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Suelen Lasquevski
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Suelen Winnik Lasquevski é escritora e psicóloga. Apaixonada por música, livros e pela saúde mental, reuniu todos esses elementos para contar um capítulo de sua vida que esqueceu que viveu.
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suelenlasquevski · 1 year ago
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Revisitar algo do nosso passado é como abrir um álbum de fotos antigo. Cada imagem, cada lembrança nos oferece a oportunidade de avaliar onde estamos agora, o que mudou, o que permanece. Recentemente, ao reassistir "Sex and the City" na Netflix, me vi mergulhada em uma jornada de redescoberta que me fez refletir profundamente sobre minha própria vida e meus sonhos.
Há mais de uma década, eu era uma jovem de 24 anos, que havia recentemente deixado Ponta Grossa, Paraná, experimentando a excitação e o desafio de morar sozinha em São Paulo. Minha vida naquele pequeno quarto de hotel era simples, mas cheia de possibilidades. Lembro-me dos finais de semana solitários, quando eu me permitia afundar no conforto de um bom filme. Foi durante uma dessas noites que comprei meu primeiro DVD de "Sex and the City". A série não era apenas um passatempo; era um espelho no qual eu me via refletida.
Carrie Bradshaw, com seu pequeno apartamento, sua paixão pela moda e sua eterna busca pelo amor, era uma versão ficcional de quem eu aspirava ser. Embora eu trabalhasse em uma empresa internacional, meu coração sempre esteve na escrita, no romance das palavras. Carrie, com sua habilidade de transformar suas experiências em crônicas cativantes, me inspirava profundamente. Ela não era apenas ambiciosa; ela era autêntica. Suas falhas e sucessos eram uma fonte de inspiração genuína para sua escrita, refletindo uma verdade que ressoava com seus leitores.
Hoje, estou casada, com filhos e responsabilidades que me mantêm ocupada. Não estou mais na busca pelo "grande amor"; já encontrei o meu. Mas revisitar "Sex and the City" trouxe à tona uma introspecção sobre minhas escolhas e meus sonhos. O que significava para mim, naquela época, ver Carrie perseguindo seus desejos com uma determinação feroz? E o que isso significa agora, quando meus próprios sonhos artísticos clamam por atenção?
Reassistir a série no contexto atual também me fez refletir sobre como a sociedade mudou. Questões de diversidade e inclusão, que não eram tão discutidas nos anos 90, agora são cruciais. A falta de representatividade negra e trans na série é uma falha que muitos apontam hoje, mas para mim, na época, a série era revolucionária de outras formas. Ela abordava a sexualidade feminina, a independência e as complexidades das relações de uma maneira que poucas séries se atreviam a fazer.
E, como Carrie costumava dizer, "e, de repente", a série me lembrou da beleza de se apaixonar por um sonho. Assim como Carrie, que nunca desistiu da sua busca pelo amor verdadeiro, eu não posso desistir do meu desejo de viver da arte. A jornada não é fácil. Mas assim como Carrie encontrou sua voz nas páginas de sua coluna, estou encontrando a minha nas palavras que escrevo.
Carrie pode ser vista como uma amiga egoísta ou uma pessoa que tomou decisões questionáveis, especialmente em sua relação com Mr. Big. No entanto, ela foi sempre verdadeira consigo mesma, usando suas experiências pessoais, tanto boas quanto ruins, para alimentar sua escrita. Sua autenticidade com seus leitores é o que a fez ter sucesso como escritora. E isso é o que mais me inspira: a capacidade de transformar nossas falhas e experiências humanas em algo que cria conexões genuínas com outras pessoas.
Vinte e poucos anos depois, a série também me fez refletir sobre a natureza das mudanças pessoais. Como Carrie uma vez escreveu, "não pude deixar de me perguntar", será que nossos sonhos mudam com o tempo ou apenas se adaptam às nossas novas realidades? Assistir a "Sex and the City" com a perspectiva do meu presente me permitiu não só lembrar dos meus antigos desejos, mas também perceber o quanto evoluí e o quanto ainda há para conquistar.
Rever minhas quatro "amigas" de "Sex and the City" foi um lembrete de que nossos sonhos nunca realmente desaparecem. Eles podem se transformar, adormecer ou se esconder nas sombras da nossa rotina diária, mas estão sempre lá, esperando para serem redescobertos. E assim, com a determinação de Carrie e a paixão que sempre ardeu dentro de mim, estou pronta para abraçar minha arte e deixar que ela guie meu caminho.
Para todos aqueles que, como eu, ainda estão descobrindo suas próprias histórias em meio aos desafios da vida, "Sex and the City" oferece mais do que um Cosmopolitan e um desfile de haute couture enquanto expõe abertamente as nuances da sexualidade feminina. Para mim, a mensagem que fica é que, de repente, a vida faz sentido de uma forma que nunca imaginamos.
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Revisiting something from our past is like opening an old photo album. Every image, every memory offers us the opportunity to evaluate where we are now, what has changed, what remains. Recently, rewatching "Sex and the City" on Netflix, I found myself immersed in a journey of rediscovery that made me reflect deeply on my own life and dreams.
More than a decade ago, I was a 24-year-old young woman, who had recently left Ponta Grossa, Paraná, experiencing the excitement and challenge of living alone in São Paulo. My life in that little hotel room was simple but full of possibilities. I remember lonely weekends when I would allow myself to sink into the comfort of a good movie. It was during one of these nights that I purchased my first "Sex and the City" DVD. The series wasn't just a pastime; it was a mirror in which I saw myself reflected.
Carrie Bradshaw, with her small apartment, her passion for fashion, and her eternal search for love, was a fictional version of who I aspired to be. Although I worked in an international company, my heart was always in writing, in the romance of words. Carrie, with her ability to transform her experiences into captivating chronicles, deeply inspired me. She was not just ambitious; she was authentic. Her failures and successes were a source of genuine inspiration for her writing, reflecting a truth that resonated with her readers.
Today, I am married, with children and responsibilities that keep me busy. I'm no longer in search of "great love"; I already found mine. But revisiting "Sex and the City" brought insight into my choices and my dreams. What did it mean to me, back then, to see Carrie pursuing her desires with fierce determination? And what does that mean now, when my own artistic dreams are crying out for attention?
Rewatching the series in the current context also made me reflect on how society has changed. Issues of diversity and inclusion, which were not discussed as much in the 90s, are now crucial. The lack of black and trans representation in the series is a flaw that many point out today, but for me, at the time, the series was revolutionary in other ways. It addressed female sexuality, independence, and the complexities of relationships in a way that few series dared to do.
And like Carrie used to say, "and just like that," the series reminded me of the beauty of falling in love with a dream. Just like Carrie, who never gave up on her search for true love, I cannot give up on my desire to make a living from art. The journey is not easy. But just as Carrie found her voice in the pages of her column, I am finding mine in the words I write.
Carrie can be seen as a self-centered friend or a person who has made questionable decisions, especially in her relationship with Mr. Big. However, she was always true to herself, using her personal experiences, both good and bad, to fuel her writing. Her authenticity with her readers is what made her successful as a writer. And that's what inspires me most: the ability to transform our human flaws and experiences into something that creates genuine connections with other people.
Twenty something years later, the series also made me reflect on the nature of personal change. As Carrie once wrote, "I couldn't help but wonder," do our dreams change over time or just adapt to our new realities? Watching"Sex and the City" with the perspective of my present allowed me not only to remember my old desires, but also to realize how much I've evolved and how much there is still to achieve.
Seeing my four "friends" from "Sex and the City" was a reminder that our dreams never really disappear. They may transform, fall asleep, or hide in the shadows of our daily routine, but they are always there, waiting to be rediscovered. And so, with Carrie's determination and the passion that has always burned inside me, I am ready to embrace my art and let it guide my path.
For all those, like me, who are still discovering their own stories amid life's challenges, "Sex and the City" offers more than a Cosmopolitan and a haute couture show while openly exposing the nuances of female sexuality. For me, the message that remains is that, suddenly, life makes sense in a way we never imagined.
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suelenlasquevski · 1 year ago
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"The Idea of Being Seen"
I think it was in September 2022 that I read something about the fanfic "The Idea of You" being in production for the cinema. I wasn't surprised by this, as adapting this category of stories to film is a safe bet. After all, you can't hope for a more niche target and safer audience than that.
What struck me the most was learning that Anne Hathaway was not only starring in the movie but also involved in the production. And the Anne factor was the main reason why I gave this movie a chance a few weeks ago. I am very eclectic when it comes to music; however, I can be extremely picky when it comes to books, especially the ones that make it to the silver screen.
Although I think it is amazing that someone feels such a strong connection with an artist (or even well-known books) to the point of letting their imagination go loose enough to come up with creations of their own, I have this concept that, most of the time, art derived from infatuation for artists or characters tends to have weak plotlines. Since, most of the time, these types of fan art are not interested in telling a story; their goal is to make a fantasy come alive. Usually, the characters are poorly written: there is no emotional depth, there are no psychological traits that explain why they act the way they do. There is only the need to reach the climax: the scene where the ripped guy takes off his shirt because he is soaking wet from the rain that conveniently poured while he was on the way to the girl's house.
Don't get me wrong. I know that there is a big difference between this type of movie and porn. Usually, in fanfics, the "take off the wet shirt" scene comes right before the guy realizes, while he contemplates the emptiness of his life, that he is in love with this girl and he has to see her immediately to tell her about his feelings. They may or may not have sex after it, but this urge to run for the person the hunky character has feelings for and physically express their feelings is what is driving the wheels of the narrative. And right after this peak is reached, there is nothing left to do but to stall for a few more scenes, where usually the bad guys are punished for their actions and the side characters appear one last time before vanishing from the narrative. So, why the hell did Anne Hathaway get involved in a fanfic?
A smile always comes to my face when I think of her. I still remember the first time that I watched her in the movies. The messed-up hair girl who found out that she was the heir to the throne of Genovia. As years went by, Anne's roles in the movies evolved, and she tried on different genres: musicals, action, dramas. My absolute favorite being "One Day". The Emma Morley in me resonated with her interpretation of the British teacher turned-writer, who was forever in love with her best friend. I felt like I owed it to Anne. I had to understand why she decided to seal this movie. And I did.
If you look from the outside, at first glance, the premise of the movie revolves around the cliche of an older woman finding herself involved with a much younger guy. But there are certain nuances in the narrative that made me think about the underlined message of "The Idea of You" and maybe why the story was appealing to Anne.
To make my point, let's just ignore the fact that the character Hayes Campbell is heavily inspired by Harry Styles. That minor detail alone explains why anyone would buy the "take off the wet t-shirt and jump into bed with him" at any sight of a micro opportunity. The truth must be told.
Now, wearing the 40-year-old woman's shoes, which fit me perfectly since, just like Anne, I am also 41 years old, from the comfy gray couch I was watching the movie, I felt SEEN!
At every stage of our human existence, it is implied by society that certain milestones must be reached: college graduation, a steady committed relationship that leads to marriage and probably children, acquiring a house, a car, and making sacrifices to build a successful career. Not all people reach these targets, not all people arrive at these stages in the order I listed them, nor is it mandatory to check all these boxes to find fulfillment in life. However, even though we are a species with the capacity of being aware of our thoughts, we are constantly bombarded with subliminal messages that program us to function in an auto-pilot mode that leads us along this path. And although it is the same road, its traffic conditions can be quite different for men and women.
Who never heard that a certain man "is just like wine, gets better with time." Silver hair makes a man charming, but a woman sloppy. Being a man with high career goals is praised, while trying for that promotion in a law firm when you are a woman might be considered greed. Add a layer of selfishness if she chooses to prioritize her career and not have kids. And God forbid if she doesn't want to get married. What a bitch!
Life is not a video game; however, it is also made of levels, and we might fail and stumble on incredibly challenging obstacles before moving to the next one. Sometimes, we advance to the next phase and forget that the game is still on, and we must keep playing; otherwise, we might find ourselves back into a stage we thought we had overcome. Quite often, we stand still in a comfortable yet, borderline boredom place, and we stay there because we don't know the rules of what might come next.
Anne Hathaway's Solene had advanced and then went back a few levels in her game of life. She had a college graduation, a marriage, a house, a kid, and a job, but the stability that comes along with the doubtful feeling that you are winning the game also brought infidelity and divorce. Now back to the level of finding herself single, Solene had no choice but to focus on what remained from the previous experience: her daughter, her house, her job. And although it seemed that she was willing to play the game of dating again, she was not expecting that someone would deal the love card.
And it was not the usual someone that we are programmed to expect her to choose. It was not the guy who was also divorced with kids. Nor the 40-something serial dater who can't commit. It was someone who, although we are in 2024, might still be considered a "taboo," but only if you are a woman: it was a YOUNGER guy.
Being a member of a boy band was another part of the cliche, and I get it. Hot, rich, and famous equal appeal. But these adjectives only added an extra flavor to the excitement and the butterflies that normally come with infatuation. They were also necessary to "justify" the twists and turns of the narrative: trying to conceal a relationship from the media, the reaction of angry fans, and the jealousy that being happy may cause.
The audacity of a woman in her forties giving herself another chance and breaking free from societal expectations is the film's true conflict. Solene’s journey isn’t just about falling in love with a younger man; it’s about rediscovering herself and reclaiming her desires, regardless of age
The film subtly critiques the double standards women face and highlights the courage it takes to live authentically in a world that constantly tries to confine them to predefined roles.
Watching Solene navigate her feelings and societal judgment was a refreshing experience. It served as a reminder that life doesn’t have to be linear, and personal growth doesn’t cease at a certain age. Anne Hathaway’s portrayal brought depth to Solene’s character, making her struggles and triumphs relatable. The movie underscores that it’s never too late to pursue happiness and that love can come from the most unexpected places, challenging the notion that women over forty should settle for less.
The nuanced narrative of "The Idea of You" goes beyond the clichés of an older woman-younger man romance. It delves into the complexities of self-acceptance and the courage to defy societal norms. Solene’s relationship with Hayes, though unconventional, becomes a vehicle for exploring broader themes of empowerment and self-worth. It’s about a woman reclaiming her narrative and choosing what fulfills her, rather than what’s expected of her.
Anne Hathaway’s involvement in the project, both as an actress and a producer, adds a layer of authenticity and significance to the film. Her choice to back this story underscores the importance of diverse narratives in mainstream media, especially those that resonate with women navigating midlife. Hathaway’s Solene is not just a character; she is a representation of many women who dare to redefine their lives and pursue their passions unapologetically.
"The Idea of You" is more than just a romantic drama; it is a story of self-discovery, resilience, and breaking free from societal constraints. It resonated with me because it mirrored the reality of many women striving to find their own paths amidst societal pressures. The film serves as a powerful reminder that every woman’s journey is unique and that embracing one's truth can lead to the most fulfilling chapters of life.
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A Ideia de Ser Vista
Acho que foi em setembro de 2022 que li algo sobre a fanfic "The Idea of You" estar em produção para o cinema. Isso não me surpreendeu, pois adaptar essa categoria de histórias para o cinema é uma aposta segura. Afinal, você não pode esperar por um público-alvo mais específico e seguro do que esse.
O que mais me chamou a atenção foi saber que Anne Hathaway não apenas estrelaria o filme, mas também estava envolvida na produção. E o fator Anne foi a principal razão pela qual dei uma chance a esse filme algumas semanas atrás. Sou muito eclética quando se trata de música, no entanto, posso ser extremamente exigente quando se trata de livros, especialmente os que chegam às telas de cinema.
Embora eu ache incrível que alguém sinta uma conexão tão forte com um artista (ou mesmo com livros bem conhecidos) a ponto de permitir que sua imaginação se solte o suficiente para criar suas próprias criações, tenho esse conceito de que, na maioria das vezes, a arte derivada do encantamento por artistas ou personagens tende a ter enredos fracos, já que, na maioria das vezes, esse tipo de fanart não está interessado em contar uma história: seu objetivo é fazer uma fantasia ganhar vida. Normalmente, os personagens são mal escritos: não há profundidade emocional, não há traços psicológicos que expliquem por que agem da maneira como agem. Há apenas a necessidade de alcançar o clímax: a cena em que o cara rasgado tira a camisa porque está encharcado pela chuva que convenientemente caiu enquanto ele estava a caminho da casa da garota.
Não me entenda mal. Sei que há uma grande diferença entre esse tipo de filme e pornografia. Normalmente, nas fanfics, a cena "tirar a camisa molhada" vem logo antes de o cara perceber, enquanto contempla o vazio de sua vida, que está apaixonado por essa garota e precisa vê-la imediatamente para contar a ela sobre seus sentimentos. Eles podem ou não fazer sexo depois, mas esse desejo de correr atrás da pessoa por quem o personagem bonitão tem sentimentos e expressar fisicamente seus sentimentos é o que move as engrenagens da narrativa. E logo após esse clímax ser atingido, não resta mais nada a fazer além de esperar por algumas cenas extras, onde normalmente os vilões são punidos por suas ações e os personagens secundários aparecem pela última vez antes de desaparecerem da narrativa. Então, por que diabos Anne Hathaway se envolveu em uma fanfic?
Um sorriso sempre aparece no meu rosto quando penso nela. Ainda me lembro da primeira vez que a vi nos filmes. A garota de cabelos bagunçados que descobriu que era a herdeira do trono de Genovia. Com o passar dos anos, os papéis de Anne nos filmes evoluíram e ela experimentou diferentes gêneros: musicais, ação, dramas. Meu favorito absoluto sendo "Um Dia". A Emma Morley em mim ressoou com sua interpretação da professora britânica transformada em escritora, que estava sempre apaixonada por seu melhor amigo. Senti que devia isso a Anne. Eu tinha que entender por que ela decidiu cancelar esse filme. E eu entendi.
Se olharmos de fora, à primeira vista, a premissa do filme gira em torno do clichê de uma mulher mais velha se envolvendo com um cara muito mais jovem. Mas há certos nuances na narrativa que me fizeram pensar na mensagem subjacente de "The Idea of You" e talvez por que a história tenha sido atraente para Anne.
Para fazer meu ponto, vamos apenas ignorar o fato de que o personagem Hayes Campbell é fortemente inspirado em Harry Styles. Apenas esse pequeno detalhe explica por que qualquer pessoa compraria o "tirar a camisa molhada e pular na cama com ele" a qualquer sinal de uma micro oportunidade. A verdade precisa ser dita.
Agora, calçando os sapatos de uma mulher de 40 anos, que se encaixam perfeitamente em mim, já que, assim como Anne, também tenho 41 anos, do confortável sofá cinza onde assistia ao filme, eu me senti VISTA!
Em cada estágio de nossa existência humana, é subentendido pela sociedade que certos marcos devem ser alcançados: formatura na faculdade, um relacionamento comprometido e estável que leva ao casamento e provavelmente a filhos, adquirir uma casa, um carro e fazer sacrifícios para construir uma carreira bem-sucedida. Nem todas as pessoas alcançam essas metas, nem todas as pessoas chegam a esses estágios na ordem que eu listei, nem é obrigatório marcar todas essas caixas para encontrar realização na vida. No entanto, mesmo sendo uma espécie com a capacidade de estar ciente de nossos pensamentos, estamos constantemente bombardeados com mensagens subliminares que nos programam para funcionar em um modo de piloto automático que nos leva por esse caminho. E embora seja a mesma estrada, as condições de tráfego podem ser bastante diferentes para homens e mulheres.
Quem nunca ouviu que um certo homem "é como vinho, melhora com o tempo". Cabelos prateados fazem um homem charmoso, mas uma mulher desleixada. Ser um homem com grandes objetivos de carreira é elogiado, enquanto tentar aquela promoção em um escritório de advocacia quando se é mulher pode ser considerado ganância. Adicione uma camada de egoísmo se ela optar por priorizar sua carreira e não ter filhos. E Deus nos livre se ela não quiser se casar. Que vadia!
A vida não é um videogame, no entanto, também é feita de níveis e podemos falhar e tropeçar em obstáculos incrivelmente desafiadores antes de avançar para o próximo. Às vezes, avançamos para a próxima fase e esquecemos que o jogo ainda está em andamento e que devemos continuar jogando, caso contrário, podemos nos encontrar de volta a um estágio que pensávamos ter superado. Muitas vezes, ficamos parados em um lugar confortável, porém, entediante, e permanecemos lá porque não conhecemos as regras do que pode vir a seguir.
Solène, de Anne Hathaway, avançou e depois retrocedeu alguns níveis em seu jogo da vida. Ela teve uma graduação universitária, um casamento, uma casa, um filho e um emprego, mas a estabilidade que vem junto com a sensação duvidosa de que está ganhando o jogo também trouxe infidelidade e divórcio. Agora de volta ao nível de se encontrar solteira, Solène não teve escolha senão se concentrar no que restou da experiência anterior: sua filha, sua casa, seu emprego. E embora parecesse que ela estava disposta a jogar o jogo do namoro novamente, ela não esperava que alguém jogasse a carta do amor.
E não foi o alguém comum que esperávamos que ela escolhesse. Não era o cara que também era divorciado com filhos. Nem o quarentão que não consegue se comprometer. Foi alguém que, embora estejamos em 2024, ainda pode ser considerado um "tabu", mas apenas se você for mulher: era um CARA MAIS JOVEM.
Ser membro de uma boy band era outra parte do clichê e eu entendo. Quente, rico e famoso equivale a apelo. Mas esses adjetivos apenas adicionaram um sabor extra à empolgação e às borboletas que normalmente vêm com a paixão. Eles também eram necessários para "justificar" as reviravoltas da narrativa: tentar esconder um relacionamento da mídia, a reação dos fãs raivosos e o ciúme que ser feliz pode causar.
A audácia de uma mulher na casa dos quarenta anos se dar outra chance e se libertar das expectativas sociais é o verdadeiro conflito do filme. A jornada de Solène não se trata apenas de se apaixonar por um homem mais jovem; trata-se de redescobrir a si mesma e reivindicar seus desejos, independentemente da idade. O filme critica sutilmente os duplos padrões que as mulheres enfrentam e destaca a coragem necessária para viver autenticamente em um mundo que constantemente tenta confiná-las a papéis predefinidos.
Ver Solène navegar por seus sentimentos e pelo julgamento da sociedade foi uma experiência refrescante. Serviu como um lembrete de que a vida não precisa ser linear e que o crescimento pessoal não cessa em uma certa idade. A interpretação de Anne Hathaway trouxe profundidade ao personagem de Solène, tornando suas lutas e triunfos relacionáveis. O filme enfatiza que nunca é tarde demais para buscar a felicidade e que o amor pode vir dos lugares mais inesperados, desafiando a noção de que mulheres com mais de quarenta anos deveriam se contentar com menos.
A narrativa sutil de "The Idea of You" vai além dos clichês de um romance entre uma mulher mais velha e um homem mais jovem. Explora as complexidades da autoaceitação e a coragem de desafiar as normas sociais. O relacionamento de Solène com Hayes, embora não convencional, torna-se um veículo para explorar temas mais amplos de empoderamento e autoestima. Trata-se de uma mulher reivindicando sua narrativa e escolhendo o que a realiza, em vez do que é esperado dela.
O envolvimento de Anne Hathaway no projeto, tanto como atriz quanto como produtora, acrescenta uma camada de autenticidade e significado ao filme. Sua escolha de apoiar essa história destaca a importância de narrativas diversas na mídia mainstream, especialmente aquelas que ressoam com mulheres que navegam pela meia-idade. Solène de Hathaway não é apenas um personagem; ela é uma representação de muitas mulheres que ousam redefinir suas vidas e perseguir suas paixões sem desculpas.
"The Idea of You" é mais do que apenas um drama romântico; é uma história de autodescoberta, resiliência e libertação das restrições sociais. Ressoou comigo porque espelhou a realidade de muitas mulheres lutando para encontrar seus próprios caminhos em meio às pressões sociais. O filme serve como um poderoso lembrete de que a jornada de cada mulher é única e que abraçar sua verdade pode levar aos capítulos mais gratificantes da vida.
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suelenlasquevski · 1 year ago
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Menos é mais
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Matemática nunca foi o meu forte. Adição, subtração, multiplicação e divisão. Toda tentativa de aprender algo além disso, durou apenas o tempo necessário para passar em um teste ou uma prova. E não foi por falta de esforço, não. Minha mente simplesmente trava quando se depara com operações muito complexas.
A primeira vez que eu escutei a frase "Menos é mais" foi em uma conversa com a minha mãe, cujo contexto em que foi dita, eu não me recordo. Mas eu me lembro exatamente do quão confusa eu fiquei ao ouvir essa expressão, e a minha cabecinha de criança de ensino fundamental passou algum tempo tentando fazer aquele paradoxo matemático fazer algum sentido.
No meu cotidiano e também na minha vida profissional, nunca precisei de muito além das 4 operações básicas e ainda sim, vez ou outra, uso a calculadora como recurso, só para ter certeza. Ser uma pessoa "na média" quando o assunto são números, nunca me incomodou. Sou boa em inúmeras outras coisas, dentre elas, ler pessoas.
Minha capacidade de conseguir interpretar linguagem, seja ela corporal como micro expressões faciais ou então intenções mascaradas em entrelinhas de mensagens, sempre ocupou uma linha na coluna em que eu listava as minhas qualidades. Eu não tinha a menor ideia de que minha proatividade e habilidade de me antecipar às necessidades (dos outros), eram sintomas de algo que, quando em demasia e fora do controle, podemos considerar como patológico.
Pensar detalhadamente sobre uma situação, a fim de escolher a melhor alternativa possível e assim evitar reações indesejadas, garantindo que nada saísse fora dos planos que eu havia meticulosamente traçado, era o que eu orgulhosamente chamava e perfeccionismo .Foi apenas quando, depois de um exame de polissonografia, que acusou algumas centenas de microdespertares e uma incapacidade alarmante de não permanecer no sono REM que eu me "descobri" ansiosa.
Percebi que há anos a ansiedade tem sido minha companheira invisível e que ainda que eu tenha uma boa bagagem de conhecimento técnico para identificá-la nos outros, eu jamais havia utilizado esses recursos para fazer uma leitura sincera do que os meus comportamentos tentavam camuflar.
Nunca roí minhas unhas ou fiz movimentos rápidos e repetitivos com os meus pés. Mas sempre tive taquicardia enquanto esperava pelo boletim da escola ou então quando me falavam que alguém queria falar comigo e eu não tinha a menor ideia sobre qual assunto. Nunca "descontei" alguma preocupação na comida, mas já perdi totalmente a fome depois de receber uma crítica. Nunca tive dificuldade em trabalhar sob pressão, entregava tudo antes do prazo, então provavelmente a minha gastrite era apenas algo que eu havia comido e que não caiu bem. Tudo o que eu rotulava como a minha virtude de querer fazer sempre o melhor, era na verdade, a pura manifestação da ansiedade.
E o que é que a ansiedade tem a ver com a matemática? Por incrível que pareça, foi assim que eu finalmente consegui dar algum sentido para o meu paradigma de infância.
Gosto de pessoas, mas não de lugares lotados e barulhentos. Gosto de cores, mas nada colorido demais que os meus olhos se percam na busca de algum detalhe que eu consiga identificar. Gosto da minha casa com poucos móveis, porque já temos informações demais em outdoors por ai.
Menos é mais.
Quanto menos açúcar eu coloco no café, mais eu consigo sentir o sabor dos grãos. Quanto menos tempo eu passo em redes sociais, mais horas me sobram para ler um livro. Quanto menos eu tento ser a Mulher Maravilha, dizendo "sim" e assumindo um monte de papéis que às vezes não fazem sentido para mim, mais eu me encontro em cenários onde eu sou realmente essencial. Quanto menos me preocupo com o julgamento dos outros, mais coragem eu tenho de me expressar. Quanto menos distante eu sou dos meus filhos, mais oportunidades eles me oferecem de realmente conhecê-los por quem eles realmente são e não quem eu quero que eles sejam, Quanto menos barulho externo, mais eu consigo escutar o que o meu silêncio quer dizer.
Conviver com a ansiedade pode ser uma tarefa muito mais complexa do que resolver uma equação de 2º grau, porém o grande x da questão é termos a capacidade de encontrar equilíbrio e simplicidade em meio ao caos mental que ela pode gerar. Assim como na matemática, onde menos variáveis muitas vezes significam uma solução mais clara, na vida, menos preocupações e menos estímulos desnecessários podem resultar em uma mente mais tranquila e em uma existência mais plena.
Ao compreender que menos é mais, podemos aplicar esse princípio em nossa abordagem para lidar com a ansiedade. Em vez de tentar controlar cada aspecto de nossas vidas, podemos aprender a priorizar o que realmente importa, simplificando nossas rotinas, estabelecendo limites saudáveis e praticando o autocuidado.
Portanto, que possamos lembrar sempre que, assim como na matemática, onde a simplicidade muitas vezes conduz à elegância das soluções, na vida, abraçar a simplicidade pode nos guiar para uma jornada mais serena e significativa, onde menos preocupações significam mais espaço para a paz interior e a felicidade genuína.
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suelenlasquevski · 3 years ago
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"Car rides to Malibu, strawberry ice cream, one spoon for two and trading jackets laughing about how small they look on you."
Se você não mora debaixo de uma pedra, provavelmente conhece essa música da Olivia Rodrigo. Uma das minhas escritoras favoritas, Elizabeth Gilbert, tem essa teoria muito interessante de que uma ideia é uma energia que flui no ar, como uma onda de rádio, procurando uma mente que esteja trabalhando em sua frequência, para que possa ser transformada em algo real. Às vezes, uma pessoa pode se equalizar na onda de uma ideia específica e, por algum motivo, ela não se materializa.
Talvez Olivia tenha captado a frequência desse conceito déjà vu e o transformado em música, mas eu juro que antes dessas letras cativantes chegarem às estações de rádio e serviços de streaming, eu já tinha pensado muito em como a definição dessa expressão de origem francesa não deveria ser "já vista", mas sim "já sentida".
Estou quase na casa dos quarenta e como viciada em uma boa história, já ouvi, li e assisti muitas e até vivi alguns romances. E ultimamente tenho me perguntado sobre o que torna um relacionamento entre duas pessoas real, genuíno e mágico o suficiente para ser considerado como a experiência mais significativa de uma vida. Podemos nós, como indivíduos, ser separados de todas as relações que desenvolvemos e a partir das quais crescemos, daquelas que nos transformaram no que consideramos como a versão mais atual de nós? Somos apenas um mosaico de interações com outros seres ou nossa essência fala mais alto do que essas conexões?
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Ainda faltam seis capítulos para terminar "déjà vu" e eu ainda não sei a resposta. E algo me diz que não irei encontrá-la. O que eu sei é que o amor é o ponto de partida, a estrada, a viagem e o destino. É o objetivo final de todos os seres humanos. Se não o amor por uma pessoa, então o amor por uma profissão, por dinheiro, por um animal de estimação, por uma causa. É o que mantém o mundo girando. Nunca haverá muitas canções de amor, muitas histórias de amor ou palavras suficientes para descrevê-lo. Seguimos escolhendo amar, não importa quantas vezes nosso coração foi quebrado, quantas segundas chances damos, mesmo quando, muitas vezes, já sabemos no que uma história vai dar. Sempre há espaço para o amor e nós o vivemos e sentimos de novo e de novo e de novo. Como um déjà vu.
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suelenlasquevski · 3 years ago
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Quando desejava estar em qualquer lugar menos ali, quando sonhava ser qualquer pessoa menos ela, quando todos os dias de Outono haviam se tornado iguais, foi quando o vento soprou em sua direção e a menina nunca mais foi a mesma...
Além da Floresta é um recorte sensível de um lugar no tempo e no espaço, onde estão as memórias desbotadas de uma menina. Apesar de ser feliz na companhia de livros e viver em seu mundinho particular, ela sonhava em ser protagonista de uma história sua, que fosse tão diferente quanto ela se sentia ao redor daqueles que conhecia. 
Foi então que, quando e onde ela menos esperava, um simples soprar do vento deu início a uma série de acontecimentos únicos, mas por sua própria escolha, essa era uma história que ela não seria capaz de contar.
Leia a prévia do livro aqui.
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A idealização desse conto com uma pincelada de magia veio de uma vivência muito inusitada de sua autora com um quadro de amnésia retrógrada após a realização de uma cirurgia. A incapacidade de contar sua própria versão dos dias que foram apagados e especialmente, de se reconhecer como responsável pelas escolhas realizadas durante esse período, culminou em uma crise existencial que a levou a mudar o rumo de sua vida. Voltou-se então para o antigo desejo de estudar Psicologia e no ambiente acadêmico, foi apresentada por uma professora e psicóloga muito especial, à abordagem fenomenológica existencial, cuja teoria baseia-se em pensamentos de filósofos como Soren Keirkgaard, Martin Hiedgger, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, sendo esse último e sua obra “O ser e o nada”, as grandes referências teóricas que norteiam o desenrolar deste conto.
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Outro elemento essencial para a construção do enredo de “Além da Floresta” é a música. Diversas composições de artistas contemporâneos serviram como inspiração para os cenários por onde transitam os dois personagens principais. Suas letras de certa forma também se relacionam à filosofia existencial, pois tratam de temas inerentes à condição humana e que a transcende, criando uma identificação com a narrativa na medida que refletem, de alguma forma, os sentimentos da autora e servem como um elo de ligação entre a pessoa que ela era antes e a que se tornou depois da amnésia.
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Construída ao longo de um processo de psicoterapia realizado pela psicóloga Daniely Dias Pacheco, o objetivo de “Além da Floresta” é traçar um paralelo entre a narrativa pessoal de sua autora, as contribuições da música para a expressão da essência humana e as premissas da filosofia existencial, apresentando de forma lúdica e delicada ao público infanto-juvenil, novas lentes para se ver o mundo.
Com desenhos criados pela ilustradora e designer Laila Arêde, cada detalhe desta obra, desde o seu formato de impressão até a disposição das ilustrações ao longo do texto é uma alusão a esses ingredientes e trazem à materialidade os questionamentos que movem a estória: ir ou ficar? Lembrar ou esquecer? E o que realmente em nós fica do que deixamos para trás?
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