coisas. Pensar é arte mais dolorosa, ela te julga, te condena, é obrigada a tomar decisões e a ser inteligente, carregando os fardos das verdades do mundo nas costas. Às vezes simplesmente gostaria de sentir e dançar livremente como antes, mas não posso mais.
Se eu não estivesse nessa camisa de força, eu seria livre como essa chuva de hoje, forte como os trovões, intensa como o vento… Eu gritaria sem emitir um som sequer e mataria meus demônios sem precisar usar lâminas. Eu dançaria.
Quem sabe algum dia eu me liberte… Não temos como saber. As palavras são minha arma em um mundo em que preciso lutar sem um corpo. Eu estou fraca em meus sentidos, mas minha mente ainda é afiada. E eu danço em pensamentos com as amarras apertadas. Para qualquer um que veja, eu sou só mais um louco preso em uma sala.

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Viagens de 20 minutos
Escrevi algumas coisas nos últimos dias, mas não cheguei a concluir nenhum pensamento. As palavras divagam em minha mente sem tempo para colocá-las em algum lugar. Uma viagem sem destino, mas com muitos bons momentos e novas recordações. Muitas viagens de 20 minutos.
Certa vez escrevi um poema sobre meu namorado, onde ele era o príncipe do meu conto de fadas contemporâneo. Seu cavalo era na verdade uma moto, e eu não era o tipo convencional de princesa. Ainda nos vejo assim… E as viagens de 20 minutos entre minha casa e a dele são como aventuras escritas em livros de romance.
Ele pode não ver assim, mas abraçar sua cintura e confiar minha vida a ele no trânsito perigoso dessa cidade, onde as pessoas não sabem dar a seta e ultrapassam carros na curva, é muito emocionante para mim (ainda mais por sermos menores de idade e isso ser ilegal). Momentos em que ele passa a mão na minha perna quando ganhamos velocidade, pega na minha mão por dentro do bolso de seu casaco e me leva para lugares e caminhos novos todo empolgado, ficam presos na minha mente. Eu gosto de revivê-los em minhas memórias.
Eu nunca tinha andado de moto antes de conhecer ele. Quando meu pai tinha uma, eu era criança e, apesar de ter idade, não tinha coragem de andar com ele. Eu sempre pensei que se algo não parar em pé sozinho, não é seguro. Eu daria tudo para voltar para aquela moto agora, com o meu príncipe. Ele conquistou muito mais que meu coração nesse último ano. Ele conquistou uma confiança e uma fé que eu nunca tive em nada, nem ninguém.
Essas viagens de 20 minutos são como a sobremesa de uma refeição muito boa. Eu sempre espero por elas ansiosamente, apesar do prato principal ser delicioso. Quando elas chegam, sei que nosso momento está acabando, e apesar do sabor incrível eu sei que é o gosto do fim. Logo eu vou voltar para meus afazeres e não vou comer de novo por um bom tempo. Ainda assim, a sobremesa é uma das minhas partes favoritas.
Escrevo isso depois de uma fartura, na verdade. Eu comi muito nesse final de semana. Eu fiz muitas viagens de 20 minutos e passei muito tempo com quem mais amo. Eu estou satisfeita por enquanto, mas já sinto falta do cheiro dele e do toque macio de sua pele. É uma saudade eterna, mas isso só torna tudo mais valioso. Eu estou feliz. Foram ótimos 20 minutos de viagem.

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Retorno
Desta vez, meu problema foi de caráter amoroso. Mas, diferente de problemas comuns entre essa nossa geração de amantes, geralmente envolvendo traços abusivos e toxicidades, me deparei com minha própria imaturidade e baixa autoestima.
Conversas resolveriam tantas coisas, mas não acreditei na capacidade que meu parceiro tinha de me ouvir, nem na minha de merecer ser ouvida. Quando era tarde demais e eu já havia sido uma tremenda escrota devido à minha mágoa, percebi que tudo poderia ser resolvido se eu tivesse conversado sobre, no momento certo, quando eu estava calma e ele também.
Não é tão simples assim, eu sei, coisas me incomodam como sua raiva fora do comum e a preocupação excessiva que ele tem com a própria imagem. Eu não tinha ficado magoada do nada. Na verdade eu achava que essas particularidades dele eram maiores que seu amor por mim. Me surpreendi positivamente quando, no meio da semana, no dia posterior à briga, ele apareceu e me envolveu em seus braços. Percebi que sua raiva era sempre momentânea, e que se afastar era um mecanismo de defesa. No fim, ele ainda me amava da mesma forma, e sempre iria retornar para mim depois de se acalmar.
Eu sempre pensava: “ Eu estou sendo dramática”, “Vou o incomodar”, “Estou sendo idiota”, mas se eu tivesse valorizado meus próprios sentimentos e tivesse conversado sobre o que sentia, tudo teria ficado bem. Eu precisava de paciência e confiança, mas eram coisas que eu simplesmente perdia às vezes. Eu precisava encontrá-las novamente.
Digo isso pois, era recorrente no meu caso que eu só precisasse esperar. Ver a poeira abaixar e ter uma conversa calma, sem a ansiedade que me fazia querer dizer tudo de uma vez. Eu sentia muito intensamente, parecia que estava sempre perdendo algo importante. Meu amor, minha integridade, meu valor…
Era fácil ver traços tóxicos onde não tinha nenhum. Sempre querendo 100% daquele que eu amava. Nem sempre é assim. Nós demonizamos muito as pessoas, é fácil rotular tudo sem olhar para o que você mesmo está fazendo. Eu exigia demais.
Eu percebi que eu não precisava exigir essas coisas. Cada segundo do tempo dele, palavras doces e românticas o tempo todo… Eu tinha necessidades demais, e ele tinha problemas demais para eu ser mais um. Falando assim parece errado, eu sei. Mas era isso que minha carência era, um problema. Eu não precisava dela, mesmo que a rotina não permitisse, eu ainda era amada o tempo todo. Talvez não por toques, ou palavras, mas pelo retorno. Acho que o retorno é uma das mais belas formas de amor.
Retornar significa saudade, significa que sua mente divagou até mim e que no fim do seu dia você sempre voltará para me chamar de amor e dar boa noite. Retornar gera confiança. E podemos não saber tudo um sobre o outro agora, mas com certeza teremos longas conversas sobre isso sentados na sua cama aos sábados. Eu me orgulho de dizer que o meu garoto retornaria para mim, não importa onde fosse, e pra mim isso é amor.


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Miséria emocional
Ultimamente tudo têm se tornado difícil. Me sinto muito pior do que apenas um fracasso, eu me sinto quase que inexistente, uma grande desilusão para qualquer um que se aproxime. É neste ritmo que minha cama me engole pra dentro dos lençóis e não me sinto digna de nada mais do que a miséria emocional, a maior praga que já me habitou.
Eu faltei ao curso e à escola enquanto pude, pois a rotina tem se tornado cada vez mais tediosa e desgastante. Eu deveria arranjar um trabalho, com certeza dinheiro é algo que me faria muito feliz, mas não é simplesmente tão fácil achar um trabalho que pague bem e que seja suportável. Eu não quero trabalhar aos sábados, é o dia em que vejo meu namorado e é meu dia favorito da semana. É neste dia que a miséria emocional vai embora e eu me transformo na minha versão sorridente e apaixonada.
Eles demoram para chegar, no entanto, e eu não tenho me sentido suficiente neste mundo enquanto não recebo todo aquele amor e carinho. Durante a semana, eu não me sinto uma boa namorada, uma boa amiga, ou uma boa filha, estudante, escritora… Existe um enorme buraco em meu peito, e ele cresce a cada dia. Acho que a miséria emocional é isso, um vazio gigantesco que performa incerteza e tristeza sobre tudo. Eu não sei mais o que sentir sobre nada, eu só quero chorar na minha cama e desaparecer no estômago quente e macio dos lençóis que me engolem. Seria tudo tão fácil se eu pudesse simplesmente ser digerida por eles até o vazio sumir.
Eu era boa em sentir esse vazio, senti ele por muito tempo, mas depois que aprendi a amar eu nunca mais quis ele. A melancolia e apatia que me envolviam não eram bonitas como o sorriso dele. Eu também percebi que minha cama jamais iria digerir minhas dores e mágoas, e que ele estava disposto a curá-las comigo. Sabe… eu realmente queria que fosse fácil assim.
Mais do que isso, eu queria que a miséria emocional não voltasse rotineiramente. Pois eu não consigo mais me manter ocupada e a semana passa tão devagar que é quase uma tortura. Isso ocorre provavelmete porque a vida que vivo não é a vida que eu quero viver, na verdade, ela parece cada vez mais distante da realidade.
Estamos em agosto, torça para que eu sobrevive até janeiro e que a miséria emocional não se torne tão grande a ponto de me extinguir da face da Terra, me tornando um enorme buraco vazio na vida das pessoas. Vou desejar também que os sábados cheguem logo, o mais rápido possível. Queria, na verdade, poder desejar que eles fossem eternos…

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As segundas são muito tristes, não é mesmo? Diferente dos domingos o sofrimento delas não é antecipado, ele é real, e você precisa conviver com a ideia de que é só o começo...
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